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CNA Debate Soluções Logísticas para o Setor Agropecuário em Reunião Nacional

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Na terça-feira (15), a Comissão Nacional de Infraestrutura e Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou sua primeira reunião de 2025, com o objetivo de discutir questões cruciais para o setor agropecuário. O encontro teve como pauta o escoamento da produção, a luta contra fraudes nas exportações e o déficit de armazenagem, além de outros desafios logísticos que afetam a eficiência do setor.

Abertura e Desafios Logísticos

O presidente da Comissão, Mário Borba, deu início aos trabalhos destacando a relevância do encontro. “Sabemos das dificuldades enfrentadas, como as estradas vicinais e outros gargalos logísticos. Que esta primeira reunião do ano seja produtiva para encontrar soluções concretas”, afirmou Borba, reforçando a importância de discutir a melhoria da infraestrutura no campo.

Plataforma de Inteligência Territorial

O primeiro tema da reunião foi apresentado por Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, que detalhou a Plataforma de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária. A plataforma oferece informações detalhadas sobre as principais cadeias produtivas de exportação agropecuária do Brasil, como algodão, bovinos, café, cana-de-açúcar, galináceos, laranja, madeira para papel e celulose, milho, soja e suínos.

Um dos principais destaques foi o sistema “Caminhos da Safra”, desenvolvido pela CNA, que proporciona uma visão detalhada das rotas de escoamento, portos secos e fronteiras. Spadotti também anunciou o lançamento de um curso completo sobre a plataforma, que incluirá navegação guiada, simulações logísticas e tutoriais, visando facilitar o uso das informações disponibilizadas.

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Tecnologia no Combate a Fraudes nas Exportações

Emerson Martens, CEO da BindFlow, empresa especializada em soluções tecnológicas, apresentou recursos para combater fraudes no transporte e exportação de commodities. Utilizando inteligência artificial para rastrear cargas, avaliar rotas, pontuar transportadoras e motoristas, e monitorar o processo logístico em tempo real, a empresa propõe aumentar a segurança no setor.

“Quando ocorre roubo ou fraude, o produtor rural é quem arca com os prejuízos. Com a tecnologia, podemos identificar com precisão onde está o problema, o que já é um grande avanço”, afirmou Martens, destacando a importância da rastreabilidade para a prevenção desses crimes.

Déficit de Armazenagem e Soluções Logísticas

O terceiro tema abordado foi o déficit na armazenagem de grãos nas propriedades rurais. Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da CNA, alertou que apenas 16,8% da produção é armazenada nas próprias propriedades, forçando os produtores a recorrerem a estruturas distantes. Em locais como o Maranhão, por exemplo, a distância pode chegar a 100 km.

Paulo Lima, diretor da Agrosilos União, apresentou soluções para a implantação de unidades de armazenagem mais próximas das áreas produtivas. “Em vez de construírem silos em suas propriedades, sugerimos que os produtores invistam em cotas de condomínios de armazenagem em municípios estratégicos. Este modelo é viável e já está sendo implantado no município de Assis Chateaubriand, no Paraná”, explicou Lima. A proposta também prevê a adoção de tecnologias de gestão e acompanhamento individualizado para cada produtor.

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Encerramento e Convite para o Plano Nacional de Logística

Elisangela Pereira Lopes aproveitou a oportunidade para convidar os presentes para os encontros técnicos regionais do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que terão início nesta quarta-feira (16), em Cuiabá (MT). O evento visa fomentar a discussão sobre as soluções logísticas para o desenvolvimento do setor agropecuário no Brasil.

Conclusão

O encontro da Comissão Nacional de Infraestrutura e Logística da CNA evidenciou a importância de soluções tecnológicas e políticas públicas para superar os gargalos logísticos enfrentados pelo setor agropecuário. A continuidade das discussões e a implementação de novas estratégias serão essenciais para a evolução do escoamento da produção e para a redução de custos e fraudes no processo de exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra de soja põe crédito rural à prova: custeio pode superar R$ 212 bilhões

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O Brasil começa a plantar uma safra de soja com potencial para alcançar entre 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas, mas o resultado não dependerá apenas do clima. Antes de germinar no campo, a produção precisa caber no caixa do agricultor. Crédito restrito, aumento dos custos e dívidas acumuladas após sucessivas perdas regionais podem limitar o investimento justamente quando o país tenta renovar seu recorde.

O Plano Safra 2026/27 reservou R$ 610,3 bilhões para o financiamento da agropecuária. Desse total, R$ 525,1 bilhões são destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar. Dentro do programa empresarial, R$ 384,9 bilhões foram programados para custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões atendem investimentos.

O valor é o maior já anunciado, mas não representa dinheiro automaticamente disponível a qualquer produtor. Os recursos atendem todas as atividades agropecuárias, não apenas a soja, e sua liberação depende da modalidade, da fonte financeira, da existência de limite no banco, da análise de risco, das garantias e da capacidade de pagamento do interessado.

Também existe uma diferença entre o volume global do Plano Safra e o crédito oferecido com juros equalizados. A equalização ocorre quando o Tesouro Nacional cobre parte do custo financeiro para que o produtor contrate a operação com taxa inferior à praticada no mercado. Para o ciclo atual, as linhas abrangidas por esse mecanismo somam R$ 141,8 bilhões, dos quais R$ 97,5 bilhões são destinados a médios e grandes produtores e R$ 44,3 bilhões à agricultura familiar.

A dimensão da necessidade financeira pode ser percebida pela extensão das lavouras. O Brasil deverá plantar entre 49 milhões e 49,3 milhões de hectares de soja. Não existe um custo único para todo o país, pois os gastos variam conforme região, fertilidade do solo, produtividade pretendida e pacote tecnológico adotado.

Uma simulação ajuda a demonstrar a ordem de grandeza. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calcula em R$ 4.315,29 por hectare o custeio da soja em Mato Grosso. Se esse valor fosse usado apenas como referência para a área nacional, a implantação das lavouras exigiria aproximadamente R$ 212 bilhões. A conta é ilustrativa e não inclui todos os custos com terra, depreciação, armazenagem, comercialização e encargos financeiros.

Em Mato Grosso, onde estão previstos 13,05 milhões de hectares, a aplicação dessa referência representa uma necessidade de cerca de R$ 56 bilhões apenas para o custeio da soja. Fertilizantes, corretivos e defensivos estão entre os itens que mais pressionaram o orçamento para a nova temporada.

No primeiro mês do Plano Safra, a agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 18,8 bilhões, ou 66,6% do total, enquanto o custeio bancário convencional alcançou R$ 6,5 bilhões. Os números mostram que o financiamento da produção já não depende predominantemente das linhas tradicionais anunciadas pelo governo.

Isan Rezende

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), engenheiro agrônomo Isan Rezende, as previsões para a soja são positivas, mas precisam ser examinadas além da perspectiva climática.

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“As projeções mostram que o Brasil pode colher outra safra extraordinária, próxima de 186 milhões de toneladas. Mas essa produção ainda está no papel. Para transformar potencial em colheita, o produtor precisa de chuva regular, sementes de qualidade, fertilizantes, defensivos, máquinas e crédito disponível no momento correto. Não é apenas o clima que decidirá o tamanho da safra”, afirma.

Segundo Rezende, o volume anunciado no Plano Safra é expressivo, mas o principal desafio está na chegada do recurso à propriedade. “O produtor não planta com o anúncio de bilhões de reais. Ele planta quando o financiamento é aprovado, o limite é liberado e o dinheiro chega antes da janela de semeadura. Se o crédito demora, exige garantias que ele já não possui ou aparece a um custo incompatível com a margem, o recurso existe na estatística, mas não na lavoura.”

O endividamento, na avaliação de Rezende, pode atingir principalmente agricultores que sofreram perdas em temporadas anteriores e precisam manter a atividade. “Muitos produtores não deixaram de pagar porque administraram mal. Foram atingidos por seca, excesso de chuva ou queda de preços depois de colocar uma safra cara no campo. Se a renegociação apenas alongar a dívida, mas não recuperar o acesso ao crédito novo, teremos produtores com prazo maior para pagar e sem dinheiro para continuar produzindo.”

Rezende defende a diversificação das fontes, acompanhada de planejamento. “CPR, barter, cooperativas, revendas, tradings, venda antecipada e recursos próprios são alternativas importantes, mas nenhuma deve ser contratada sem avaliar custo, garantias e volume de produção comprometido. Em uma safra com risco climático, vender ou entregar antecipadamente uma parcela excessiva da colheita pode transformar uma quebra de produtividade em um problema financeiro ainda maior.”

As CPRs podem ser emitidas com liquidação física, quando o compromisso é pago com a entrega do produto, ou financeira, quando o pagamento ocorre em dinheiro. O instrumento amplia o acesso a recursos privados, mas exige atenção aos juros, às garantias, ao preço de referência e às condições previstas para o vencimento.

O barter funciona como uma troca: o produtor recebe sementes, fertilizantes e defensivos e assume o compromisso de entregar determinada quantidade de soja depois da colheita. A operação permite travar a relação entre o custo do insumo e o preço do grão, reduzindo parte da incerteza. Em contrapartida, compromete antecipadamente uma parcela da produção.

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Cooperativas, revendas e tradings também oferecem financiamento vinculado à compra futura da safra. Produtores com estrutura maior podem acessar fundos de investimento nas cadeias agroindustriais, certificados de recebíveis e outras operações do mercado de capitais. Essas alternativas costumam exigir governança, documentação, garantias e escala superiores às cobradas nas linhas bancárias tradicionais.

A venda antecipada pode gerar caixa e assegurar preço para uma parte da produção, mas deve ser compatível com uma estimativa conservadora de produtividade. Em anos de instabilidade climática, comprometer uma quantidade próxima do potencial máximo da propriedade aumenta o risco de o produtor precisar comprar soja no mercado para cumprir o contrato.

O seguro rural e a proteção de preços não substituem o financiamento, mas ajudam a preservar a capacidade de pagamento. O seguro reduz o impacto financeiro de perdas cobertas, enquanto contratos futuros e opções podem limitar a exposição a quedas nas cotações. A combinação dos instrumentos tende a ser mais segura do que concentrar todo o risco em uma única fonte ou estratégia.

A situação dos produtores endividados aumenta a preocupação. O Banco do Brasil calcula que até R$ 100 bilhões de sua carteira agropecuária podem se enquadrar nas novas regras de renegociação. Desse montante, R$ 36,7 bilhões correspondem a créditos inadimplentes e R$ 63,5 bilhões a operações ainda em dia, porém já prorrogadas ou renegociadas. A estimativa envolve até 113 mil clientes e não representa todo o endividamento rural do país.

A Medida Provisória 1.376/2026 criou condições para refinanciar dívidas de produtores atingidos por perdas, mas o acesso continua condicionado à comprovação dos prejuízos e à aprovação dos bancos. Entidades do setor relatam demora, divergências na aceitação de laudos, exigência de novas garantias e cobrança de entrada em algumas operações.

Com margens menores, o efeito da restrição financeira pode aparecer dentro da lavoura. O agricultor sem capital suficiente tende a adiar compras, reduzir adubação, trocar produtos, diminuir investimentos em correção do solo ou limitar aplicações necessárias. Essas decisões preservam o caixa no curto prazo, mas podem retirar produtividade da safra que hoje aparece como recorde nas projeções.

O Brasil dispõe de um volume elevado de crédito e de um mercado privado mais diversificado do que no passado. O problema não é apenas quanto foi anunciado, mas quem conseguirá acessar, a que custo e em qual momento. A chuva continuará decisiva, mas, antes dela, será o financiamento que determinará quantos hectares receberão o pacote tecnológico necessário para alcançar as 186 milhões de toneladas projetadas.

Fonte: Pensar Agro

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