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Clima Adverso se Torna Maior Desafio para Safra de Laranja, Afirma CEO da Citrosuco

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A Citrosuco, uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, responsável por um em cada quatro copos consumidos globalmente, avalia que o clima adverso tem sido um desafio mais significativo do que a doença greening na produção de laranja no Brasil. Em uma rara entrevista concedida à Reuters, nesta quarta-feira, o CEO da companhia, Marcelo Abud, destacou que as condições climáticas severas têm impactado a safra de forma mais intensa do que o greening.

Esses dois fatores, clima e greening, estão na raiz das sucessivas baixas colheitas no Brasil, o maior produtor e exportador global de suco de laranja, contribuindo para a escalada dos preços do produto na bolsa de Nova York, que atingiram máximas históricas em 2024.

“Temos impacto de greening, mas principalmente do clima, que tem se mostrado um fator ainda mais determinante”, afirmou Abud. Ele destacou que a baixa oferta de laranjas é resultado direto dessas condições desafiadoras.

Ao ser questionado sobre as perspectivas para a nova safra 2024/25 no principal cinturão produtor de laranja do país, que abrange os estados de São Paulo e Minas Gerais, Abud citou uma estimativa da Fundecitrus, que projeta uma queda de quase 25% na produção, com expectativa de 232,38 milhões de caixas de 40,8 kg.

“Será uma safra mais difícil, e acreditamos que será assim… Estamos tentando maximizar os resultados, mas obviamente somos vulneráveis às mudanças climáticas, o que também afetará a Citrosuco”, declarou Abud durante um evento da empresa voltado para a apresentação de uma nova metodologia de monetização de créditos de carbono obtidos com lavouras perenes, como laranja, café, cacau e outras frutas.

A Citrosuco, líder na indústria de suco de laranja, deseja reforçar a imagem de que o Brasil mantém um papel de destaque no setor, apoiado por seus valores de sustentabilidade. Abud, que lidera a empresa com cinco terminais portuários nos principais mercados importadores, como Wilmington (EUA), Ghent (Bélgica) e Toyohashi (Japão), ressaltou a importância dessas iniciativas.

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Enquanto trabalha em ações para mitigar as mudanças climáticas, a Citrosuco enfrenta uma previsão de safra que pode ser a menor dos últimos 36 anos, em uma região que, há duas décadas, produzia quase o dobro do volume atual.

Referindo-se aos impactos climáticos, Abud observou que, em algumas micro-regiões, as temperaturas deste ano superaram em 5 graus as do ano anterior, o que levou a empresa a considerar novos projetos de irrigação para reduzir os efeitos negativos nas produtividades. “Já estamos desenvolvendo projetos que incluem irrigação para tornar as plantas mais resilientes”, acrescentou.

Além disso, Abud destacou que a indústria continua em busca de variedades de plantas mais resistentes tanto ao calor quanto ao greening, uma doença que pode causar grandes perdas nas produtividades das plantas afetadas. Embora a extirpação dos pomares doentes seja uma recomendação comum para combater o greening, os altos preços do suco de laranja congelado e concentrado, que ultrapassaram 4,30 dólares por libra-peso após atingirem um recorde de cerca de 4,70 dólares ao final de maio, têm levado alguns produtores a manterem suas plantações o máximo possível.

A Citrosuco, que possui 28 fazendas próprias, totalizando cerca de 73 mil hectares e representando aproximadamente 40% da fruta processada pela empresa, adota diversas técnicas de manejo para enfrentar o greening, incluindo a renovação anual de 5% a 10% de sua área total, substituindo os pomares mais velhos e menos produtivos.

Na visão de Abud, o Brasil tem sido menos afetado pelo greening do que outros países, como os Estados Unidos, graças às boas práticas de manejo. “Veja a Flórida, que já produziu perto de 200 milhões de caixas há 20 anos, hoje produz apenas 12, 15, 20 milhões de caixas. O Brasil, que atingiu um pico de 400 milhões de caixas, viu essa produção cair para 300 milhões no ano passado, uma queda, mas proporcionalmente menor devido às boas práticas de manejo”, comentou.

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Além das práticas de manejo, a Citrosuco também utiliza o controle biológico, com vespas que atacam o psilídeo, inseto vetor da bactéria causadora do greening.

Migração para Regiões Menos Afetadas pelo Greening

Assim como outras empresas do setor, a Citrosuco está explorando novas regiões com menor incidência de greening. Abud mencionou que a taxa de incidência da doença na principal região citrícola brasileira chegou a 38% em média no ano passado, com os maiores índices registrados em São Paulo.

“No ano passado, investimos em duas novas fazendas em Minas Gerais, em regiões um pouco mais ao norte das que já cultivamos, o que nos permite ganhar tempo no ciclo do greening”, afirmou Abud. Embora essa movimentação torne a originação da fruta um pouco mais distante das indústrias processadoras, a empresa vê isso como uma estratégia necessária.

A Citrosuco possui três plantas industriais, todas localizadas no estado de São Paulo, incluindo a maior processadora do mundo, em Matão, além das unidades em Catanduva e Araras.

“O Brasil oferece a vantagem de poder cultivar laranja em várias regiões, ao contrário dos Estados Unidos. Temos o privilégio de poder expandir a citricultura para diferentes áreas. Algumas regiões vão se desenvolver melhor, e muitos produtores seguirão essa tendência, especialmente com o mercado em alta”, concluiu Abud.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo aponta variação de até 77% nos preços dos biodefensivos e alerta para perdas por subdosagem no campo

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A crescente adoção de biodefensivos na agricultura brasileira tem ampliado as alternativas de manejo para os produtores, mas também traz novos desafios relacionados à tomada de decisão e à rentabilidade das operações. Um estudo inédito realizado pelo Aegro Insights revelou diferenças de até 77% nos preços de biodefensivos comercializados no país, além de identificar elevados índices de subdosagem nas aplicações, fator que pode comprometer a eficiência do controle de pragas e doenças.

O levantamento analisou os 20 biodefensivos mais utilizados nas fazendas brasileiras durante a safra 2025/26 e constatou que produtos formulados com o mesmo agente biológico podem apresentar diferenças significativas de preço, dependendo da marca, do canal de comercialização e da estratégia de posicionamento adotada pelos fabricantes.

Canal de compra influencia diretamente o custo dos biodefensivos

De acordo com a pesquisa, a escolha do local de compra exerce forte impacto sobre o custo final dos insumos biológicos. A comparação entre aquisições realizadas diretamente com fabricantes, cooperativas e revendas mostrou variações que chegaram a 77% para um mesmo produto.

Em negociações de maior volume, a compra direta junto ao fabricante pode reduzir o valor por litro em até 60%, representando uma oportunidade importante para otimização dos custos de produção.

O estudo também identificou diferenças relevantes em produtos formulados com o agente biológico Bacillus velezensis. Nesse grupo, os custos variaram entre R$ 31 e R$ 50 por hectare, evidenciando a necessidade de avaliação criteriosa das características técnicas de cada solução antes da aquisição.

Segundo os especialistas da Aegro, é fundamental que o produtor compreenda as particularidades das cepas utilizadas, a concentração dos microrganismos e os resultados agronômicos comprovados para determinar se o investimento adicional realmente gera retorno econômico.

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Subdosagem compromete eficiência e aumenta riscos no manejo

Outro ponto de atenção identificado pelo levantamento foi a elevada incidência de aplicações abaixo da dose recomendada pelos fabricantes.

Entre os casos analisados, 90% das aplicações do produto Trichodermil Super SC ocorreram em níveis inferiores à dose mínima indicada em bula. Enquanto a recomendação técnica varia entre 0,8 e 1,0 litro por hectare, a dose mediana observada nas propriedades avaliadas foi de apenas 0,10 litro por hectare.

De acordo com Mauricio Schneider, CEO da Aegro, a prática pode reduzir significativamente o desempenho esperado dos biodefensivos.

“A aplicação abaixo da dose recomendada compromete o nível de controle que o produto foi desenvolvido para oferecer, reduzindo sua eficiência e prejudicando os resultados esperados no campo”, destaca o executivo.

Mercado de biológicos vive fase de amadurecimento

O estudo aponta que o mercado brasileiro de produtos biológicos passa por um processo acelerado de expansão e profissionalização.

Nos últimos anos, o setor registrou aumento da capacidade produtiva, ampliação do portfólio disponível, ganhos de escala industrial e maior competitividade entre fabricantes. Esse movimento tem contribuído para a redução dos custos por hectare e para o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas ao manejo sustentável.

Por outro lado, a ampliação da oferta também torna o processo de escolha mais complexo para os produtores, exigindo análises mais detalhadas sobre desempenho, custo-benefício e adequação operacional.

Segundo Schneider, a utilização de dados técnicos confiáveis é essencial para garantir que os investimentos em biológicos gerem valor efetivo dentro da propriedade.

Cepas públicas e proprietárias exigem análise técnica

Os biodefensivos são desenvolvidos a partir de agentes biológicos específicos, conhecidos como cepas.

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As chamadas cepas públicas podem ser utilizadas por diferentes fabricantes e possuem ampla base científica, geralmente oferecendo custos mais competitivos. Já as cepas proprietárias são exclusivas de determinadas empresas e podem apresentar diferenciais tecnológicos que justifiquem preços mais elevados.

No entanto, especialistas alertam que essas vantagens devem estar respaldadas por evidências agronômicas consistentes, obtidas por meio de pesquisas independentes ou publicações técnicas reconhecidas.

Antes da compra, os produtores devem avaliar fatores como identificação do agente biológico, concentração do produto, dose recomendada, compatibilidade com misturas, facilidade operacional e janela de aplicação.

Também é importante comparar os custos por hectare dos biológicos com alternativas químicas disponíveis, considerando não apenas o investimento direto, mas também benefícios relacionados à sustentabilidade, redução de resíduos e manejo da resistência de pragas e doenças.

Dados reais ajudam a orientar decisões no campo

O levantamento foi desenvolvido a partir da análise estatística de notas fiscais reais de produtores rurais, com informações anonimizadas e consolidadas pela plataforma Aegro.

Segundo a empresa, novos estudos deverão ser divulgados nos próximos meses, ampliando o uso de inteligência de dados para apoiar a gestão das propriedades rurais.

A iniciativa integra as atividades do Aegro Insights, divisão de inteligência de mercado criada para transformar informações operacionais de milhares de hectares em conhecimento estratégico voltado à tomada de decisão.

Com base em dados concretos do campo, a ferramenta busca oferecer aos produtores maior previsibilidade na compra de insumos, planejamento das operações e gestão financeira das atividades agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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