AGRONEGÓCIO
Casos de acidentes com escorpiões diminuem em Cuiabá
Publicado em
26 de janeiro de 2025por
Da Redação
Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), 61 pessoas foram tratadas por acidentes com animais peçonhentos entre os dias 1º e 20 de janeiro de 2025. Desses casos, 40 envolveram escorpiões. O CIATOX, instalado no HMC, é referência no estado de Mato Grosso no atendimento a emergências toxicológicas e desempenha papel fundamental no monitoramento desses dados.
Os números mais recentes indicam uma tendência de redução nos acidentes envolvendo animais peçonhentos em Cuiabá. Em 2023, foram registrados 921 casos, dos quais 643 envolveram escorpiões. Já em 2024, houve 856 notificações, sendo 577 relacionadas a escorpiões. A diminuição nos casos demonstra resultados positivos das ações preventivas e do manejo adequado do ambiente.
Conforme Jessé Martins Ribeiro Junior, biólogo do LABFAUNA do Centro de Controle de Zoonoses de Cuiabá (CCZ), apesar da redução, o período chuvoso ainda é crítico para o aparecimento desses animais. “A água das chuvas desaloja os escorpiões de seus esconderijos, como entulhos e redes de esgoto, aumentando a chance de contato com seres humanos. Além disso, essa época coincide com o período de reprodução dos escorpiões, o que intensifica sua movimentação”, explica o biólogo.
“Embora os números estejam em queda, reforçamos a importância de que toda pessoa que sofra um acidente com escorpião procure atendimento médico imediato. Mesmo que os acidentes sejam leves na maioria dos casos, é necessário garantir que o animal não pertença a uma espécie mais perigosa”, alerta Jessé.
Os escorpiões mais comuns em Cuiabá geralmente causam acidentes leves, sem necessidade de maiores intervenções. No entanto, existe o risco de espécies mais perigosas serem introduzidas na cidade por meio de cargas de madeira, materiais de construção ou outros transportes.
“Por isso, a recomendação é que as vítimas, sempre que possível, levem o animal capturado com segurança ao hospital para identificação. Esse procedimento ajuda a determinar a melhor abordagem médica e as medidas de controle necessárias”, explica Pablo Marcelo Pazóti, que também é biólogo do CCZ.
Prevenção: manejo do ambiente
A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar acidentes. O Ministério da Saúde orienta que o controle químico não é eficaz contra escorpiões e recomenda medidas de manejo ambiental. A eliminação dos chamados “4 A’s” é fundamental:
Água: Evitar fontes de água parada.
Alimento: Controlar a presença de baratas, principal fonte de alimento dos escorpiões.
Acessos: Instalar telas nos ralos, vedar portas e janelas e fechar frestas para impedir a entrada de escorpiões pelas redes de esgoto.
Abrigos: Remover entulhos, restos de obra e outros materiais acumulados que sirvam como esconderijos, especialmente em áreas úmidas.
Angela Pereira Batista, gerente do CCZ, destaca que a redução nos números de acidentes com escorpiões em Cuiabá é um reflexo das ações preventivas e do aumento da conscientização da população. “No entanto, é importante manter a vigilância, especialmente no período chuvoso, quando o risco de contato com esses animais é maior”, ressalta a gerente.
“É fundamental reforçarmos que qualquer acidente com escorpião deve ser levado a sério, e as vítimas devem procurar atendimento médico imediato. Com o manejo adequado do ambiente e a colaboração da população, é possível reduzir ainda mais os números de acidentes e garantir a segurança de todos”, alerta Angela.
#PraCegoVer
A imagem descreve potes de vidro onde estão armazenadas diversas espécies de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e outros.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
12 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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