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Capacidade de armazenagem de grãos no Brasil cresce, mas segue abaixo do avanço da produção agrícola

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A capacidade estática de armazenagem de grãos no Brasil atingiu 210,5 milhões de toneladas no início de 2026, o que representa crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior, segundo levantamento do IBGE compilado pela DATAGRO. Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta um desequilíbrio estrutural entre a capacidade de estocagem e o volume crescente da produção agrícola nacional.

Brasil armazena menos de 60% da safra de grãos

De acordo com os dados, a atual capacidade de armazenagem corresponde a 58,6% da produção brasileira de grãos estimada para a safra 2025, que deve alcançar 359,4 milhões de toneladas. No ano anterior, essa relação era mais favorável, em 64,7%, indicando perda relativa de cobertura da infraestrutura frente ao aumento da produção.

Embora não seja necessário armazenar toda a produção simultaneamente — já que culturas como soja e milho possuem calendários de colheita diferentes —, o desequilíbrio entre oferta e estrutura logística segue ampliando desafios operacionais, especialmente nos períodos de pico de colheita.

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Crescimento da produção supera avanço da armazenagem

A análise da DATAGRO aponta que, na última década, a capacidade de armazenagem no país cresceu a uma média anual de 4,0%, enquanto a produção de grãos avançou em ritmo mais acelerado, com média de 6,5% ao ano.

Esse descompasso estrutural pressiona a cadeia logística do agronegócio brasileiro, aumentando a dependência de soluções emergenciais de estocagem e reduzindo a capacidade dos produtores de reter parte da produção para comercialização em momentos mais favoráveis de mercado.

Regiões produtoras enfrentam maior pressão logística

O desequilíbrio entre produção e armazenagem é mais crítico em importantes regiões agrícolas do país, como Matopiba, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Nessas áreas, o volume combinado de produção e estoques remanescentes frequentemente ultrapassa a capacidade instalada de armazenagem.

Essa limitação estrutural intensifica gargalos logísticos durante a colheita, elevando custos operacionais e aumentando a dependência de transporte e escoamento imediato da produção.

Mato Grosso lidera expansão, mas desafios permanecem

Entre os estados, Mato Grosso se destaca pelo avanço mais consistente na ampliação da infraestrutura de armazenagem nos últimos anos, apresentando uma condição relativamente mais equilibrada em relação ao volume produzido.

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Ainda assim, especialistas alertam que a continuidade dos investimentos em armazenagem será fundamental para reduzir a vulnerabilidade logística do setor. Além disso, o ritmo de comercialização dos grãos também segue como fator estratégico para aliviar a pressão sobre a infraestrutura existente.

Desafio estrutural para o agronegócio brasileiro

O cenário reforça que, apesar dos avanços recentes, a capacidade de armazenagem ainda não acompanha a dinâmica de crescimento da produção agrícola brasileira. Para o setor, o desafio envolve não apenas expandir a infraestrutura, mas também integrar soluções logísticas mais eficientes que garantam maior estabilidade comercial e operacional ao longo das safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Indústria da borracha precisa acelerar execução de soluções para ganhar competitividade global, aponta estudo da Fiesp

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A indústria brasileira de artefatos de borracha já mapeou com clareza seus principais gargalos e oportunidades, mas ainda precisa avançar na transformação de diagnósticos em ações concretas para ampliar sua competitividade. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos de referência do setor na América Latina.

Importações pressionam mercado e ampliam desafios da indústria nacional

De acordo com o levantamento apresentado, o setor enfrenta forte concorrência de produtos importados, que já representam cerca de 43% de penetração no mercado brasileiro.

Além disso, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais, como o elevado custo de produção no país — o chamado “Custo Brasil” —, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos.

O estudo também aponta que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas do segmento é composta por pequenos e médios negócios.

China lidera exportações e amplia disputa global

No cenário internacional, a China se destaca como principal player global, liderando praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializados pelo Brasil e respondendo por 18,4% das exportações mundiais do setor.

O Brasil, por outro lado, ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, com participação de apenas 0,7%.

Segundo Calantuono, apesar do cenário desafiador, há espaço para expansão da indústria brasileira.

“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço”, destacou.

Oportunidade está em inovação, sustentabilidade e economia circular

O especialista defende que o reposicionamento da cadeia da borracha brasileira deve passar por inovação tecnológica e estratégias sustentáveis.

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Entre os caminhos apontados estão soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e práticas de economia circular, como reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais inovadores.

“O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia com soluções sustentáveis e customizadas, que podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou.

Calantuono também defendeu a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer o setor.

“A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para competir em igualdade de condições com o mercado internacional”, completou.

Senai amplia investimentos em capacitação e inovação no setor

Durante o evento, instituições do Sistema S apresentaram iniciativas voltadas à qualificação profissional e ao desenvolvimento tecnológico da indústria da borracha.

O Senai-SP anunciou a implantação de um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo (SP), com início de operação previsto para 2027. O projeto contará com 14 equipamentos de alta tecnologia e investimento estimado em R$ 10 milhões.

Segundo Fernanda Moreira, coordenadora técnica de Novos Negócios do Senai-SP, a estrutura atenderá diferentes segmentos industriais.

“A meta é atender aplicações de alta performance em pneus, indústria automotiva, construção civil, aeroespacial, médico-hospitalar e calçadista, com desenvolvimento de projetos de P,D&I”, afirmou.

Além disso, o Senai-SP está destinando cerca de R$ 3 milhões para capacitação profissional, com 14 cursos voltados ao setor, em formatos presenciais, in company e, futuramente, EAD.

Senai-RS busca ampliar participação da borracha em projetos de inovação

O Senai-RS também destacou iniciativas para expandir a presença da indústria da borracha em seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.

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Segundo Jordão Gheller Jr., gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, atualmente apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem elastômeros.

O painel foi complementado por ações de formação profissional conduzidas por Sandro Lima Bernieri, voltadas à qualificação na área de polímeros.

Novas tecnologias reforçam sustentabilidade e eficiência produtiva

A Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026 também apresentou inovações tecnológicas voltadas à indústria da borracha.

Entre os destaques, Jason Silva, da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos, com menor uso de insumos, maior produtividade e reciclabilidade total dos resíduos pós-cura. A tecnologia também reduz emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC), contribuindo para a saúde ocupacional e a economia circular.

Já Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, um novo tipo de negro de carbono com até 30% de carbono recuperado, desenvolvido para apoiar empresas na redução das emissões dos escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG.

Indústria precisa reforçar foco no cliente e adaptação ao mercado

Encerrando o ciclo de palestras, o consultor Sérgio Luís Patzlaff, da STG Consultoria Empresarial, destacou a importância da leitura de mercado e da conexão com o cliente como fatores decisivos para a competitividade.

Segundo ele, muitas empresas acabam direcionando esforços para questões internas, em detrimento das demandas externas.

“A empresa não está perdendo cliente, está desistindo de vê-los. A reconexão começa dentro da organização”, afirmou.

O especialista reforçou ainda que a atenção aos clientes em risco deve ser prioridade estratégica, já que a perda de relacionamento pode ser irreversível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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