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Câmara aprova exclusão da silvicultura da lista de atividades poluidoras

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), o Projeto de Lei 1366/22, que exclui a silvicultura da lista de atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais. Com a aprovação, o plantio de florestas para extração de celulose, como pinheiros e eucaliptos, não precisará mais de licenciamento ambiental nem estará sujeito ao pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TFCA). O projeto agora segue para sanção presidencial.

A alteração na Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81) levanta questões sobre o impacto ambiental do plantio de grandes áreas de eucalipto. Embora essas árvores possam contribuir para a captação de carbono, elas consomem grandes quantidades de água e têm pouca diversidade de fauna, o que levou alguns críticos a chamarem tais áreas de “desertos verdes”.

Debate na Câmara

O deputado Patrus Ananias (PT-MG) foi um dos críticos mais ferrenhos da proposta, classificando-a como agressiva ao meio ambiente. “Onde se planta eucalipto, não cresce nenhuma outra planta, nem se vê vida animal. Essas árvores absorvem uma quantidade excessiva de água”, declarou. Ananias afirmou não ser contra a plantação de eucalipto, mas defendeu a normatização da prática para conciliar a produção industrial com o equilíbrio ambiental. “Estamos permitindo que plantadores de eucalipto atuem sem regulamentação, comprometendo nossos ecossistemas, nossas águas e nossa biodiversidade”, disse.

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A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) também expressou preocupação com o impacto ambiental da proposta, especialmente à luz das mudanças climáticas e dos desastres naturais recentes. Ela chamou o projeto de “escárnio” diante das ações necessárias para combater os efeitos do aquecimento global. “Não podemos continuar ignorando o fato de que o planeta está pedindo socorro”, enfatizou.

Defesa do Projeto

Em defesa do projeto, o deputado Ricardo Salles (PL-SP) argumentou que a silvicultura é frequentemente praticada em áreas de pastagem degradada, que não são mais adequadas para a agricultura. “A silvicultura e os recursos que ela gera permitem a recuperação de matas ciliares, reservas legais e áreas de preservação permanente”, explicou. Segundo ele, a silvicultura pode coexistir com outras culturas agrícolas e contribui para o uso sustentável do solo.

O deputado Domingos Sávio (PL-MG) disse que ser contra a silvicultura é ser contra o plantio de florestas, que é essencial para a produção de madeira e evita o desmatamento de áreas naturais. Já o deputado Rodrigo de Castro (União-MG) ressaltou que a silvicultura moderna protege mananciais e unidades de conservação, contribuindo para o bem-estar do meio ambiente.

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Com a exclusão da silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras, o debate agora se volta para o equilíbrio entre a produção agrícola e a preservação ambiental. A questão é complexa, mas o consenso na Câmara indica uma tendência para flexibilizar regulamentações no setor agrícola, o que pode ter impactos significativos na gestão ambiental do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil colhe recorde de 4,14 milhões de toneladas de algodão em área menor

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O Brasil encerrou a colheita de algodão da safra 2025/26 com produção estimada em 4,14 milhões de toneladas de pluma, a maior da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume supera em 1,5% o resultado do ciclo anterior, apesar da redução da área plantada. Com a fibra retirada do campo, o desempenho das exportações e a preservação da qualidade passam a pesar no resultado do produtor.

O avanço veio do rendimento das lavouras. A produtividade média atingiu 2.053 quilos de pluma por hectare, alta de 4,9% sobre a temporada passada, suficiente para compensar a diminuição de 3,2% da área cultivada, que ficou em 2,02 milhões de hectares. O país conseguiu, assim, ampliar a oferta sem expandir o plantio.

A etapa de colheita já ficou para trás nas principais regiões produtoras. No acompanhamento divulgado pela Conab os trabalhos alcançaram 100% da área monitorada, incluindo Mato Grosso e Bahia. A atividade prossegue nas algodoeiras, onde o beneficiamento separa a fibra do caroço e prepara a pluma para comercialização.

O mercado externo é decisivo para absorver essa produção. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reunidos pela Conab, o Brasil exportou 2,08 milhões de toneladas de algodão de janeiro a agosto, crescimento de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025.

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Para 2026, a companhia projeta embarques de 3,42 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico é estimado em 740 mil toneladas. A distância entre os dois volumes mostra o peso das vendas internacionais para o escoamento da fibra brasileira.

Dentro do país, a indústria têxtil continua cautelosa. Conforme a Conab, as empresas evitam grandes aquisições porque encontram dificuldade para repassar o encarecimento da matéria-prima aos produtos acabados. O estoque de passagem é projetado em 2,72 milhões de toneladas ao fim do ano, ligeiramente abaixo de 2025.

A quantidade colhida, porém, não conta toda a história. No Paraná, a Conab registrou que as chuvas na fase final da colheita, sobretudo no norte do Estado, comprometeram a qualidade da fibra, embora sem impactos relevantes no rendimento.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), chuvas persistentes durante a abertura dos capulhos — os frutos abertos que expõem a fibra — favorecem a deterioração do algodão. A umidade e a ação de fungos podem provocar amarelecimento e perda de brilho, brancura e resistência, prejudicando a qualidade da pluma.

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Como a colheita já terminou, a atenção agora se volta ao produto armazenado e ao beneficiamento. A Embrapa alerta que o excesso de umidade no algodão pode favorecer fermentação e microrganismos, com danos à cor e à resistência da fibra. A retirada do campo, portanto, precisa ser acompanhada de armazenamento adequado para preservar o resultado obtido na lavoura.

Para o cotonicultor, a orientação técnica é manter o algodão protegido da água, verificar as condições de armazenamento e controlar a umidade antes do processamento. Na comercialização, volume disponível e qualidade da fibra precisam ser considerados juntos: o recorde nacional amplia a oferta, mas cada lote conserva suas próprias características.

Fonte: Pensar Agro

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