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Café sobe nas bolsas em junho com atraso da colheita no Brasil, clima chuvoso e queda nos estoques globais

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O mercado internacional de café registrou um mês de junho marcado por forte volatilidade e tendência de alta nas bolsas. Os preços foram sustentados principalmente pelas preocupações com o andamento da colheita no Brasil, impactada por chuvas acima da média em importantes regiões produtoras, além da redução dos estoques certificados e do cenário geopolítico global.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o café arábica alcançou os maiores níveis em cinco meses no contrato de setembro, enquanto o robusta também apresentou valorização na Bolsa de Londres (ICE Europe), refletindo um ambiente de oferta mais restrita no curto prazo.

Clima irregular atrasa colheita e afeta qualidade do café no Brasil

Ao longo de junho, o avanço da colheita no Brasil foi diretamente influenciado por condições climáticas irregulares. Apesar de períodos de tempo mais seco em algumas regiões terem permitido melhora pontual nos trabalhos de campo, as chuvas recorrentes no cinturão cafeeiro trouxeram dificuldades operacionais.

Entre os principais impactos estão o atraso na colheita, a lentidão nos processos de secagem e beneficiamento dos grãos e o consequente atraso na chegada do café novo ao mercado.

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Além disso, o excesso de umidade levantou preocupações sobre a qualidade do arábica, com relatos de possíveis perdas de padrão devido às condições climáticas adversas associadas ao fenômeno El Niño.

Oferta ampla no ciclo contrasta com restrição no curto prazo

Apesar dos problemas pontuais na colheita, o mercado mantém a expectativa de uma safra brasileira volumosa em 2026, possivelmente em nível recorde.

No entanto, o atraso na entrada do café novo e as incertezas sobre a qualidade dos grãos reduziram a oferta disponível no curto prazo, o que contribuiu para sustentar as cotações internacionais ao longo do mês.

Estoques e cenário global também reforçam altas

Outro fator importante para o movimento de alta foi a redução dos estoques certificados na Bolsa de Nova York, que ampliou a percepção de aperto na oferta disponível para entrega imediata.

O mercado também acompanhou um ambiente macroeconômico mais instável, com tensões geopolíticas no Oriente Médio influenciando o comportamento do dólar e do petróleo, o que aumentou a volatilidade nos mercados de commodities de forma geral.

Café arábica e robusta encerram junho em forte valorização

Na Bolsa de Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em setembro encerrou junho cotado a 296,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 14,6% no acumulado do mês. Em maio, o contrato havia fechado a 258,70 centavos.

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Já o café robusta na Bolsa de Londres também apresentou desempenho positivo, com valorização de 9,3% no contrato de setembro no mesmo período.

Mercado físico no Brasil passa por transição entre safras

No mercado interno, junho foi marcado por uma fase de transição entre a comercialização de lotes remanescentes da safra 2025 e a entrada gradual dos primeiros volumes da safra 2026.

Os produtores adotaram postura mais cautelosa na oferta, enquanto compradores buscaram limitar os impactos da alta das bolsas internacionais, especialmente diante da expectativa de aumento da disponibilidade com o avanço da nova safra.

Com isso, o mercado físico registrou negociações mais seletivas, refletindo o ajuste entre oferta, qualidade e expectativas para o ciclo 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores

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A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.

O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.

Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.

A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.

A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.

A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.

Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.

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O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.

A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.

A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.

Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.

Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.

Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.

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Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.

O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.

No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.

Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.

Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.

A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.

Fonte: Pensar Agro

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