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Café: Preços Sobem com Recuperação Técnica e Início de Negociações Futuros do Conilon na B3

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O mercado de café começou a semana com forte valorização após registrar quedas expressivas na última sexta-feira (20), devido à previsão de chuvas no Brasil. Essa queda havia comprometido parte dos ganhos acumulados ao longo da semana anterior. Entretanto, nesta segunda-feira (23), as bolsas de Nova York e Londres reverteram esse movimento, e os contratos futuros do café retomaram o fôlego, impulsionados por uma recuperação técnica.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o café arábica apresentava alta significativa: o contrato de dezembro/24 subia 875 pontos, cotado a 259,50 cents/lbp; o contrato de março/25 registrava alta de 885 pontos, atingindo 257,50 cents/lbp; e o contrato de maio/25 avançava 875 pontos, sendo negociado a 255,20 cents/lbp.

No caso do robusta, os ganhos também foram expressivos. O contrato de novembro/25 registrava aumento de US$ 158, com o valor da tonelada atingindo US$ 5.217. Para janeiro/25, a alta foi de US$ 151, levando o preço da tonelada a US$ 4.954, enquanto o contrato de março/25 também subiu US$ 151, cotado a US$ 4.765/tonelada.

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Segundo o Escritório Carvalhaes, os fundamentos do mercado de café permanecem inalterados. As chuvas que caíram sobre os cafezais brasileiros até agora foram pontuais e com volumes insuficientes para reverter os danos à formação da safra de 2025, que já são consideráveis. “Quando as chuvas se tornarem regulares, poderão desacelerar os prejuízos, mas não recuperarão o que já foi perdido”, informou a consultoria.

Lançamento dos Contratos Futuros de Conilon na B3

Nesta segunda-feira (23), o mercado brasileiro de café robusta celebrou um novo marco com o início das negociações dos contratos futuros na Bolsa de Valores do Brasil (B3). O conilon, que vem conquistando espaço na indústria do café e registrando recordes de preços, agora conta com uma ferramenta de hedge e maior transparência para o produtor e o mercado.

Marcus Magalhães, diretor da MM Cafés, destacou a importância dessa novidade. “Há muito tempo o Brasil vem ganhando protagonismo no cultivo do conilon, tanto em produtividade quanto em qualidade. Esse novo contrato oferece aos operadores a oportunidade de atuar no mercado futuro e permite que o produtor venda suas safras de maneira antecipada, como já acontece com o arábica”, afirmou o especialista.

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De acordo com informações da B3, o contrato foi desenhado para auxiliar na gestão do risco de oscilação de preços, podendo ser utilizado por produtores, indústrias e tradings. As cotações serão feitas em reais por saca, com vencimentos em janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro. A liquidação poderá ser realizada financeiramente ou fisicamente, por meio da entrega do produto em armazéns credenciados.

Para Marcus, essa nova modalidade de negociação reforça ainda mais o destaque do conilon, especialmente para os estados do Espírito Santo e Rondônia. “Estamos abrindo um leque de possibilidades para o produtor de conilon e ampliando as fronteiras do mercado cafeeiro no Brasil”, concluiu.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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