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Café enfrenta tendência de queda no mercado interno com recuo do dólar e NY

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O mercado físico de café no Brasil deve terminar a semana com uma queda nos preços, influenciado pelo recuo das cotações na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e pela desvalorização do dólar em relação ao real. Esse cenário pode afetar as negociações, especialmente no segmento de exportações.

Na última terça-feira (10), o mercado brasileiro registrou firmeza nos preços, com o café arábica em alta e o conilon estável. O arábica apresentou elevação em linha com o comportamento da Bolsa de Nova York, enquanto o conilon seguiu estável, acompanhando a tendência do robusta em Londres. O dólar em alta, naquele momento, também contribuiu para a sustentação do mercado. Segundo a Safras Consultoria, as negociações ocorreram de forma pontual e regionalizada.

No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa com 15% de catação foi comercializado entre R$ 1.450,00 e R$ 1.455,00 por saca, comparado aos R$ 1.440,00 e R$ 1.445,00 do dia anterior. Já no cerrado mineiro, o arábica bebida dura com 15% de catação teve preços entre R$ 1.460,00 e R$ 1.465,00, frente aos R$ 1.450,00 e R$ 1.455,00 registrados anteriormente.

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Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica “rio” tipo 7, com 20% de catação, foi cotado entre R$ 1.210,00 e R$ 1.215,00 por saca, contra R$ 1.200,00 e R$ 1.205,00 anteriormente. O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, manteve-se estável, com preços entre R$ 1.485,00 e R$ 1.505,00 a saca, enquanto o tipo 7/8 variou de R$ 1.480,00 a R$ 1.500,00.

Estoque certificado

Os estoques de café certificados nos armazéns credenciados pela Bolsa de Nova York (ICE Futures US), na posição de 10 de setembro de 2024, totalizavam 850.554 sacas de 60 quilos, representando um aumento de 3.867 sacas em relação ao dia anterior, de acordo com informações divulgadas pela ICE.

Nova York

Os contratos futuros de café com entrega em dezembro de 2024 apresentaram queda de 1,82%, sendo cotados a 242,70 centavos de dólar por libra-peso. Na última terça-feira, a posição de dezembro/2024 encerrou em alta de 0,7%, a 247,20 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial opera em baixa de 0,47%, cotado a R$ 5,6269. O índice do dólar (Dollar Index) também recuou 0,17%, atingindo 101,45 pontos.

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Indicadores financeiros

As principais bolsas asiáticas fecharam em baixa, com Xangai registrando queda de 0,82% e o Japão com recuo de 1,49%. Na Europa, as bolsas operam em alta, com Paris avançando 0,28%, Frankfurt subindo 0,35% e Londres com alta de 0,15%. O petróleo também opera em alta, com o contrato de outubro do WTI em Nova York cotado a US$ 67,25 o barril, alta de 2,28%.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Escassez de carne força recuo de Trump e abre nova oportunidade ao Brasil

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A escassez de gado e a disparada do preço da carne nos Estados Unidos levaram Donald Trump a recuar temporariamente na política de proteção ao mercado interno. O presidente anunciou a abertura de uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem os limites atuais, pelo prazo de 90 dias.

O volume equivale a mais do que toda a carne bovina vendida pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. A medida, porém, ainda não representa uma venda garantida ao setor brasileiro. Trump não informou quais países fornecerão o produto e a ordem executiva que regulamentará a operação deverá ser assinada nas próximas duas semanas.

O Brasil aparece entre os principais candidatos a ocupar parte relevante dessa cota. O País tem escala de produção, frigoríficos habilitados e já é o segundo maior fornecedor externo de carne bovina ao mercado americano.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita equivalente a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,18. O mercado americano ficou atrás apenas da China entre os destinos do produto brasileiro.

O ritmo aumentou em 2026. Somente no primeiro semestre, o Brasil embarcou 205 mil toneladas para os Estados Unidos, alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou 29,8% e chegou ao equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.

A importância da carne brasileira para os Estados Unidos não está apenas no volume. Grande parte dos embarques é formada por recortes bovinos magros e congelados usados pela indústria americana na produção de hambúrgueres e carne moída.

Os frigoríficos dos Estados Unidos misturam esses recortes importados com carne de maior teor de gordura obtida de animais terminados em confinamento. A combinação permite padronizar o percentual de gordura e aproveitar melhor a matéria-prima produzida no país.

Quando diminui o abate de vacas, também cai a oferta americana de carne magra destinada à moagem. É justamente nesse ponto que fornecedores como Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai se tornam necessários para a indústria.

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O problema se agravou depois de anos de seca, aumento do custo da alimentação e redução do rebanho. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor contingente em aproximadamente 75 anos. A recomposição não ocorre rapidamente, porque o pecuarista precisa reter fêmeas e esperar o nascimento e o desenvolvimento dos animais.

A oferta ficou ainda mais apertada com as restrições à entrada de gado mexicano por razões sanitárias e com o fechamento de unidades frigoríficas americanas. Ao mesmo tempo, o consumo permaneceu firme.

Em julho, o preço médio da carne moída nos Estados Unidos chegou ao equivalente a aproximadamente R$ 78,70 por quilo, alta de 10% em um ano. A inflação da proteína passou a pressionar o orçamento das famílias e ganhou peso político às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Trump afirmou que os fornecedores assumiram o compromisso de vender a carne abrangida pela medida com desconto de 25% sobre os preços de mercado. Ainda não está claro, porém, como essa redução será controlada nem quanto chegará efetivamente ao consumidor.

As 300 mil toneladas representam pouco mais de 2% do consumo anual de carne bovina dos Estados Unidos e cerca de 12% das importações projetadas para 2026. O volume pode aliviar a oferta de matéria-prima para a indústria, mas dificilmente resolverá sozinho o problema estrutural provocado pela redução do rebanho.

Para o produtor brasileiro, a abertura representa possibilidade de aumento da demanda por vacas, dianteiros e recortes destinados ao processamento. Se o Brasil conquistar parcela expressiva da cota, o movimento poderá melhorar o aproveitamento da carcaça, ampliar a procura dos frigoríficos habilitados e ajudar a sustentar o preço da arroba.

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O benefício não será automático nem uniforme. O reflexo dependerá da participação reservada ao Brasil, das condições de venda, do número de plantas autorizadas e da margem dos frigoríficos. O compromisso de oferecer a carne com desconto também pode limitar o ganho obtido com a retirada da tarifa.

A oportunidade surge em momento importante para o setor. A China, maior compradora da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas, com sobretaxa de 55% para os volumes excedentes. A redução dos embarques chineses no segundo semestre aumentou a necessidade de encontrar destinos para parte da produção brasileira.

Os Estados Unidos podem absorver parte desse volume, mas o Brasil enfrentará concorrência de fornecedores que também produzem carne magra para processamento. A ausência de uma cota específica significa que preço, disponibilidade, logística e habilitação sanitária determinarão quem aproveitará a abertura.

A decisão também reforça a esperança de novos recuos sobre produtos brasileiros necessários à economia americana. O governo dos Estados Unidos já retirou ou reduziu tarifas de alimentos cuja produção doméstica é insuficiente, como café, sucos de frutas tropicais, cacau e especiarias, além de determinados fertilizantes.

O caso da carne mostra que, quando a tarifa encarece um produto indispensável e a oferta americana não consegue atender ao consumo, a proteção ao produtor local pode ceder lugar à necessidade de controlar a inflação. Esse argumento poderá fortalecer as negociações de outros setores brasileiros, embora cada redução dependa de uma decisão específica do governo americano.

Mais do que uma mudança definitiva na política comercial de Trump, o anúncio é uma resposta emergencial à falta de carne nos Estados Unidos. Para a pecuária brasileira, representa uma janela relevante de 90 dias, capaz de compensar parcialmente as restrições impostas pela China e ampliar a presença no segundo maior mercado comprador do País.

Fonte: Pensar Agro

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