AGRONEGÓCIO
Café avança nas bolsas com estoques apertados, queda nas exportações de arábica e risco climático no Brasil
Publicado em
12 de junho de 2026por
Da Redação
Mercado internacional do café mantém tendência de alta
Os preços do café iniciam esta sexta-feira (12) em forte movimento de valorização nas bolsas internacionais, dando continuidade ao rali observado nas últimas sessões. O avanço é sustentado por fundamentos de oferta mais restrita no curto prazo, especialmente no arábica, além de fatores climáticos e cambiais.
Em Nova York, o café arábica voltou a subir com força. O contrato julho/26 avançava cerca de 160 pontos no início do pregão, enquanto setembro/26 era negociado em torno de 251,60 cents por libra-peso, com alta de 135 pontos. O vencimento dezembro/26 também registrava ganho relevante, refletindo um ambiente de aperto na oferta.
Em Londres, o robusta também operava em alta. O contrato setembro/26 subia para US$ 3.459 por tonelada, enquanto os demais vencimentos acompanhavam o movimento positivo, ainda que de forma mais moderada.
Alta é sustentada por estoques menores e exportações mais fracas
O movimento altista encontra suporte direto na redução dos estoques certificados de arábica na ICE, que recuaram para cerca de 399 mil sacas — praticamente metade do volume registrado no mesmo período do ano anterior. O cenário reforça a percepção de aperto de oferta no curto prazo.
Outro ponto de atenção vem dos dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em maio, o país embarcou 3,09 milhões de sacas, alta anual modesta. No entanto, o desempenho do arábica chamou atenção pela queda:
- 2,13 milhões de sacas exportadas em maio
- Recuo de 11,9% frente ao mesmo mês do ano anterior
- Queda de 6,7% em relação a abril
- Redução acumulada de 21,3% nos cinco primeiros meses de 2026
No acumulado do ano-safra, a retração já chega a 16,7% no arábica, reforçando o quadro de oferta mais limitada no mercado internacional.
Clima no Brasil entra no radar e adiciona volatilidade
Além dos fatores de oferta e demanda, o mercado também acompanha de perto as condições climáticas no Brasil, principal produtor global de café.
De acordo com a Climatempo, áreas produtoras de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e sul da Bahia devem registrar chuvas persistentes nos próximos dias. O cenário pode:
- Atrasar o avanço da colheita
- Dificultar a secagem dos grãos
- Elevar preocupações com a qualidade do café recém-colhido
Apesar disso, não há indicação de risco de geadas ou frio intenso para as regiões produtoras neste momento.
Mercado físico segue travado no Brasil
No mercado interno, o ritmo de negociações continua lento. Produtores ainda resistentes às bases de preços oferecidas pelos compradores mantêm baixa liquidez, segundo agentes consultados.
Esse comportamento limita a oferta no mercado físico e contribui para sustentar os preços em meio à colheita em andamento.
Nova York acelera alta com dólar fraco e cobertura de posições
Na sessão mais recente, o café arábica em Nova York encerrou o dia em forte valorização, ampliando os ganhos do pregão anterior. O movimento foi impulsionado por:
- Cobertura de posições vendidas (short covering)
- Dólar mais fraco frente ao real
- Preocupações com o ritmo da colheita no Brasil
- Queda dos estoques certificados
Os contratos de julho/26 fecharam a 253,95 cents por libra-peso, com alta de 5,55 cents (+2,2%). Já setembro/26 encerrou a 250,25 cents, avanço de 5,65 cents (+2,3%).
Perspectivas para o mercado do café
O cenário geral segue marcado por forte sensibilidade a fatores climáticos, comportamento das exportações brasileiras e nível dos estoques internacionais. Enquanto a oferta de arábica permanece mais restrita no curto prazo, o mercado tende a seguir volátil, com espaço para novas oscilações conforme o avanço da colheita no Brasil e a evolução das condições climáticas nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifas dos EUA sobre açúcar e etanol preocupam setor, mas impacto para usinas brasileiras deve ser limitado
Published
19 minutos agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros acendeu o alerta em importantes segmentos do agronegócio nacional. Entre os itens potencialmente afetados estão açúcar, etanol, café solúvel, tilápia e uva, embora especialistas avaliem que os impactos diretos para as usinas sucroenergéticas tendem a ser limitados no curto prazo.
A medida faz parte das investigações conduzidas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e ainda está em fase de discussão. O prazo para eventual adoção de medidas corretivas foi estabelecido para 15 de julho.
Açúcar pode perder competitividade no mercado americano
O principal efeito para o setor sucroenergético seria a redução da competitividade do açúcar brasileiro exportado dentro da cota preferencial dos Estados Unidos, atualmente um mercado importante para usinas do Norte e Nordeste.
Com a eventual cobrança adicional, o produto brasileiro passaria a competir em condições menos favoráveis com fornecedores de outros países que também participam do sistema de cotas.
Apesar disso, representantes do setor avaliam que a medida não altera significativamente o planejamento produtivo da próxima safra.
A existência de mercados alternativos, especialmente na Europa e na Ásia, reduz a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos e limita os impactos sobre a receita das empresas exportadoras.
Produção de etanol pode ganhar espaço no Nordeste
A possível taxação também pode provocar mudanças no mix de produção das usinas nordestinas.
Analistas avaliam que parte das unidades poderá direcionar mais cana para a fabricação de etanol caso a rentabilidade do açúcar destinado ao mercado americano seja reduzida.
Esse movimento teria reflexos sobre a oferta regional de biocombustível, aumentando a disponibilidade no Nordeste e reduzindo a necessidade de compras de etanol produzido em estados do Centro-Oeste, especialmente Goiás.
Como consequência, o mercado poderia enfrentar um excedente de oferta em regiões produtoras, pressionando os preços do combustível.
Setor teme redução da tarifa para etanol americano
Mais do que a possível tarifa sobre produtos brasileiros, a principal preocupação das usinas está relacionada a uma eventual flexibilização da política comercial brasileira para o etanol importado dos Estados Unidos.
Atualmente, o biocombustível norte-americano está sujeito à Tarifa Externa Comum do Mercosul, de 18%.
Representantes do setor alertam que uma eventual redução dessa alíquota poderia ampliar a entrada do produto americano justamente em um momento de elevada oferta global, aumentando a concorrência e pressionando ainda mais os preços internos.
Em posicionamento conjunto, entidades representativas da bioenergia defenderam que eventuais divergências comerciais sejam solucionadas por meio do diálogo e da negociação, preservando a cooperação entre os dois países no desenvolvimento dos biocombustíveis e da transição energética.
Café solúvel busca exclusão da lista de tarifas
Enquanto o café verde foi incluído na lista de exceções proposta pelos Estados Unidos, o café solúvel permaneceu entre os produtos que podem ser afetados pela nova taxação.
O setor acompanha as negociações com preocupação e busca sensibilizar as autoridades norte-americanas sobre a importância da manutenção do livre fluxo comercial.
Representantes da indústria destacam que restrições ao comércio podem gerar impactos ao longo de toda a cadeia produtiva do café brasileiro, um dos principais produtos do agronegócio nacional.
Exportações de tilápia podem ser fortemente afetadas
Entre os segmentos mais vulneráveis está a piscicultura.
Os Estados Unidos respondem por mais de 90% das exportações brasileiras de filé fresco de tilápia, tornando o mercado extremamente dependente do consumidor norte-americano.
Diante desse cenário, lideranças do setor defendem a busca urgente por novos destinos comerciais e pedem esclarecimentos sobre os critérios que serão utilizados para definir os produtos efetivamente sujeitos às novas tarifas.
A preocupação é que a medida comprometa a competitividade da tilápia brasileira justamente em um momento de crescimento das exportações.
Setor de frutas acompanha negociações
No segmento de frutas, a maior parte dos produtos brasileiros foi incluída na lista de exceções, mas a uva permaneceu fora da relação preliminar divulgada pelas autoridades americanas.
O setor prefere aguardar o avanço das negociações antes de avaliar os possíveis impactos econômicos da medida.
A expectativa é que a audiência prevista para julho contribua para esclarecer quais produtos serão efetivamente atingidos e quais poderão ser retirados da proposta tarifária.
Negociações serão decisivas para o agronegócio brasileiro
Embora a proposta norte-americana tenha gerado preocupação em diversos segmentos do agronegócio, especialistas avaliam que os impactos mais relevantes dependerão do resultado das negociações entre os dois países nas próximas semanas.
Para o setor sucroenergético, o principal risco não está apenas na eventual taxação do açúcar, mas na possibilidade de mudanças nas regras de importação de etanol, fator que poderia alterar significativamente a dinâmica de oferta e demanda no mercado brasileiro.
Enquanto isso, cadeias como café solúvel, tilápia e uva seguem acompanhando atentamente as discussões, na expectativa de que os produtos brasileiros sejam excluídos das medidas tarifárias e mantenham acesso competitivo ao mercado dos Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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