AGRONEGÓCIO
Cachaças mineiras são vencedoras em premiação na Itália
Publicado em
26 de outubro de 2023por
Da RedaçãoDiversas destilarias de Minas Gerais ganharam medalhas na Spirits Selection do Concours Mondial de Bruxelles, um evento internacional que premia bebidas consideradas espirituosas de todo o mundo. Cachaças, uísques, conhaques, runs, gins e iguarias do gênero são avaliadas e julgadas por especialistas reconhecidos internacionalmente.
Ao menos onze medalhas foram concedidas a bebidas mineiras que têm trabalhado em melhoramento de produção e gestão dos seus negócios. São produtores da Zona da Mata, Sul e Central Mineira. Confira os premiados:
- Cachaça Capitão – Bom Jardim de Minas
- Grande Medalha de Ouro – Cachaça Capitão Prata
- Medalha de Prata – Cachaça Capitão Amburana
- Fazenda Cana Brasil – Itaverava
- Medalha de Ouro – Cachaça Pracatu Blend Pau Brasil
- Medalha de Ouro – Gin Trevo Raro
- Medalha de Prata – Cachaça Sotaques Classic
- Medalha de Prata – Cachaça Pracatu Branquinha
- Medalha de Prata – Cachaça Bela Prata
- Medalha de Prata – Cachaça Bela Ouro
- Cachaça Flor das Gerais – Felixlândia
- Medalha de Ouro – Cachaça Flor das Gerais Amburana
- Cachaça Tiê – Aiuruoca
- Medalha de Ouro – Cachaça Tiê Prata
- Cachaça Pereirinha – Mar de Espanha
- Medalha de Prata – Cachaça Pereirinha Duas Madeiras
A Spirits Selection do Concours Mondial de Bruxelles foi realizada em Treviso, na Itália, entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro.
Sucesso veio com inovação
Os juízes da Spirit Selection são reconhecidos pela sua capacidade de avaliar diversas características únicas das bebidas, levando em conta notas sensoriais como sabor, aroma e coloração. Para aprimorar essas características e fortalecer agroindústrias em busca do sucesso, o Sistema Faemg Senar oferece diversos cursos e programas especiais que auxiliam na profissionalização de empresas rurais. Um desses programas é o de assistência técnica e gerencial para agroindústria da cachaça, oferecido em diversas regiões do estado.
A cachaça Capitão, de Bom Jardim de Minas, vencedora da Grande Medalha de Ouro, vem conquistando medalhas em diversos concursos. “Já temos três medalhas de prata e uma duplo ouro só neste concurso, levando em conta a participação em anos anteriores. Este ano também fomos premiados no Concurso de Vinhos e Destilados de São Paulo e na Expocachaça”, contou Paulo Cezar da Silva, responsável pela produção.
A cachaça Capitão e a Tiê, de Aiuruoca, são atendidas pela técnica de campo do ATeG, Aline Chignolli, que vem desenvolvendo com seus assistidos a melhoria do posicionamento das marcas e estratégias mercadológicas. “Estamos trabalhando bem a questão comercial, buscando chegar a valores de venda e desenvolvendo estratégias de marketing. São dois produtos de ótima qualidade que tem muito a crescer no mercado de bebidas”, afirmou Aline.
Já a Fazenda Cana Brasil, que produz diversos rótulos de destilados, é atendida pela técnica Fabiane Souza e ganhou seis medalhas do concurso em 2023. “Eles estão melhorando muito na gestão financeira, aprimorando técnicas e otimizando falhas que atrapalham a atividade”, afirmou Fabiane. O dono da destilaria, o empresário Arnaldo Ribeiro, diz que foi uma surpresa a expressiva premiação, mas que isso coroa um bom trabalho desenvolvido pela sua agroindústria. “Foi muito interessante, pois todos os rótulos que produzimos e que mandaram amostras, ganharam. Tivemos um resultado muito bom. Sempre buscamos a qualidade, mas a certeza de estar fazendo um trabalho correto são esses resultados”, comentou Arnaldo.
A cachaça Flor das Gerais, de Felixlândia, é uma das bebidas orgânicas mais antigas do estado, sendo certificada desde 2009. “Tem cinco meses que lançamos essa cachaça vencedora e já é a terceira medalha dela, estamos muito felizes com o lançamento”, disse Daniel Duarte, um dos proprietários.
Daniel conta que o alambique começou a produzir cachaça em 1912. Atualmente, a propriedade é tocada por ele, seu pai, Adão, e sua mãe, dona Lúcia. Eles já fizeram diversos cursos de aprimoramento na produção de cachaça com o Senar. A propriedade deles, inclusive, já foi usada para a realização de oficinas. “Temos realmente uma microdestilaria, com matéria prima da agricultura familiar, onde buscamos fazer nosso trabalho com a melhor qualidade possível”.
A Spirits Selection, Seleção de Bebidas Espirituosas 2024, será realizada em setembro, na cidade de Renhuai, na China.
Fonte: Sistema Faemg | Senar|Inaes
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro
Published
20 horas agoon
31 de agosto de 2026By
Da Redação
A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.
Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.
A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.
No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.
O movimento continua em 2026.
Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.
Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.
Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.
O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.
Essa vantagem aparece com clareza na soja.
Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.
A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.
Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.
No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.
A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.
O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.
A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.
O efeito ultrapassou a soja.
O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.
Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.
Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.
A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.
O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.
Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.
Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.
Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.
Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.
Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.
Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.
A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.
Fonte: Pensar Agro
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