AGRONEGÓCIO

Brasileiros mantêm forte consumo de carne bovina, aponta pesquisa nacional

Publicado em

Um levantamento recente mostra que a grande maioria dos brasileiros não pretende deixar de consumir carne bovina. A pesquisa, encomendada pelo movimento A Carne do Futuro é Animal ao Instituto Qualibest, analisou hábitos, percepções e preferências da população em relação às proteínas animais no país.

O estudo, intitulado “O que o brasileiro pensa sobre a carne”, ouviu 1.021 pessoas em diferentes regiões do Brasil e buscou entender desde padrões de consumo até opiniões sobre temas como saúde, sustentabilidade e bem-estar animal.

Apenas 1% dos brasileiros pretende abandonar a carne bovina

Segundo os resultados, a intenção de deixar de consumir carne bovina é mínima entre os brasileiros. Apenas 1% dos entrevistados afirmou ter como objetivo parar de consumir o alimento no curto prazo.

Além disso, a percepção negativa sobre a carne bovina também é reduzida. Somente 3% dos participantes acreditam que o produto não traz benefícios para a saúde, segundo o levantamento.

Maioria pretende manter o nível atual de consumo

A pesquisa aponta estabilidade no consumo da proteína bovina no país. Cerca de 72% dos entrevistados afirmam que pretendem manter o mesmo nível de consumo atual.

  • Entre os demais participantes, as opiniões ficam divididas:
  • 12% pretendem aumentar o consumo de carne bovina;
  • 12% dizem que devem reduzir a ingestão do produto.
Leia Também:  Aprosoja MT Celebra Sanção de Lei que Impacta a Moratória da Soja

Os dados indicam que, mesmo diante de debates sobre alimentação e sustentabilidade, a carne bovina continua tendo forte presença na dieta dos brasileiros.

Consumo ocorre principalmente em casa e no almoço

O levantamento também analisou os momentos e locais mais comuns para o consumo da proteína.

De acordo com os entrevistados, 73% consomem carne principalmente em casa, durante o almoço, reforçando o papel do alimento nas refeições do dia a dia.

O tradicional churrasco entre amigos aparece logo em seguida, sendo citado por 62% dos participantes como ocasião frequente para o consumo.

Supermercados lideram como principal local de compra

Na hora da compra, os supermercados aparecem como o principal canal de aquisição da carne bovina, escolhidos por 69% dos entrevistados.

O estudo aponta ainda que açougues e boutiques de carne também fazem parte do hábito de compra, embora com participação menor em relação às grandes redes varejistas.

Pesquisa avalia sustentabilidade, bem-estar animal e rastreabilidade

Além do comportamento de consumo, o levantamento investigou a percepção do público sobre temas ligados à cadeia produtiva da carne, como:

  • sustentabilidade na produção;
  • bem-estar animal;
  • rastreabilidade da carne;
  • referência por determinadas raças no momento da compra.
Leia Também:  CNA Debate Soluções Logísticas para o Setor Agropecuário em Reunião Nacional

Essas informações ajudam o setor a entender melhor as expectativas do consumidor brasileiro e orientar estratégias de comunicação.

Resultados completos serão apresentados no Simpósio Nutripura

De acordo com os organizadores, o objetivo do estudo é compreender a visão da sociedade sobre a carne bovina e subsidiar ações do movimento A Carne do Futuro é Animal.

A apresentação completa da pesquisa será feita no dia 21 de março, durante o Simpósio Nutripura, em Cuiabá.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Published

on

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia Também:  Primeiro Recital da Escola Municipal de Música de Cuiabá lota Cine Teatro

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Leia Também:  ABMRA reforça posicionamento como a referência em comunicação e marketing do Agro

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA