AGRONEGÓCIO
Brasil Simplifica Importação de Trigo Argentino e Fortalece Abastecimento dos Moinhos
Publicado em
25 de outubro de 2024por
Da Redação
No dia 1º de dezembro de 2024, o Brasil iniciará a implementação de um novo sistema de gerenciamento de risco para a importação de trigo argentino, que será aplicado em portos de todo o país. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira, 24 de outubro, durante a abertura do 31º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), em Foz do Iguaçu, Paraná.
O Secretário Adjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Allan Rogério de Alvarenga, destacou que essa mudança atende a uma demanda do setor e busca simplificar o processo de importação do grão argentino, sem comprometer a segurança alimentar. “Faremos o deferimento antecipado da importação do trigo argentino. Essa decisão contribuirá enormemente para a simplificação do processo, mantendo as ações de rotina e a coleta de amostras do montante comprado”, explicou.
Na prática, a fiscalização das cargas que entram no Brasil, que atualmente abrange 100% delas, será reduzida para 10%. Essa mudança permitirá o monitoramento de todas as entradas, facilitando a seleção das cargas que passarão por inspeção física e coleta de amostras, enquanto as demais serão liberadas diretamente para processamento ou para seu destino final.
Essa iniciativa, que originou o novo projeto, foi desenvolvida em colaboração entre a Receita Federal, o MAPA, a Abitrigo e o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo). Em setembro de 2023, um projeto piloto foi realizado no Porto de Santos, sendo avaliado tanto pela coordenação geral do Vigiagro quanto pelo Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), com resultados considerados extremamente positivos.
O anúncio foi bem recebido pelo setor moageiro. Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo, afirmou que essa é uma medida imprescindível para o mercado brasileiro. “O projeto, proposto por nós, poderá se expandir para todo o Brasil, desburocratizando, simplificando e reduzindo os custos para as indústrias que importam trigo, transformando-o em produtos para a sociedade brasileira. Essa é, sem dúvida, uma ação muito importante do MAPA”, avaliou.
Avanços no Setor do Trigo
Durante o evento, Osvaldo Vasconcellos Vieira, supervisor da Embrapa Trigo, celebrou os 50 anos da instituição e destacou o desenvolvimento contínuo do setor nas últimas décadas, resultado da colaboração entre produtores, organizações, governo e consumidores. “A nossa sociedade depende do trigo, e a Embrapa está preparada para desenvolver novas tecnologias que ampliem a produção de alimentos seguros e eficientes nos próximos 50 anos. O apoio da Abitrigo é essencial para isso”, afirmou.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly também abordou a importância da reforma tributária para o Brasil, enfatizando que os altos custos embutidos impactam a competitividade dos produtores. “A reforma tributária, que alterará a forma como os impostos são cobrados e administrados, poderá contornar esse cenário, desatando e desburocratizando a economia”, comentou.
Debates sobre o Cenário Geopolítico e Econômico
O congresso prosseguiu com palestras sobre “Economia e Geopolítica no Brasil e no Mundo”. O economista Sérgio Vale, da MB Associados, analisou o cenário macroeconômico atual, abordando riscos políticos e econômicos, como as eleições americanas e a instabilidade no Oriente Médio. Ele previu um crescimento modesto de cerca de 2% para os próximos anos, com a taxa Selic próxima de 10% até 2026, além de alertar sobre a inflação, que deve permanecer perto do teto da meta de 4,5%.
O cientista político e jornalista Gustavo Segré enfatizou os desafios do cenário político nacional e suas implicações nas relações internacionais. Para ele, as decisões políticas tomadas nos próximos dois anos poderão comprometer a relevância global do Brasil, dificultando acordos importantes para o setor produtivo.
Perspectivas para o Mercado do Trigo
A programação do segundo dia do congresso incluiu um painel sobre o mercado do trigo, mediado pelo consultor Edson Csipai. O trader da IPSOY S.A. (Uruguai), Eduardo Vazquez, falou sobre o papel proeminente da Argentina e as mudanças climáticas que afetaram a safra 2023/24 em países como Rússia, Estados Unidos e Brasil.
Roberto Sandoli Jr., representante da Cooperativa Agrária, declarou que o Brasil pode se tornar um grande produtor de trigo, desde que haja união na cadeia produtiva e entendimento sobre as mudanças necessárias. “É imprescindível que todos os envolvidos, sejam os produtores ou o governo, compreendam suas responsabilidades”, ressaltou.
O Congresso do Trigo continua até sexta-feira, 25 de outubro, abordando temas relevantes para o setor moageiro nacional. Rogério Tondo, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, enfatizou a importância do congresso como espaço de atualização, networking e aperfeiçoamento, visando fortalecer cada vez mais o setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel
Published
23 horas agoon
6 de agosto de 2026By
Da Redação
O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.
A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.
Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.
A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.
No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.
A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.
“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.
A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.
O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.
A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.
O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.
Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.
Fonte: Pensar Agro
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