AGRONEGÓCIO
Brasil registra nascimento dos primeiros bezerros geneticamente editados para resistir ao calor
Publicado em
16 de maio de 2025por
Da Redação
O avanço científico, conduzido pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira de Angus, utiliza a tecnologia de edição gênica CRISPR/Cas9 para adaptar raças de alta produtividade às condições tropicais. A iniciativa marca um novo capítulo para a pecuária brasileira, aliando inovação genética ao bem-estar animal.
Inovação inédita na América Latina
Cinco bezerros da raça Angus nasceram entre o fim de março e o início de abril como resultado de um projeto pioneiro da Embrapa com a Associação Brasileira de Angus. Dois deles apresentaram sucesso na edição genética, desenvolvendo pelos curtos e lisos, característica associada à maior tolerância ao calor.
O sequenciamento genético feito pela Embrapa Gado de Leite (MG) confirmou a presença da mutação desejada, representando um marco para a bovinocultura nacional, especialmente frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
CRISPR/Cas9: o “melhoramento genético de precisão”
A tecnologia empregada, conhecida como CRISPR/Cas9, foi adaptada de um sistema natural presente em bactérias e atua como uma espécie de “tesoura genética”. Segundo o pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa, a técnica permite editar o DNA de forma precisa, promovendo características vantajosas sem depender dos tradicionais cruzamentos entre gerações.
Neste projeto, a edição focou no gene receptor da prolactina, que regula a temperatura corporal em bovinos. A introdução da mutação nos embriões permite a expressão de características típicas de raças tropicais, mas ainda ausentes em raças produtivas como Angus e Holandesa.
Pelos curtos e maior resistência ao calor
Os bezerros editados com sucesso exibem pelos curtos e lisos — uma característica genética que contribui para reduzir a temperatura corporal dos animais. Essa adaptação, natural em raças tropicais, foi agora introduzida em raças de alta produtividade.
Segundo Camargo, a edição obteve mais de 90% de sucesso nos folículos pilosos dos animais, sendo suficiente para expressar plenamente a característica desejada. Os estudos seguem em andamento para aprimorar ainda mais a eficiência do processo.
Método inovador: eletroporação de zigotos
A edição genética foi realizada por meio da técnica de eletroporação de zigotos, na qual pulsos elétricos breves abrem temporariamente a membrana do zigoto — célula formada após a fecundação —, permitindo a entrada das moléculas responsáveis pela edição genética.
A Embrapa tem se destacado na aplicação dessa técnica em bovinos, considerada menos invasiva e mais econômica do que métodos convencionais de edição gênica.
Avanços para produtividade e bem-estar animal
A principal expectativa com os animais geneticamente editados é melhorar o desempenho produtivo e reprodutivo em ambientes de clima quente e úmido, reduzindo o estresse térmico.
“A capacidade de suportar melhor o calor traz benefícios diretos ao bem-estar dos animais e à produtividade das fazendas, impactando positivamente toda a cadeia produtiva”, afirma Camargo.
Além disso, adaptar raças como Angus ao clima tropical sem perder suas qualidades produtivas é uma estratégia relevante para o futuro da pecuária brasileira.
Parcerias e apoio institucional
O nascimento dos bezerros geneticamente editados é resultado de um esforço coletivo que envolve, além da Embrapa e da Associação Brasileira de Angus, instituições como o CNPq, a Fapemig, o Sebrae e a Casa Branca Agropastoril.
As pesquisas reúnem cientistas de diversas unidades da Embrapa — Gado de Leite (MG), Gado de Corte (MS) e Pecuária Sul (RS) — com o objetivo de desenvolver novas linhagens geneticamente editadas e estudar a transmissão das características às futuras gerações.
Próximas etapas e disseminação da tecnologia
Com o nascimento dos primeiros bezerros editados, a pesquisa entra em uma nova fase, voltada ao acompanhamento do desenvolvimento dos animais, à avaliação da performance reprodutiva e à confirmação da hereditariedade das edições no DNA.
Caso a transmissão da mutação para os descendentes seja confirmada, a tecnologia poderá ser disseminada naturalmente entre os rebanhos. Os pesquisadores também estudarão possíveis edições não intencionais no genoma e a eficácia da adaptação térmica em ambientes quentes.
A meta é formar uma primeira geração de bovinos editados, cujos filhos poderão multiplicar a característica em larga escala nos rebanhos nacionais.
Repercussão e perspectivas para a pecuária
O diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, Mateus Pivato, destacou que o projeto posiciona a pecuária brasileira na vanguarda da inovação. “Estamos investindo em um futuro mais sustentável, com animais de alta qualidade que se adaptam melhor aos desafios climáticos do País”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa responde a uma demanda crescente do mercado por sistemas de produção mais eficientes e com maior atenção ao bem-estar animal, o que reforça a competitividade da carne Angus tanto no Brasil quanto no exterior.
Para o presidente da Associação, José Paulo Cairoli, o nascimento dos bezerros editados representa um marco na história da raça. “Esse resultado simboliza anos de trabalho em prol da evolução genética do Angus. Protagonizar essa inovação é motivo de orgulho para toda a cadeia produtiva”, destacou.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio
Published
3 horas agoon
8 de junho de 2026By
Da Redação
As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.
Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.
China responde por mais da metade das exportações brasileiras
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.
Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.
O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.
Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores
Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.
Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.
Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.
Carne in natura domina receita das exportações
A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.
O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.
Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.
O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.
Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira
A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.
Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.
Perspectivas seguem positivas para o restante do ano
Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.
A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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