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Brasil realiza os primeiros cursos de avaliação de café baseados no ‘Coffee Value Assessment’

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A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Specialty Coffee Association (SCA), realizou, entre os dias 10 e 13 de setembro, no LuccaLab, em Curitiba (PR), os primeiros cursos de formação no Brasil sobre o Coffee Value Assessment (CVA). Este sistema de avaliação de café, lançado recentemente pela SCA, vai além dos métodos tradicionais, incorporando novos critérios como sustentabilidade na produção e análise extrínseca, atendendo às expectativas de consumidores e importadores.

De acordo com Luiz Roberto Saldanha, conselheiro da BSCA e da SCA, o CVA representa uma nova abordagem na avaliação do café, integrando diferentes dimensões. “O sistema traz inovações ao dividir as avaliações em etapas descritivas e afetivas, evitando o viés cognitivo que ocorre quando ambas são realizadas simultaneamente”, explica Saldanha. A grande novidade, segundo ele, é a inclusão de atributos extrínsecos, como identidade geográfica, certificações e histórico dos produtores, que são fundamentais para atender às preferências do mercado consumidor.

Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA, ressaltou que o novo método foi desenvolvido para substituir o tradicional protocolo de cupping, oferecendo uma avaliação mais inclusiva e adaptável aos diferentes contextos de consumo. “O CVA abrange quatro tipos de avaliação: física, descritiva, afetiva e extrínseca, proporcionando uma análise mais completa dos atributos dos cafés”, destaca Estrela.

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Os primeiros cursos no Brasil reuniram baristas, torrefadores, produtores, degustadores e exportadores, que tiveram uma imersão no novo sistema. Para Saldanha, a adoção do CVA no país fortalecerá a comunicação dos atributos dos cafés brasileiros, tanto no mercado interno quanto no externo. O LuccaLab, principal escola da SCA na América do Sul, foi o anfitrião dos treinamentos e já se prepara para expandir o uso do CVA na região.

Georgia Franco de Souza, fundadora do Lucca Cafés Especiais, e sua filha, Carolina Franco de Souza, participaram dos cursos e acreditam que o CVA é um marco para o setor. “O protocolo é mais intuitivo, facilitando tanto o ensino quanto o aprendizado, sem perder os critérios técnicos de qualidade”, afirma Georgia.

Os treinamentos foram conduzidos por Sylvia Gutierrez, renomada instrutora da SCA e coordenadora do Cup of Excellence. A metodologia do CVA está sendo adotada globalmente e promete transformar a forma como os cafés são avaliados e comercializados, aproximando produtores e consumidores.

Principais destaques do CVA:

  • Foco no consumidor: Conecta as preferências dos consumidores à avaliação sensorial do café, reconhecendo variações de gosto e contexto de consumo.
  • Abordagem abrangente: Valoriza diferentes aspectos do café, além dos atributos sensoriais.
  • Atributos ajustáveis: Permite maior flexibilidade na escolha dos critérios de avaliação, adaptando-se a diferentes mercados.
  • Análise de valor: Foca na percepção de valor do café, além de suas características sensoriais.
  • Diversidade de métodos: Avalia cafés preparados em diferentes métodos de extração, ampliando a abrangência da análise.
  • Transparência: Promove clareza em todas as etapas da avaliação, conectando produtores, compradores e consumidores.
  • Referências sensoriais locais: Utiliza paladares regionais como referência para facilitar o treinamento sensorial dos profissionais.
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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Incertezas sobre El Niño freiam vendas antecipadas de milho em Mato Grosso para a safra 2026/27

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A comercialização antecipada da safra de milho 2026/27 em Mato Grosso segue abaixo do ritmo histórico. Segundo levantamento divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com base em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os produtores haviam negociado até maio apenas 4,77% da produção estimada para o próximo ciclo.

O percentual representa pouco mais da metade da média histórica para o período, que é de 9,1%, e também fica abaixo do registrado no mesmo momento da safra anterior, quando as vendas antecipadas já alcançavam 5,6% da produção prevista.

Apesar do avanço mensal de 2,08 pontos percentuais, o mercado segue cauteloso diante das incertezas relacionadas ao comportamento climático para o segundo semestre de 2026.

Possível El Niño preocupa produtores

A principal razão para a lentidão nas negociações está associada às previsões climáticas que apontam para a possível formação de um fenômeno El Niño de maior intensidade.

Segundo especialistas, um evento climático mais forte pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras do Brasil, impactando diretamente o calendário agrícola e a produtividade das lavouras.

De acordo com a analista de mercado do Imea, Milena Bezerra, a preocupação está relacionada principalmente aos reflexos sobre a safra de soja, que influencia diretamente a janela de plantio do milho segunda safra.

Caso ocorram atrasos no início das chuvas ou volumes abaixo do esperado durante a semeadura da soja em Mato Grosso, prevista para começar em setembro, o plantio do milho poderá ser postergado, reduzindo o período ideal de desenvolvimento da cultura.

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Estratégias para reduzir riscos podem afetar o milho

Diante das incertezas climáticas, alguns produtores já avaliam alternativas para aumentar a segurança das lavouras de soja.

Entre as estratégias consideradas está a adoção de cultivares de ciclo mais longo e maior tolerância a períodos de estiagem. No entanto, essa decisão pode gerar impactos indiretos sobre o milho.

Segundo o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, o uso de variedades de soja com ciclo mais extenso tende a atrasar a colheita da oleaginosa, reduzindo a janela disponível para o plantio do milho safrinha e aumentando os riscos produtivos.

Esse cenário tem levado muitos agricultores a postergar decisões de comercialização para a safra futura, aguardando maior clareza sobre as condições climáticas dos próximos meses.

Preços estáveis não impulsionam negócios

Mesmo com preços relativamente estáveis, o avanço das vendas antecipadas continua limitado.

Dados do Imea mostram que a saca de milho para entrega na safra 2026/27 foi negociada em média a R$ 45,39 em maio, praticamente sem variação em relação ao mês anterior.

A estabilidade nas cotações, aliada às incertezas climáticas, reduz o interesse dos produtores em travar preços neste momento, mantendo o ritmo de comercialização abaixo do esperado.

Safra 2025/26 mantém ritmo de vendas acima do ano passado

Enquanto os negócios da safra futura avançam lentamente, a comercialização da produção 2025/26 segue em ritmo mais acelerado.

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Até o final de maio, os produtores mato-grossenses haviam negociado 47,32% da produção estimada para o ciclo atual, avanço de 1,48 ponto percentual em relação ao levantamento anterior.

O percentual supera os 46,30% registrados no mesmo período do ano passado, embora ainda permaneça abaixo da média histórica de 53,09%.

Segundo a Famato, o avanço da colheita e o aumento da disponibilidade do cereal no mercado têm favorecido as negociações, ao mesmo tempo em que ampliam a pressão sobre os preços.

Mato Grosso caminha para mais uma grande safra

O Imea estima que Mato Grosso deverá produzir 53,35 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26.

Embora o volume represente redução de 3,76% em relação ao recorde alcançado no ciclo anterior, o estado segue consolidado como o maior produtor de milho do Brasil.

Com o avanço da colheita, a expectativa é de aumento da oferta para os mercados interno e externo, reforçando a importância do cereal mato-grossense no abastecimento nacional e nas exportações brasileiras.

Diante das incertezas climáticas e do potencial impacto do El Niño sobre a próxima temporada, produtores permanecem atentos ao mercado e às previsões meteorológicas antes de ampliar os compromissos de venda da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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