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Brasil possui 74 milhões de hectares de vegetação nativa preservada além do exigido por lei

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O Brasil dispõe de aproximadamente 74 milhões de hectares de vegetação nativa preservada a mais do que o exigido por lei, em Reservas Legais de propriedades rurais. Essas áreas são passíveis de recebimento de pagamentos por serviços ambientais. Contudo, ainda há um déficit de 21 milhões de hectares em imóveis rurais que precisam passar por ações de restauração para regularização ambiental. Esses números foram apresentados na terceira edição do Panorama do Código Florestal, estudo realizado pelo Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De acordo com Felipe Nunes, pesquisador associado do CSR/UFMG e coautor do estudo, quando a propriedade possui percentual de vegetação preservada acima do exigido, o Código Florestal permite a emissão de uma cota de reserva ambiental, que possibilita a participação em mercados de ativos florestais ou em pagamentos por serviços ambientais.

Excedentes de vegetação nativa e áreas com necessidade de restauração

A pesquisa revela que a Bahia lidera com mais de 10 milhões de hectares de excedente de vegetação nativa preservada, seguida por Mato Grosso, que possui entre 5,5 milhões e 7,3 milhões de hectares. Rondônia é o estado com menor área de preservação excedente, com cerca de 80 mil hectares.

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Em relação à restauração, entre 16 milhões e 19 milhões de hectares estão em Reservas Legais, enquanto entre 3 milhões e 3,4 milhões de hectares são de Áreas de Preservação Permanente (APPs) que necessitam ser recuperadas. Rondônia é o estado com o maior déficit proporcional em Reservas Legais, com 12,1%, seguido por Pará (9,51%) e Mato Grosso (7,6%). Em APPs, o Rio de Janeiro lidera o déficit, com 2% da área total de imóveis.

Desmatamento e sobreposição de cadastros

A pesquisa também apontou que, desde 2008, 26% do desmatamento em propriedades rurais ocorreu em APPs ou em áreas com Reserva Legal abaixo da porcentagem mínima estabelecida. Os estados com maior índice de desmatamento são Rondônia, Acre, Pará, Roraima e Amazonas.

Além disso, houve um aumento nas sobreposições de cadastros ambientais rurais com outras categorias fundiárias, especialmente em terras públicas sem destinação. Na Amazônia Legal, as sobreposições aumentaram de 12,4% para 18,3% no último ano, com 13.433 registros sobrepostos a unidades de conservação, 2.360 a terras indígenas e 206.495 a terras públicas sem destinação.

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Deficiências na implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR)

O estudo ressalta que a ineficiência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) tem permitido declarações fraudulentas, o que favorece a ocultação de desmatamento ilegal, déficits de reserva legal e até mesmo a grilagem de terras. A falta de um sistema adequado e integrado contribui para essas falhas, já que o software utilizado para a gestão do CAR é obsoleto e não atende às demandas do Brasil.

Apesar das tecnologias e soluções já desenvolvidas por instituições como o CSR/UFMG, o atual sistema não realiza verificações abrangentes e tem se mostrado incapaz de integrar as bases de dados necessárias. Isso impacta negativamente a implementação de mecanismos importantes para a regularização ambiental, como o Programa de Regularização Ambiental (PRA), o Mercado de Cota de Reserva Ambiental (CRA) e a rastreabilidade agrícola, que se torna cada vez mais exigida pelos mercados internacionais.

O estudo alerta para a necessidade urgente de modernização e integração do sistema de cadastro para que o Brasil possa avançar no cumprimento da legislação ambiental e melhorar o monitoramento e a regularização das propriedades rurais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho recua no Brasil, Chicago opera estável e B3 fecha sem direção única em meio a oferta elevada

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Mercado do milho no Brasil acumula queda de 3,5% em junho com forte pressão da oferta

O mercado brasileiro de milho mantém trajetória de baixa ao longo de junho, pressionado principalmente pelo avanço da safrinha e pelo nível elevado dos estoques de passagem.

Na praça de Campinas (SP), referência para o Centro-Sul, o milho foi negociado a R$ 62,00 por saca de 60 kg nesta quarta-feira (24), reforçando o movimento de recuo observado ao longo do mês. A média parcial de junho ficou em R$ 63,06 por saca, queda de 3,5% frente a maio, quando o valor médio foi de R$ 65,35.

Segundo dados de mercado, o principal fator de pressão segue sendo a combinação entre oferta abundante e demanda interna sem força suficiente para absorver o volume disponível, o que mantém compradores mais cautelosos nas negociações.

A safrinha 2026 é estimada em 112,5 milhões de toneladas, segundo projeções do setor, configurando-se como uma das maiores já registradas no país. O cenário reforça a expectativa de excedente estrutural no curto e médio prazo, com impacto direto sobre a formação de preços.

No mercado físico, a liquidez permanece baixa. Produtores relatam resistência em aceitar valores abaixo do custo de produção, enquanto compradores atuam de forma mais seletiva, aguardando possíveis novas quedas ou oportunidades pontuais.

Chicago opera em estabilidade com equilíbrio entre demanda e clima favorável

No mercado internacional, os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a quinta-feira (25) próximos da estabilidade, refletindo um cenário de equilíbrio entre fatores altistas e baixistas.

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Os vencimentos mais negociados apresentaram variações mistas: julho/26 com leve queda, setembro/26 estável e contratos mais longos com pequenas altas, indicando ajuste técnico após sessões recentes de volatilidade.

Entre os fatores de suporte, destaca-se a demanda externa. O México realizou compras de aproximadamente 100 mil toneladas de milho dos Estados Unidos, parte destinada ao atual ciclo comercial e parte para a safra 2026/27, segundo dados do USDA.

Por outro lado, o clima favorável no cinturão produtor norte-americano segue limitando movimentos de alta. A maioria das lavouras permanece em boas condições, o que sustenta expectativas de oferta confortável e reduz pressão sobre os preços.

B3 inicia sessão em leve queda com influência externa e fundamentos domésticos

Na Bolsa Brasileira (B3), o milho também começou o pregão desta quinta-feira com viés levemente negativo, acompanhando o comportamento mais contido do mercado internacional.

Por volta das 09h, os contratos futuros operavam entre R$ 63,97 e R$ 73,10. O vencimento julho/26 recuava para R$ 63,97, enquanto setembro/26 e janeiro/27 também registravam leves baixas, refletindo cautela dos investidores.

Na sessão anterior, o mercado havia encerrado de forma mista. O suporte inicial veio da valorização do dólar, mas perdeu força ao longo do dia com a queda das cotações em Chicago e o avanço da colheita da safrinha no Brasil.

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Relatos de produtividade irregular em algumas regiões, especialmente em Mato Grosso, adicionaram volatilidade ao mercado. Ao mesmo tempo, chuvas em áreas produtoras atrasaram os trabalhos de colheita e ajudaram a limitar quedas mais intensas.

No mercado físico regional, a liquidez segue reduzida. No Sul do país, compradores abastecidos mantêm negociações pontuais. No Paraná e em Santa Catarina, a diferença entre ofertas e pedidos continua travando acordos. Em Mato Grosso do Sul, a entrada gradual da segunda safra pressiona os preços, embora a demanda da indústria de bioenergia siga como fator de sustentação pontual.

Panorama geral: oferta elevada mantém mercado sob pressão no curto prazo

O mercado global de milho entra no segundo semestre com predominância de fundamentos baixistas, especialmente no Brasil, onde a safrinha volumosa reforça o cenário de superoferta.

Enquanto Chicago oscila de forma lateral, sustentada por exportações pontuais e clima favorável, a B3 reflete o ajuste entre fatores externos e a realidade doméstica de ampla disponibilidade.

No curto prazo, o comportamento dos preços deve continuar condicionado ao ritmo de colheita, ao apetite das exportações e à capacidade de absorção do mercado interno, especialmente do setor de proteína animal e da indústria de etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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