AGRONEGÓCIO
Brasil pode perder liderança na exportação de milho em 2024, aponta Biond Agro
Publicado em
29 de agosto de 2024por
Da Redação
O Brasil, que em 2023 conquistou a posição de maior exportador de milho do mundo, superando os Estados Unidos, poderá ver essa liderança ameaçada em 2024. Essa marca histórica, atingida apenas duas vezes – em 2013 e no ano passado – foi resultado de um recorde de exportações que ultrapassou 55 milhões de toneladas de milho. Esse desempenho notável foi impulsionado por uma safra excepcional, uma demanda externa crescente e a competitividade do milho brasileiro.
Entretanto, as perspectivas para 2024 são menos otimistas. As estimativas sugerem uma queda acentuada nas exportações brasileiras de milho, influenciada por diversos fatores adversos, como a redução na produção nacional e o fortalecimento da concorrência no mercado internacional.
“A expectativa para 2024 é que o Brasil exporte entre 35 a 38 milhões de toneladas de milho, uma queda expressiva em relação ao ano anterior. A combinação de uma menor produção doméstica, a recuperação da produção nos Estados Unidos e o retorno de grandes exportadores como Argentina e Ucrânia estão reduzindo nossa competitividade no mercado global”, explica Enrico Manzi, country manager da Biond Agro.
Fatores que influenciam a queda nas exportações brasileiras
Para entender os motivos dessa possível retração em 2024, é importante relembrar os fatores que alavancaram a liderança brasileira em 2023. Naquele ano, a safra recorde de milho no Brasil, que ultrapassou 130 milhões de toneladas segundo a Conab, foi favorecida por condições climáticas ideais e técnicas agrícolas avançadas. Além disso, a crescente demanda global, especialmente de mercados como China e União Europeia, e problemas na produção de milho nos EUA – causados por condições climáticas adversas e pelo redirecionamento de parte da produção para biocombustíveis – posicionaram o Brasil como líder nas exportações do grão.
No entanto, para 2024, as exportações de milho do Brasil devem enfrentar um cenário diferente:
- Redução da Produção: As previsões indicam uma diminuição na produção de milho no Brasil em 2024. Condições climáticas desfavoráveis e uma possível redução na área plantada podem levar a uma produção de cerca de 115 milhões de toneladas, segundo estimativas da Conab.
- Recuperação da Produção nos EUA: Espera-se que os Estados Unidos recuperem sua produção de milho em 2024, com previsões de uma safra abundante, impulsionada pela melhoria das condições climáticas e pelo aumento na área plantada. De acordo com o USDA, cerca de 385 milhões de toneladas podem ser colhidas nos EUA, o que pode diminuir a competitividade do milho brasileiro.
- Competição Internacional: Outros grandes exportadores de milho, como Argentina e Ucrânia, que enfrentaram dificuldades em 2023, devem retornar ao mercado com força em 2024, aumentando a concorrência e pressionando os volumes exportados pelo Brasil.
- Menor Demanda Global: Uma possível desaceleração econômica global pode reduzir a demanda por commodities agrícolas, incluindo o milho. As incertezas econômicas, com previsões de menor crescimento em grandes economias como China e União Europeia, também podem impactar negativamente as exportações brasileiras.
“Até agosto, o Brasil exportou cerca de 16,5 milhões de toneladas de milho, em comparação com 24,5 milhões em 2023, 18,7 milhões em 2022 e 17,65 milhões na média dos últimos três anos, o que faz com que as estimativas finais de exportação fiquem entre 35 a 38 milhões de toneladas”, comenta Manzi.
Como mitigar os impactos nas receitas dos produtores brasileiros
Embora o consumo interno de milho no Brasil esteja em crescimento, impulsionado principalmente pela demanda para produção de etanol, o aumento da oferta global, combinado com a queda nas exportações, pode continuar pressionando os preços do milho no mercado interno.
O ano de 2024 apresenta desafios significativos para os produtores de milho no Brasil. A menor competitividade frente a países como EUA e Argentina, juntamente com a pressão sobre os preços, exigem uma adaptação rápida às mudanças de mercado e uma abordagem estratégica.
“Nesse cenário desafiador, é essencial que os produtores rurais contem com parceiros estratégicos que ofereçam estratégias personalizadas de comercialização e apoio no processo de venda da produção. A Biond está bem posicionada para ajudar os produtores a enfrentar essas incertezas, oferecendo as ferramentas e o suporte necessários para continuarem a prosperar no mercado”, finaliza Enrico Manzi.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026
Published
41 minutos agoon
29 de junho de 2026By
Da Redação
A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.
O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.
Produção recorde fortalece oferta brasileira
Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.
Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.
Exportações seguem em ritmo acelerado
As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.
Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.
Mercado internacional influencia preços
Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.
A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.
Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.
A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.
Esmagamento cresce com margens mais atrativas
Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.
Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.
No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.
Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar
Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.
O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.
Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.
Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.
Perspectivas para o produtor
Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.
A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.
No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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