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Agronegócio Brasileiro em Risco: Os Setores Mais Vulneráveis a Possíveis Tarifas de Trump

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A política comercial dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump tem gerado apreensão no cenário internacional. Desde o início de seu mandato, o presidente norte-americano implementou tarifas sobre produtos importados do México, Canadá e China, além de sinalizar possíveis restrições à União Europeia. Para o Brasil, o impacto ainda não é certo, mas há preocupações sobre eventuais barreiras tarifárias, especialmente no agronegócio.

Brasil e Estados Unidos são, ao mesmo tempo, concorrentes e parceiros comerciais em diversos segmentos do setor agropecuário. Em 2024, o país norte-americano foi o segundo maior destino das exportações do agro brasileiro, atrás apenas da China, absorvendo 9,43 milhões de toneladas de produtos, com receita de US$ 12,09 bilhões.

Apesar de ainda não haver medidas concretas contra o Brasil, o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), alerta para o risco de um possível “tarifaço”. “Acho que vai ter [tarifa]. É natural que aconteça, é perfil dos americanos o protecionismo ao mercado deles. Vamos ter que enfrentar”, afirmou.

Caso as tarifas sejam impostas, alguns setores do agronegócio nacional poderão ser severamente impactados. Confira os principais segmentos que podem sofrer com essa política protecionista, com base nos valores exportados em 2024.

1. Produtos Florestais

O setor de produtos florestais, que inclui madeira, celulose e papel, foi o mais lucrativo nas exportações para os Estados Unidos em 2024. A receita alcançou US$ 3,73 bilhões, representando 30,88% do total, com um volume exportado de 4,9 milhões de toneladas.

A celulose é o principal produto do segmento, respondendo por 3,02 milhões de toneladas exportadas e gerando uma receita de US$ 1,68 bilhão, equivalente a 13,94% do total. Outros produtos importantes são a madeira perfilada, que registrou US$ 480,94 milhões em exportações, e o papel, que somou US$ 267,03 milhões.

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2. Café

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, tem nos Estados Unidos seu principal comprador. Em 2024, o país norte-americano foi destino de 16,1% do volume exportado, totalizando 471,53 mil toneladas, o equivalente a 7,85 milhões de sacas de 60 quilos.

O café respondeu por 5% do volume total embarcado pelo agronegócio brasileiro para os EUA, gerando US$ 2,07 bilhões em receita (17,16% do faturamento total do setor). O café verde lidera as exportações, com 453,23 mil toneladas enviadas ao mercado norte-americano. Além disso, o café solúvel rendeu US$ 172,88 milhões e o café torrado e moído, US$ 5,46 milhões.

3. Carnes

O setor de carnes aparece como o terceiro mais relevante nas exportações para os Estados Unidos. Em 2024, foram embarcadas 248,5 mil toneladas, o que representou 2,63% do total enviado ao país. O faturamento atingiu US$ 1,4 bilhão, representando 11,65% da receita total.

A carne bovina in natura foi o principal produto exportado, com 189,24 mil toneladas e uma receita de US$ 942,73 milhões. A carne bovina industrializada também teve participação expressiva, com 38,08 mil toneladas e US$ 393,55 milhões em faturamento. Já a carne suína in natura somou 18,43 mil toneladas exportadas, com receita de US$ 59,4 milhões.

4. Suco de Laranja

O segmento de sucos ocupou o quarto lugar na pauta de exportações do agro brasileiro para os EUA em 2024. O volume embarcado foi de 1,32 milhão de toneladas, representando 14,06% do total, com um faturamento de US$ 1,19 bilhão (9,87% da receita total).

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O suco de laranja é o grande destaque desse setor, uma vez que os Estados Unidos, tradicionalmente um grande produtor da fruta, enfrentam dificuldades devido à incidência de doenças como o greening, que compromete a produção na Flórida. Com isso, o Brasil passou a ocupar maior espaço no mercado norte-americano, exportando 1,21 milhão de toneladas do produto e gerando um faturamento de US$ 1,04 bilhão.

5. Complexo Sucroalcooleiro

O setor sucroalcooleiro, que engloba açúcar e etanol, foi o quinto mais relevante nas exportações do agro brasileiro para os Estados Unidos em 2024. O volume exportado foi de 1,38 milhão de toneladas, representando 14,65% do total, com receita de US$ 794,28 milhões (6,57% do faturamento).

O açúcar bruto lidera o segmento, com 883,36 mil toneladas exportadas, gerando US$ 442,02 milhões em receita. Em seguida, o álcool etílico teve embarques de 247,77 mil toneladas, com faturamento de US$ 181,82 milhões. Já o açúcar refinado totalizou 283,58 mil toneladas exportadas, com receita de US$ 164,25 milhões.

Cenário de Incerteza e Precaução

Ainda que o Brasil não tenha sido alvo direto da política protecionista de Trump até o momento, especialistas alertam que o país deve permanecer atento. Medidas comerciais norte-americanas podem impactar significativamente setores estratégicos do agronegócio brasileiro, especialmente aqueles que têm forte dependência do mercado dos EUA.

Diante desse cenário, o setor agropecuário brasileiro precisará reforçar estratégias de diversificação de mercados e negociar acordos que minimizem os impactos de possíveis tarifas, garantindo a competitividade no comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

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A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

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Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

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A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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