AGRONEGÓCIO

Brasil pode enfrentar impactos indiretos na guerra comercial de Trump

Publicado em

Enquanto o Brasil enfrenta desafios econômicos internos, sua posição comercial com os Estados Unidos pode protegê-lo de ataques diretos da política protecionista de Donald Trump. Contudo, a possibilidade de danos colaterais não deve ser descartada.

Poucos países foram tão afetados pelo aumento do dólar e dos rendimentos dos títulos norte-americanos quanto o Brasil. Apesar disso, o histórico comercial brasileiro oferece certa proteção: desde 2007, o país não registra superávit comercial com os Estados Unidos. Essa relação comercial equilibrada torna improvável que o Brasil seja alvo prioritário nas ações protecionistas da gestão Trump.

Ainda assim, o Brasil se encontra em um momento econômico delicado. A moeda brasileira está em seu ponto mais fraco da história, e as condições financeiras são as mais restritivas desde 2016, de acordo com análises do Goldman Sachs. Com rendimentos reais acima de 10%, o mais alto em mais de 15 anos, o cenário interno é de pressão.

Intervenções econômicas e fragilidade cambial

Para conter a desvalorização do real, o Banco Central brasileiro intensificou suas ações, elevando a taxa de juros em 100 pontos-base e prometendo novos aumentos. Além disso, foram gastos US$ 28 bilhões em reservas cambiais apenas em dezembro, o que representa a maior redução em 19 anos.

Leia Também:  Começa a colheita de uma safra recorde de algodão em 2025

Apesar de um saldo fiscal primário saudável, o peso crescente dos juros prejudica as finanças públicas. Em paralelo, investidores estrangeiros demonstraram preocupação, retirando US$ 12,6 bilhões líquidos de fundos de dívida e ações em dezembro, uma das maiores saídas desde 1995.

Relação comercial com os EUA: uma exceção entre emergentes

Entre os grandes mercados emergentes, o Brasil ocupa uma posição singular. Em 2023, foi o único entre os 20 principais parceiros comerciais dos EUA que não exportou mais do que importou. Apesar de um superávit comercial geral de US$ 74,6 bilhões no ano passado, o saldo bilateral com os Estados Unidos permaneceu estável.

Esse histórico contrasta com países como China, Alemanha e México, que acumulam grandes superávits com os EUA e, consequentemente, estão na mira de Trump por supostas práticas comerciais “injustas”.

Riscos de tensões indiretas

Ainda que o Brasil não seja alvo direto, há margem para conflitos. Diferenças ideológicas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de atritos sobre o controle de mídias sociais, podem alimentar tensões.

Além disso, declarações de Trump criticando os países do BRICS e possíveis tarifas disruptivas ao comércio global trazem riscos ao Brasil. Especialistas alertam que uma desaceleração econômica global, especialmente na China – maior parceira comercial brasileira – poderia resultar em sérias consequências para a economia brasileira.

Leia Também:  Produção de Grãos na China Registra Crescimento em 2024
Lições do passado e incertezas futuras

A primeira gestão de Trump trouxe impactos mistos ao Brasil. Por um lado, tarifas norte-americanas fizeram a China reduzir sua dependência de produtos agrícolas dos EUA, favorecendo exportadores brasileiros. Em 2016, 40% da soja importada pela China vinham dos EUA, proporção que caiu para 18% no ano passado, enquanto a participação do Brasil cresceu para 74%.

Por outro lado, a China poderia ceder às pressões de Trump, aumentando suas importações agrícolas dos EUA, o que impactaria negativamente o Brasil. Com a fragilidade econômica atual, qualquer instabilidade no comércio global ou medidas protecionistas internas poderiam agravar a situação brasileira, prejudicando as perspectivas de crescimento em 2025.

O Brasil permanece em alerta: sua economia não possui a mesma resiliência que a dos Estados Unidos para enfrentar um período de incertezas econômicas globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Estado se aproxima de 1 milhão de toneladas e 1/4 do algodão brasileiro

Published

on

A Bahia caminha para a maior safra de algodão de sua história, com produção estimada em 986,4 mil toneladas de pluma no ciclo 2025/26, crescimento de 17% sobre a temporada anterior. O volume representa quase 24% da safra brasileira prevista pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e mantém o estado na segunda posição nacional, atrás de Mato Grosso.

O destaque está no rendimento das lavouras. Em aproximadamente 418 mil hectares, a produtividade estimada chega a 2.360 quilos de pluma por hectare, cerca de 14% acima da média brasileira calculada com os dados da Abrapa. São aproximadamente 284 quilos adicionais por hectare, uma diferença que ajuda a distribuir os custos de produção por um volume maior de fibra.

Para o Brasil, a associação apresentou em setembro uma estimativa de 4,144 milhões de toneladas, cultivadas em 1,996 milhão de hectares. Mato Grosso lidera com produção projetada em 2,74 milhões de toneladas. Juntos, os dois estados concentram aproximadamente 90% do algodão nacional.

O resultado baiano aumenta a oferta em um momento de maior atenção à comercialização. Os preços da pluma continuavam em queda no início de outubro, depois do recuo registrado em setembro, conforme acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Para o produtor, a produtividade maior ajuda na conta, mas o ganho final depende também do preço recebido, dos custos e da qualidade da fibra.

Leia Também:  Produção de Grãos na China Registra Crescimento em 2024

A retirada do algodão da lavoura é apenas uma etapa desse processo. Segundo relatório da Abrapa divulgado em 9 de outubro, a colheita brasileira havia atingido 99% até 25 de setembro, enquanto o beneficiamento estava em 49%. É nessa operação que a fibra é separada do caroço e preparada para venda. Os volumes estaduais ainda estavam sujeitos à consolidação.

O mercado externo será importante para absorver a produção. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Brasil exportou 3,37 milhões de toneladas de algodão, recorde e avanço de 19% sobre o ano comercial anterior. Esse calendário é diferente do ciclo agrícola e inclui a comercialização de algodão colhido anteriormente.

Dentro do país, a indústria enfrenta dificuldades para ampliar o consumo da fibra. Dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) à Câmara Setorial do Algodão, em setembro, apontaram queda de 1,9% na produção têxtil acumulada em 12 meses. A fabricação de vestuário recuou 4,2%, enquanto as importações de roupas cresceram 50,3% entre janeiro e agosto de 2026.

Leia Também:  Começa a colheita de uma safra recorde de algodão em 2025

Para a Bahia, ampliar o escoamento pelo Porto de Salvador é uma das alternativas discutidas pelo setor. A rota pode reduzir a concentração dos embarques em Santos, mas sua vantagem depende do custo do frete, da disponibilidade de contêineres e da regularidade das linhas marítimas.

A qualidade também pesa na negociação. Compradores avaliam características como comprimento, resistência e uniformidade da fibra, que interferem na fabricação dos fios. Uma colheita volumosa precisa chegar ao beneficiamento e à armazenagem em boas condições para preservar seu valor comercial.

O avanço das lavouras baianas fortalece a participação do estado no mercado nacional. Com a safra próxima de 1 milhão de toneladas, o desafio agora é transformar o rendimento obtido no campo em vendas que remunerem o produtor e sustentem o próximo plantio.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA