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Brasil é peça-chave do supermercado global agrícola e reforça liderança no comércio mundial de alimentos

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O Brasil consolidou sua posição como uma das maiores potências agropecuárias do planeta, mas a tradicional definição de “celeiro do mundo” pode não representar com precisão o papel desempenhado pelo país na segurança alimentar global. A avaliação é do professor de Agronegócio Global do Insper, Marcos S. Jank, que defende uma interpretação mais alinhada à dinâmica atual do comércio internacional de alimentos.

Segundo o especialista, embora o Brasil seja um dos principais produtores e exportadores agrícolas do mundo, o conceito de “supermercado global” descreve de forma mais adequada sua participação nas cadeias agroalimentares internacionais.

Brasil responde por 6% da produção agropecuária mundial

Os números mostram que o Brasil é responsável por aproximadamente 6% da produção agropecuária global em termos de volume calórico. O país ocupa posição de destaque, mas permanece atrás de grandes produtores como China, que responde por 16% da produção mundial, Estados Unidos, com 11%, e Índia, com 9%.

No comércio internacional, entretanto, o protagonismo brasileiro é ainda mais evidente. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram cerca de US$ 170 bilhões, representando aproximadamente 9% de todo o comércio agrícola global. O desempenho coloca o Brasil como o segundo maior exportador agropecuário do mundo e líder em diversas cadeias de commodities agrícolas.

Segurança alimentar reduz dependência entre países

De acordo com Jank, a ideia de um único país abastecendo o planeta não corresponde à realidade atual. A segurança alimentar é uma prioridade estratégica para as nações, que buscam manter elevada capacidade de produção interna para reduzir dependências externas.

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Atualmente, apenas 22% da produção agropecuária mundial é destinada ao comércio internacional. Os outros 78% permanecem nos países produtores para atender ao consumo doméstico.

No caso brasileiro, aproximadamente 60% da produção agrícola permanece no mercado interno, enquanto cerca de 40% é direcionada às exportações, considerando a produção convertida em equivalente calórico.

Esse cenário demonstra que a maior parte dos alimentos produzidos globalmente é consumida dentro das próprias fronteiras nacionais, reforçando a importância da autossuficiência alimentar.

Brasil complementa déficits globais de oferta

A China ilustra bem essa dinâmica. Apesar de ser o maior produtor, consumidor e importador de alimentos do mundo, o país importa cerca de 15% do que consome. A principal exceção é a soja, cuja dependência externa supera 80%.

Nesse contexto, o Brasil desempenha papel fundamental ao fornecer produtos agrícolas capazes de suprir desequilíbrios entre oferta e demanda em diferentes regiões do planeta. O país se destaca como fornecedor confiável de commodities em diversas cadeias agroindustriais, incluindo soja, milho, carnes, açúcar, café, algodão e celulose.

A combinação de escala produtiva, disponibilidade de recursos naturais e tecnologia tem permitido ao agronegócio brasileiro ampliar sua relevância estratégica nos mercados internacionais.

Presença brasileira está nos alimentos consumidos em mais de 190 países

Embora os consumidores estrangeiros raramente encontrem marcas brasileiras nas prateleiras dos supermercados, a participação do Brasil na alimentação mundial é muito maior do que aparenta.

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Mais de 190 países importam commodities produzidas no Brasil. Esses produtos são processados por indústrias locais e transformados em milhares de alimentos, bebidas e itens de consumo final comercializados em supermercados, restaurantes, hotéis, cafeterias, açougues e serviços de alimentação.

Na prática, ingredientes e matérias-primas brasileiras estão presentes em inúmeros produtos consumidos diariamente ao redor do mundo, mesmo quando sua origem não é identificada pelo consumidor final.

Brasil fortalece posição como pilar do abastecimento global

A análise reforça que o papel do Brasil transcende a imagem tradicional de fornecedor de matérias-primas agrícolas. O país ocupa posição central nas cadeias globais de abastecimento e contribui diretamente para a segurança alimentar de dezenas de mercados internacionais.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que o Brasil se aproxima mais da definição de um dos principais pilares do “supermercado global” de alimentos do que da ideia de “celeiro do mundo”, uma vez que a produção destinada ao consumo interno continua sendo prioridade para a maioria das nações.

Com crescimento contínuo da produtividade, ampliação dos mercados compradores e fortalecimento da competitividade internacional, o agronegócio brasileiro segue consolidando sua influência no abastecimento alimentar mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Paraná exporta mais lácteos do que importa, mas déficit financeiro persiste no setor em 2026

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A balança comercial de lácteos do Paraná apresentou desempenho contrastante nos primeiros quatro meses de 2026. Embora o Estado tenha exportado mais produtos lácteos do que importado em volume, o resultado financeiro do setor permaneceu negativo, refletindo a diferença de valor agregado entre os itens comercializados.

Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que acompanha o comportamento do mercado agropecuário paranaense.

Exportações superam importações em volume

Entre janeiro e abril deste ano, o Paraná embarcou ao mercado internacional cerca de 4,3 mil toneladas de produtos lácteos. O volume ficou praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, quando as exportações somaram 4,4 mil toneladas.

Já as importações apresentaram crescimento. No primeiro quadrimestre de 2026, o Estado adquiriu 3,1 mil toneladas de produtos lácteos do exterior, volume 9% superior ao registrado nos mesmos meses do ano passado.

O resultado garantiu ao Paraná um saldo positivo em quantidade comercializada, demonstrando a competitividade do setor no mercado internacional.

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Déficit financeiro alcança US$ 3,3 milhões

Apesar do superávit em volume, a balança comercial do segmento lácteo fechou o período com resultado negativo em valor financeiro.

Segundo o levantamento do Deral, as importações somaram US$ 11,4 milhões entre janeiro e abril de 2026, enquanto as exportações geraram receita de US$ 8,1 milhões. Com isso, o déficit do setor alcançou aproximadamente US$ 3,3 milhões no acumulado do quadrimestre.

A diferença evidencia que o Paraná continua adquirindo produtos de maior valor agregado no mercado externo, enquanto exporta itens com menor valor por tonelada.

Perfil dos produtos explica resultado

De acordo com a análise dos técnicos do Deral, a composição da pauta comercial é o principal fator responsável pelo desequilíbrio financeiro observado no setor.

Entre os produtos exportados pelo Paraná, a manteiga segue como um dos principais destaques da pauta de embarques. Embora tenha participação relevante nas vendas externas, trata-se de um produto com valor agregado inferior quando comparado a outros derivados lácteos.

Por outro lado, as importações são concentradas principalmente em queijos, categoria que apresenta valor mais elevado por tonelada comercializada.

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Essa diferença de preços faz com que o montante desembolsado nas compras internacionais seja superior à receita obtida com as exportações, mesmo quando o volume exportado supera o importado.

Desafio é ampliar valor agregado das exportações

O cenário reforça um dos principais desafios da cadeia leiteira paranaense: aumentar a participação de produtos industrializados e de maior valor agregado na pauta de exportação.

A diversificação dos derivados destinados ao mercado externo pode contribuir para melhorar o desempenho financeiro da balança comercial do setor, agregando renda à cadeia produtiva e fortalecendo a competitividade da indústria láctea estadual.

Enquanto isso, os números do primeiro quadrimestre mostram que o Paraná mantém presença relevante no comércio internacional de lácteos, mas ainda enfrenta o desafio de transformar o superávit em volume em resultados positivos também na geração de receita.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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