AGRONEGÓCIO
Novas Iniciativas de Pesquisa Visam Avançar a Cafeicultura no Amazonas
Publicado em
16 de outubro de 2024por
Da Redação
A Embrapa Amazônia Ocidental anuncia a aprovação de dois novos projetos de pesquisa voltados para a cafeicultura, com o objetivo de promover o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação nesse setor. Os projetos foram selecionados na Chamada “Embrapa/Consórcio Pesquisa Café Nº 22/2024 – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na Cafeicultura”.
Um dos projetos, intitulado “Biocafé: microbiota amazônica como fonte de bioinsumos para a cafeicultura”, tem como meta principal o desenvolvimento de bioinsumos baseados em microrganismos da biodiversidade amazônica, destinados ao controle de pragas e doenças. Liderado pelo pesquisador Aleksander Westphal Muniz, da Embrapa Amazônia Ocidental, o projeto conta com a colaboração dos pesquisadores Gilvan Ferreira, Rodrigo Berni, Luadir Gasparotto e a analista Cláudia Majolo. Em parceria com a Embrapa Rondônia, onde atuarão os pesquisadores José Nilton Medeiros Costa e Cesar Augusto Domingues Teixeira, também se associam ao projeto os pesquisadores Marcelo Curitiba, da Embrapa Café, e Marcos Rodrigues de Faria, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O foco da pesquisa será o controle biológico da cochonilha-da-roseta-do-café, além de doenças como Mancha Aureolada, Cercosporiose do Café e Rhizoctoniose do Café.
Além desse, a Embrapa Amazônia Ocidental também participa de outro projeto aprovado na mesma chamada do Consórcio Pesquisa Café. Intitulado “Redução de impactos negativos causados por estresse térmico no cultivo de Coffea canephora, pela seleção de clones adaptados às condições climáticas do norte da Amazônia Ocidental”, este projeto tem como objetivo validar variedades clonais de café canéfora adequadas para as condições edafoclimáticas do Amazonas e do cerrado de Roraima, bem como transferir tecnologias de manejo consolidadas para a cultura. Os resultados esperados incluem a extensão de recomendações sobre variedades clonais para cultivo nos dois estados e a capacitação de agentes multiplicadores sobre o manejo da cultura. A liderança é da pesquisadora Cássia Ângela Pedrozo, da Embrapa Roraima, com a participação de pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental, como Edson Barcelos, Luiz Antônio Cruz, Maria Geralda de Souza e Ronaldo de Morais, além de colaboradores da Embrapa Café e de empresas parceiras.
No total, foram aprovados 104 projetos nas duas chamadas do Consórcio Pesquisa Café, incluindo a chamada nº 21 (dedicada aos Bancos Ativos de Germoplasma de Café do Brasil) e a chamada geral nº 22 para projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltados para a cafeicultura brasileira. A contratação dos projetos está prevista para ser finalizada até o final deste ano, com a execução programada para iniciar em janeiro de 2025.
Este marco representa a primeira vez que projetos de pesquisa são aprovados nos estados do Amazonas e Roraima no âmbito do Consórcio Pesquisa Café. A Embrapa, no entanto, já realiza há 11 anos atividades de pesquisa e transferência de tecnologia para o cultivo de clones da espécie Coffea canephora no Amazonas, tendo introduzido inicialmente as variedades de café conilon BRS Ouro Preto e posteriormente os híbridos Robustas Amazônicos, ambas desenvolvidas para a região.
Sobre o Consórcio Pesquisa Café
O Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, também conhecido como Consórcio Pesquisa Café, é uma colaboração estratégica entre instituições que visam o avanço de tecnologias para todas as etapas da cadeia produtiva do café. Este consórcio é composto por diversas instituições, incluindo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito rural entra em nova era com exigência de monitoramento remoto e pressão sobre bancos
Published
7 minutos agoon
13 de maio de 2026By
Da Redação
A publicação da Resolução CMN nº 5.267/2025 marca uma mudança estrutural no modelo de fiscalização do crédito rural no Brasil. A nova regra amplia as exigências de monitoramento por sensoriamento remoto e impõe às instituições financeiras um novo padrão de controle técnico, rastreabilidade e conformidade nas operações agropecuárias.
Na avaliação de Vitor Ozaki, CEO da Picsel e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), a medida representa um divisor de águas para o setor, ao transformar o uso de imagens de satélite e inteligência geoespacial em requisito regulatório obrigatório para parte relevante das operações de crédito rural.
Segundo o Voto 78/2025-CMN, que fundamenta a resolução, a obrigatoriedade será aplicada, de forma cumulativa, às operações de custeio e investimento contratadas a partir de 1º de março de 2026, vinculadas a empreendimentos com área superior a 300 hectares.
O objetivo é ampliar o uso do sensoriamento remoto em operações nas quais a tecnologia já apresenta maior confiabilidade operacional, escala e redução de custos de observância para os agentes financeiros.
Nova regra amplia pressão operacional sobre instituições financeiras
Embora a exigência represente avanço regulatório, o sistema financeiro já vinha sendo preparado gradualmente para esse movimento. A Resolução nº 4.427/2015 autorizou o uso do sensoriamento remoto para fiscalização das operações de crédito rural e determinou o registro das coordenadas geodésicas dos empreendimentos financiados no Sicor.
Agora, porém, a principal mudança é que a tecnologia deixa de ser apenas uma possibilidade operacional e passa a integrar o conjunto obrigatório de mecanismos de fiscalização.
A medida amplia significativamente o peso operacional sobre bancos, cooperativas e demais instituições que atuam no financiamento do agronegócio brasileiro.
Risco de retração no crédito preocupa setor agropecuário
O cenário acende um alerta para possíveis impactos no acesso ao crédito rural, especialmente em regiões menos estruturadas tecnologicamente ou entre produtores com menor disponibilidade de dados georreferenciados.
O Plano Safra 2024/2025 anunciou R$ 400,59 bilhões para o crédito rural empresarial. No entanto, entre julho de 2024 e junho de 2025, o volume efetivamente concedido ficou em R$ 369,8 bilhões.
Para especialistas, a exigência de evidências técnicas contínuas pode tornar a concessão de crédito mais criteriosa e elevar os custos operacionais das instituições financeiras, aumentando o risco de retração em determinados perfis de operação.
A busca por maior transparência e rastreabilidade tende a fortalecer a governança do sistema, mas também pode ampliar desigualdades já existentes no acesso ao financiamento rural.
Tecnologia passa de diferencial competitivo para exigência regulatória
Com a nova resolução, o uso de dados satelitais, inteligência geoespacial e monitoramento digital deixa de ser um diferencial competitivo e passa a integrar o núcleo básico de conformidade regulatória.
Grandes instituições financeiras possuem maior capacidade para absorver investimentos em tecnologia e infraestrutura analítica. Já cooperativas de crédito e agentes menores tendem a depender de fornecedores externos especializados para atender às novas exigências do Conselho Monetário Nacional.
Esse movimento pode acelerar a concentração de mercado no sistema de crédito rural, historicamente sustentado pela diversidade de agentes financeiros.
Interpretação de dados será desafio estratégico no agro
O desafio, contudo, não está apenas na coleta de imagens por satélite. A interpretação correta dos dados, validação de ciclos produtivos, identificação de inconsistências e elaboração de relatórios técnicos confiáveis serão fatores decisivos para o cumprimento das novas regras.
Nesse contexto, empresas especializadas em inteligência geoespacial ganham relevância ao oferecer metodologias, integração de dados satelitais e modelos analíticos voltados à realidade do agronegócio brasileiro.
Mesmo assim, especialistas alertam que a adoção dessas soluções tende a ocorrer de forma desigual entre os diferentes agentes financeiros.
Regulação moderna expõe gargalos estruturais do crédito rural
Para Vitor Ozaki, a Resolução CMN nº 5.267/2025 moderniza o monitoramento do crédito rural ao incorporar critérios técnicos compatíveis com a complexidade do agronegócio nacional.
Por outro lado, a medida também evidencia uma contradição estrutural: o avanço regulatório ocorre antes da plena preparação operacional do sistema financeiro para executar as novas exigências em larga escala.
O resultado deverá ser um período de forte adaptação tecnológica e operacional, no qual instituições financeiras precisarão reformular processos internos rapidamente para evitar que uma medida criada para ampliar a transparência se transforme em uma nova barreira de acesso ao crédito rural brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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