AGRONEGÓCIO

Brasil avança na rota do biodiesel e projeta mistura de 20% até 2030

Publicado em

O Brasil está acelerando sua transição para um transporte mais sustentável, impulsionado por uma política ambiciosa de ampliação da mistura de biodiesel ao diesel convencional. Um estudo do Rabobank, intitulado “A Deep Dive into Brazil’s Biodiesel Sector”, revela que o país tem elevado progressivamente esse percentual, saindo de 2% em 2008 para 14% em 2024. A meta é ainda mais ousada: uma legislação sancionada em outubro de 2024 determina um aumento de um ponto percentual por ano, até atingir 20% em 2030.

De acordo com Marcela Marini, analista sênior de grãos e oleaginosas do Rabobank e autora do estudo, a crescente demanda por biodiesel representa uma grande oportunidade para o setor de esmagamento de soja no Brasil. “O país possui capacidade agrícola para suprir essa demanda, com projeção de produção de soja alcançando 185 milhões de toneladas em 2030”, afirma.

Com o aumento da demanda por óleo de soja — principal insumo do biodiesel, representando 72% da matéria-prima utilizada em 2024 —, o setor de esmagamento vem crescendo significativamente. A capacidade de processamento saltou de 48 milhões de toneladas em 2010 para 67 milhões em 2024, enquanto a taxa de utilização da capacidade subiu de 74% para 81% no mesmo período.

O avanço do setor se deve a uma combinação de fatores, como o aumento da produção doméstica de soja, os impactos da guerra na Ucrânia na oferta global de óleos vegetais e os efeitos de três anos consecutivos de La Niña, que prejudicaram a produção argentina de soja. Esses elementos impulsionaram as margens de esmagamento, com o preço do óleo de soja em 2024 ficando 100% acima do registrado em 2019, enquanto os preços da soja e do farelo subiram entre 65% e 70% no mesmo período.

Leia Também:  Em julho, frango vivo alcançou a melhor cotação dos últimos quatro meses
Desafios para a expansão do biodiesel

Apesar do cenário promissor, desafios estruturais ainda precisam ser superados. Para atender à demanda projetada para 2030, a capacidade de esmagamento precisaria crescer em 9 milhões de toneladas. Atualmente, há oito projetos em planejamento, que somam 6 milhões de toneladas, o que deixa uma lacuna significativa a ser preenchida.

O aumento da produção de óleo de soja também eleva a oferta de farelo, subproduto do esmagamento. Entretanto, o crescimento da pecuária brasileira, principal consumidora desse insumo, é de apenas 1% ao ano, ritmo insuficiente para absorver a nova produção. Dessa forma, o farelo precisará ser competitivo no mercado externo, onde o Brasil enfrenta a concorrência de Argentina e Estados Unidos.

Outro obstáculo é a capacidade de refino do óleo vegetal no Brasil. O setor opera próximo do limite, com pouca margem ociosa para absorver volumes adicionais. Além disso, a falta de investimentos consistentes em infraestrutura logística pode dificultar a expansão das exportações e reforça a necessidade de aumentar o consumo interno.

Com o crescimento da demanda doméstica, as exportações de óleo de soja já apresentam queda, tendência que deve se acentuar nos próximos anos. Em contrapartida, surgem incertezas sobre o futuro da soja brasileira no mercado externo. A demanda chinesa, principal destino da oleaginosa, pode ter atingido seu pico, enquanto a nova regulamentação europeia contra o desmatamento (EUDR) impõe barreiras adicionais.

Leia Também:  Preços do boi gordo sobem em várias regiões do Brasil com redução das escalas de abate

“O Brasil precisa fortalecer a demanda interna para compensar possíveis perdas no mercado internacional”, destaca Marini. “Para isso, é essencial que haja políticas públicas consistentes, infraestrutura adequada e investimentos coordenados ao longo de toda a cadeia produtiva, do agricultor ao consumidor final de biodiesel.”

Política e sustentabilidade impulsionam o setor

A expansão da produção de biodiesel está diretamente ligada às políticas de descarbonização e redução de emissões de carbono promovidas por governos e empresas. A legislação que estabelece a meta de 20% até 2030 também permite que veículos agrícolas, sistemas ferroviários, barcaças e transporte público utilizem misturas superiores ao mínimo obrigatório, criando oportunidades para iniciativas do setor privado.

“Algumas empresas já estudam a adoção de combustíveis 100% renováveis em operações específicas, como no transporte fluvial e em atividades dentro das fazendas”, observa Marini. Essa estratégia contribui para a redução das emissões de carbono e fomenta um mercado mais independente de subsídios governamentais.

Além dos benefícios ambientais, o biodiesel tem um papel social relevante. A indústria do setor é obrigada a adquirir parte da soja de pequenos produtores, o que gera impacto positivo na agricultura familiar. Em 2021, mais de 70 mil agricultores foram beneficiados, 70% deles com propriedades menores que 40 hectares. “Mesmo em um país marcado pela predominância de grandes propriedades rurais, o biodiesel oferece suporte essencial às pequenas produções”, conclui Marini.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Mulheres do Projeto Lutadoras iniciam jornada de defesa pessoal e fortalecimento em Cuiabá

Published

on

O primeiro dia de aulas gratuitas de defesa pessoal para as alunas do Projeto Lutadoras, na Secretaria da Mulher, nesta segunda-feira (20), foi marcado por acolhimento e conscientização. Nesta semana, o projeto inicia atividades em todas as unidades distribuídas por Cuiabá, reunindo 866 mulheres inscritas em uma das maiores edições já realizadas.

Sob as instruções do profissional de educação física e faixa-preta de jiu-jítsu Gilson de Oliveira, as alunas receberam orientações. Ele explicou que o trabalho começa antes mesmo das técnicas. “Hoje fizemos um acolhimento, falando sobre o que é o abuso, quais enfrentamentos existem dentro de casa e na rua e como evitar que a situação aconteça. Esse é o primeiro momento do treinamento”, afirmou.

De acordo com Gilson de Oliveira, nas próximas aulas serão trabalhados condicionamento físico, técnicas de aproximação e afastamento e alguns golpes específicos. “O principal é mostrar como evitar a situação e dar condições para que a mulher saia dela, caso aconteça, e saiba para quem ligar e como pedir ajuda.”

Para Eduarda Butakka, diretora de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria da Mulher de Cuiabá, a preparação também tem efeito preventivo. “Quando o agressor sabe que a mulher está preparada para se defender, ele pensa duas vezes. Uma mulher preparada tem mais meios de se proteger.”

Leia Também:  Mercado agrícola registra oscilações em novembro, aponta Cepea: soja e etanol em alta, enquanto algodão e arroz recuam

Entre as participantes, o sentimento é de entusiasmo e fortalecimento. A servidora Roserlene Ciqueira, professora da rede municipal, resume o novo momento: “Agora sou lutadora. Lutando para ter qualidade de vida e equilíbrio no corpo físico e mental.”

Ela convidou as mulheres a participar e destacou que o aprendizado começa na prevenção. “Quando a violência começa, seja psicológica ou física, precisamos evitar o confronto. Mas, se for necessário, precisamos saber nos defender e também pedir ajuda.”

Moradora do bairro Baú e trabalhadora do comércio, Glaucileia Basana afirmou que gostou muito da aula. Segundo ela, mesmo sem experiência, já aprendeu dois golpes. “É uma aula prática, e o professor ensina de uma forma que a gente aprende de primeira. Conheci o projeto pelas redes sociais da Prefeitura e estou aqui. Achei muito interessante, principalmente pela violência que as mulheres sofrem. É uma forma de ter mais segurança para andar pela cidade”, contou.

Para 2026, o projeto foi ampliado com a criação de 32 novas turmas, distribuídas em 16 polos nas regiões Sul, Norte, Leste e Oeste da capital, com duas turmas por unidade e média de 60 alunas por polo. As participantes frequentarão os polos e horários escolhidos no ato da inscrição. As inscritas na Praça Rachid Jaudy e no Centro de Referência da Mulher terão aulas na Secretaria da Mulher, conforme informado previamente.

Leia Também:  STF libera aplicação parcial de lei de Mato Grosso contra a Moratória

O projeto é realizado pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, liderada pela secretária Hadassah Suzannah. Idealizada pela primeira-dama Samantha Iris, a iniciativa se transformou em uma política pública permanente de fortalecimento e proteção às mulheres da capital.

A instrutora faixa-preta de jiu-jítsu Polyanna Souza de Araújo afirmou que a base de suas aulas é o jiu-jítsu, modalidade que permite imobilizações e técnicas de defesa mesmo contra adversários fisicamente mais fortes. “O foco principal é imobilizar e se defender. A mulher precisa estar preparada para reagir, se for necessário”, ressaltou.

Além de técnicas de jiu-jítsu, nas diferentes unidades as alunas terão aulas de judô, taekwondo, wrestling, capoeira, muay thai, kickboxing e karatê. A iniciativa se consolida como estratégia de prevenção à violência contra a mulher, indo além da prática esportiva ao promover segurança, saúde física, equilíbrio emocional e fortalecimento da autoestima.

A Secretaria Municipal da Mulher informa que, nesta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, não haverá aulas nos polos. Na quarta-feira e na quinta-feira, as atividades seguem normalmente. Clique AQUI e veja onde será sua jornada

https://cuiaba.mt.gov.br/storage/webdisco/2026/04/17/outros/2026-04-17-22-36-planilha-completa-com-todos-os-nomes-das-lutadoras-69e2ee197e092.pdf

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA