AGRONEGÓCIO
Bolsas globais operam sob pressão do Oriente Médio e Ibovespa recua com Vale e bancos no radar
Publicado em
3 de junho de 2026por
Da Redação
Os mercados financeiros globais voltaram a operar em clima de cautela nesta quarta-feira (3), refletindo o agravamento das tensões no Oriente Médio e o aumento da aversão ao risco entre investidores. O movimento impacta bolsas internacionais, commodities e moedas, enquanto o mercado brasileiro acompanha os desdobramentos externos e as repercussões das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros apresentavam comportamento misto durante a manhã. O Dow Jones Futuro recuava 0,35%, enquanto o S&P 500 Futuro perdia 0,11%. Já o Nasdaq Futuro registrava leve alta de 0,14%, sustentado pelo desempenho de empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial.
Na Europa, o sentimento também era de cautela. O índice DAX, da Alemanha, liderava as perdas entre os principais mercados do continente, com queda de 0,85%. O FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,28%, enquanto o CAC 40, da França, operava em baixa de 0,25%.
Na Ásia, o desempenho foi misto. As bolsas chinesas encerraram o pregão em terreno positivo, impulsionadas pelos setores de semicondutores e tecnologia óptica. O índice Shanghai Composite avançou 0,2% e o CSI 300 subiu 0,5%. Em contrapartida, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,6%. O Nikkei, do Japão, destoou do cenário global e registrou forte valorização de 2,5%.
Ibovespa abre em queda e reflete cenário externo
No Brasil, o Ibovespa iniciou os negócios em baixa de 1,14%, aos 173.743 pontos, acompanhando o movimento de fuga de ativos de maior risco observado no exterior. A Bolsa brasileira segue pressionada principalmente pelo desempenho de ações ligadas ao setor financeiro e pela realização de lucros em empresas de commodities. O mercado também monitora os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e os impactos sobre o fluxo de investimentos.
Entre os papéis de maior peso no índice, a Vale (VALE3) figurava entre as principais pressões negativas, acompanhando preocupações relacionadas ao ritmo de crescimento da economia chinesa. Já os grandes bancos também contribuíam para o movimento de queda do indicador.
Por outro lado, a Petrobras (PETR4) permanecia no radar dos investidores e ajudava a limitar perdas mais acentuadas do índice. A valorização internacional do petróleo, impulsionada pelos riscos geopolíticos no Oriente Médio, continua favorecendo as ações da estatal brasileira.
Siderúrgicas seguem em evidência
O setor siderúrgico permanece entre os destaques da B3. Após fortes ganhos recentes impulsionados pelo alívio parcial em medidas relacionadas às exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos, ações como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) continuam registrando elevado volume de negociações.
Outro destaque entre os ativos mais negociados é a B3 (B3SA3), que concentra parte relevante do fluxo financeiro do pregão em meio à volatilidade dos mercados.
Petróleo e geopolítica continuam ditando o ritmo
Analistas avaliam que a evolução dos conflitos no Oriente Médio seguirá sendo o principal fator de influência sobre os mercados globais nos próximos dias. O avanço dos preços do petróleo beneficia empresas exportadoras de energia, mas aumenta a preocupação com inflação global e desaceleração econômica.
Para o agronegócio brasileiro, o cenário merece atenção. Custos logísticos, combustíveis e fertilizantes podem sofrer novos impactos caso a tensão geopolítica continue elevando os preços das commodities energéticas. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo tende a fortalecer receitas de exportação e favorecer empresas ligadas à cadeia de energia e mineração.
Enquanto investidores aguardam novos indicadores econômicos e sinais das principais autoridades monetárias do mundo, o mercado segue operando sob elevada volatilidade, com o noticiário geopolítico assumindo papel central na formação dos preços dos ativos globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
Published
6 horas agoon
5 de outubro de 2026By
Da Redação
Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.
O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.
Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.
A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.
Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.
A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.
Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.
Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.
O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.
Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.
A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.
Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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