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Boi gordo registra mercado mais cauteloso diante de tensões no Oriente Médio

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O mercado físico do boi gordo apresentou um ritmo mais moderado de negociações ao longo da semana no Brasil. Parte dos frigoríficos reduziu o volume de compras ou permaneceu temporariamente fora do mercado, enquanto avalia possíveis impactos logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A principal preocupação do setor está relacionada ao transporte marítimo internacional. Eventuais dificuldades nas rotas comerciais podem elevar custos logísticos e afetar o fluxo das exportações de proteína animal.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o aumento do custo logístico é um dos efeitos mais imediatos observados em momentos de tensão geopolítica. Apesar disso, o mercado apresentou um alívio parcial após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantindo a manutenção do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais estratégicos do comércio global.

Contratos futuros recuam na B3

No mercado futuro, os contratos de boi gordo negociados na B3 registraram desvalorização ao longo da semana. O movimento reflete a cautela dos agentes diante das incertezas sobre o impacto do conflito nas exportações brasileiras de carne bovina para países da região.

Segundo Iglesias, no curto prazo o viés do mercado ainda tende a ser negativo. A combinação de fatores externos e comportamento cauteloso da indústria frigorífica contribui para limitar avanços nos preços.

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Cotações do boi gordo nas principais praças pecuárias

Os preços do boi gordo negociado na modalidade a prazo apresentaram variações distintas entre as principais regiões produtoras do país no dia 5 de março:

  • São Paulo (Capital) – R$ 350,00 por arroba, queda de 2,78% em relação aos R$ 360,00 da semana anterior.
  • Goiás (Goiânia) – R$ 330,00 por arroba, recuo de 2,94% frente aos R$ 340,00 registrados anteriormente.
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 345,00 por arroba, alta de 1,47% em comparação aos R$ 340,00 da semana passada.
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 340,00 por arroba, mantendo o mesmo patamar da semana anterior.
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 340,00 por arroba, sem alterações no período.
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 315,00 por arroba, avanço de 1,61% frente aos R$ 310,00 da semana passada.
Mercado atacadista permanece estável

No segmento atacadista, os preços dos principais cortes bovinos permaneceram estáveis durante a semana. Ainda assim, existe espaço para ajustes moderados nos cortes com osso, dependendo do comportamento da demanda.

Entretanto, a carne bovina continua enfrentando perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango, que segue mais acessível ao consumidor brasileiro.

As cotações médias permanecem nos seguintes níveis:

  • Quarto dianteiro – R$ 21,00 por quilo.
  • Quarto traseiro – R$ 27,00 por quilo.
  • Ponta de agulha – R$ 19,50 por quilo.
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Exportações de carne bovina mantêm desempenho positivo

Apesar das incertezas externas, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina segue robusto. Em fevereiro, considerando 18 dias úteis, o Brasil registrou receita de US$ 1,330 bilhão com embarques de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada.

A média diária ficou em US$ 73,923 milhões. O volume total exportado alcançou 235,889 mil toneladas, com média diária de 13,105 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 5.640,90.

Na comparação com fevereiro de 2025, os resultados mostram crescimento expressivo: o valor médio diário exportado aumentou 41,8%, o volume médio diário avançou 23,9% e o preço médio da tonelada registrou alta de 14,5%.

Cenário macroeconômico também influencia o consumo

O ambiente macroeconômico brasileiro também segue no radar do setor pecuário. De acordo com as projeções mais recentes do Banco Central, divulgadas no Relatório Focus, a economia brasileira ainda convive com juros elevados e inflação acima da meta.

Com a taxa básica de juros (Selic) em patamar restritivo e crescimento econômico moderado, o consumo interno tende a avançar de forma mais lenta, o que pode limitar uma valorização mais consistente da carne bovina no mercado doméstico no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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