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Empresas de bioenergia investem R$ 42 bilhões

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O setor de bioenergia no Brasil está experimentando uma fase de expansão significativa, com empresas comprometendo R$ 42 bilhões em investimentos voltados para a infraestrutura industrial. Esse montante não inclui os aportes destinados à agricultura, que também estão em alta.

Os recursos estão sendo alocados em diversos segmentos, incluindo a ampliação de fábricas existentes e a construção de novas unidades voltadas para a produção de biodiesel, biometano, etanol celulósico e açúcar. Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), destaca que o setor está atento às oportunidades proporcionadas pela transição energética, que envolve várias rotas de produção.

O projeto de lei “Combustível do Futuro”, atualmente em tramitação no Senado, prevê aumentos na mistura de biodiesel e etanol, além de mandatos para biometano e bioquerosene de aviação (SAF). Nolasco acredita que essas medidas sinalizam uma prioridade governamental para os biocombustíveis na transição energética do país.

No setor de biodiesel, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que os investimentos em expansão e construção de novas unidades somem R$ 6 bilhões em 2024. Já os investimentos em etanol de segunda geração (E2G) e biogás totalizam R$ 3 bilhões. A produção de açúcar também está recebendo investimentos substanciais, com um total de R$ 4,2 bilhões sendo direcionado para a melhoria das unidades existentes e a instalação de novas fábricas.

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A estratégia das usinas de cana tem priorizado a produção de açúcar devido à sua maior rentabilidade em comparação com o etanol. Isso tem liberado espaço para a indústria de milho, que está expandindo sua capacidade de produção de etanol. Juliano Merlotto, sócio da FG/A, observa que muitos investimentos em etanol de milho vêm de usinas de cana que buscam diversificar sua produção.

Usinas como a CerradinhoBio têm investido na construção de novas unidades de processamento de milho, como em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS). O milho, por ser uma cultura anual, oferece uma alternativa mais viável e menos onerosa comparada ao etanol de cana, que exige investimentos contínuos em lavouras.

Apesar de a capacidade das indústrias de biodiesel estar 42% ociosa, os investimentos continuam. Julio Minelli, diretor da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), explica que esses aportes estão ligados às expectativas de aumento na mistura e adoção do biodiesel puro (B100) em frotas como as da Amaggi e JBS.

Recentemente, grandes tradings, incluindo Cargill, Bunge e ADM, anunciaram investimentos de R$ 55 bilhões no Brasil, focados em esmagamento de soja e produção de biocombustíveis. O Grupo Potencial também anunciou um projeto de R$ 1,7 bilhão para uma nova usina em Lapa (PR), com capacidade de 900 milhões de litros de biodiesel, com previsão de início em 2026.

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No setor de etanol, a CMAA está investindo R$ 3,5 bilhões para ampliar sua capacidade de moagem de 10 milhões para 18 milhões de toneladas até 2033. A BP Bunge também está expandindo sua capacidade de moagem e produção de etanol em Pedro Afonso, Tocantins, com um aporte de R$ 530 milhões.

Os investimentos em biogás e biometano também estão crescendo, com a Associação Brasileira de Biogás (Abiogás) prevendo um aumento da capacidade em 7 milhões de metros cúbicos diários até 2029, requerendo investimentos de R$ 7 bilhões. A tendência é que projetos maiores sejam voltados para biometano e os menores para biogás.

O valor total dos investimentos não abrange os aportes em lavouras e frotas, que somam dezenas de bilhões de reais. A expansão da indústria de etanol de milho é um dos principais destaques, com a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) prevendo R$ 15,8 bilhões em investimentos, com projetos em vários estados e conclusão prevista até 2026.

Fonte: Pensar Agro

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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