AGRONEGÓCIO

Biotecnologia é chave para aumentar a produção de biogás no Brasil

Publicado em

À medida que o uso de energias renováveis cresce no Brasil, o biogás se destaca como uma solução sustentável para geração de energia. Monique Zorzim, bióloga, engenheira ambiental e gerente de novos negócios da Superbac, uma das maiores empresas de biotecnologia do Brasil, explica como a biotecnologia aplicada aos biodigestores pode aumentar a produção de biogás, contribuindo para um futuro mais sustentável.

Os biodigestores são dispositivos fechados onde o material orgânico se decompõe por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio. Nesse processo, as bactérias anaeróbias quebram a matéria orgânica, produzindo biogás e biofertilizantes. “O biogás gerado pode ser usado como fonte de energia, enquanto os biofertilizantes são ótimos para uso agrícola, minimizando impactos ambientais”, explica Zorzim.

O biogás é composto principalmente por metano, um gás capaz de gerar energia. A formação de biogás acontece em quatro fases: hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese, sendo esta última a fase mais importante para a produção de metano. Para aumentar a produção de biogás, a biotecnologia pode ser utilizada para estimular a fase de hidrólise, aumentando a disponibilidade de substratos para as bactérias na fase de metanogênese, o que resulta em maior produção de metano.

Leia Também:  Volatilidade do mercado e safra recorde no Brasil impacta preços globais de açúcar

Essa técnica, chamada bioaumentação, acelera a degradação dos compostos orgânicos, gerando mais subprodutos que, por sua vez, aumentam a produção de biogás. A especialista ressalta as vantagens do uso de biodigestores, como eficiência na reciclagem de resíduos orgânicos, redução da poluição, reutilização de excrementos animais, obtenção de gás limpo e melhoria da saúde pública por meio da redução de riscos ao bem-estar da população.

A Importância da Biotecnologia para a Sustentabilidade

A biotecnologia é usada em diversos setores, incluindo medicina, agricultura, produção de alimentos e indústria. Ela também desempenha um papel crucial na sustentabilidade, criando produtos que emitem menos poluentes e promovem processos mais sustentáveis.

Zorzim observa que a Europa está à frente nesse campo, com um aumento significativo de plantas de biometano. Segundo a Associação Europeia do Biogás (EBA), em 2022, foram contabilizadas 254 plantas de biometano na Europa, em comparação com 91 em 2019. “No Brasil, estamos avançando, especialmente nos estados do Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que têm grande concentração de granjas e frigoríficos. No entanto, outras regiões, como São Paulo, também apresentam grande potencial para a expansão dos biodigestores”, explica a especialista.

Leia Também:  Carreta de Natal leva alegria e inclusão ao Distrito da Guia em Cuiabá

Com o crescimento da tecnologia e da conscientização sobre as energias renováveis, o Brasil tem a oportunidade de se tornar um líder na produção de biogás e biometano, utilizando resíduos orgânicos como matéria-prima e, ao mesmo tempo, contribuindo para um meio ambiente mais limpo e sustentável. “Com as técnicas corretas e o uso eficiente da biotecnologia, o Brasil pode aproveitar seu grande potencial de produção de biogás para gerar energia limpa e sustentável, enquanto promove a economia circular e a redução do impacto ambiental”, conclui Zorzim.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

Published

on

Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

Leia Também:  Brasil já é o segundo maior confinador de gado do mundo

Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

Leia Também:  Demanda e exportação limitadas restringem a produção de arroz no Brasil

Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA