AGRONEGÓCIO
Biotech brasileira recebe aporte de fundo internacional para expandir atuação no mercado de biológicos
Publicado em
2 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoA Symbiomics, startup brasileira de biotecnologia que desenvolve soluções sustentáveis e de alto desempenho para o agronegócio, anuncia a chegada de um novo investidor em sua rodada de captação, iniciada este ano: a The Yield Lab Latam, gestora de capital de risco de tecnologia AgriFood com maior presença e experiência em toda a América Latina.
Os investimentos no setor mostram-se cada vez mais relevantes. O mercado de produtos biológicos para agricultura vem apresentando um crescimento expressivo, impulsionado por uma demanda crescente por práticas agrícolas sustentáveis. Segundo estudos realizados pela CropLife Brasil, em conjunto com a S&P Global, o mercado de biosinsumo atingirá R$ 17 bilhões até 2030. No entanto, a gama de produtos disponíveis hoje é predominantemente de primeira geração, com tecnologias e cepas microbianas bastante similares entre si. Contudo, prevê-se uma próxima onda de inovação, com produtos que integram novos microrganismos e avanços em genética e análise de dados. A The Yield Lab, ao investir na Symbiomics, aposta nesse futuro promissor, colaborando para posicionar a empresa como protagonista na transformação do mercado de bioinsumos.
Fundada em 2021 por Rafael de Souza e Jader Armanhi, a biotech atua gerando tecnologias disruptivas de nova geração à base de microrganismos naturais que pertencem aos biomas brasileiros, prospectados pela empresa durante expedições pelo país. “Nosso departamento de P&D trabalha com o que há de mais avançado no mercado em genômica, microbioma e análise de dados, desenvolvendo soluções em nutrição vegetal, biocontrole e bioestimulantes, usadas para aumentar a produtividade agrícola com menor impacto ambiental”, afirma o COO Jader Armanhi.
Recentemente, a Symbiomics firmou uma parceria global de desenvolvimento de tecnologias para produtos biológicos com a multinacional Stoller do Brasil, empresa do grupo Corteva Agriscience, que proporcionam ao produtor plantas mais eficientes e de maior produtividade. O mercado de biológicos é um dos que registram maior crescimento no agro. Projeções indicam que o segmento pode alcançar US$ 18,5 bilhões de faturamento até 2026.
Já a The Yield Lab Latam (TYLL) possui ampla experiência na América Latina e investe em startups em estágio inicial, de alto potencial, com sede na região e que enfrentam os múltiplos desafios apresentados pela indústria agroalimentar. A TYLL já investiu em um portfólio de mais de 20 startups AgriFoodTech nessa área e, nos últimos seis anos, construiu um relevante mapa de 1.900 empresas dedicadas ao setor.
“Estamos muito entusiasmados com a parceria com a Symbiotics, um grupo tão relevante de coinvestidores, com uma visão clara de como podemos agregar valor à empresa alavancando nossas redes locais, regionais e globais e ajudando-os a expandir seus negócios e impacto. A empresa está fazendo um trabalho incrível com o desenvolvimento de uma nova geração de produtos biológicos para diferentes fins, que auxiliam na produção de alimentos sustentáveis a partir de um mercado de muita relevância mundial, que é o Brasil”, afirma Camila Petignat, Partner do The Yield Lab Latam.
A Symbiomics também faz parte do portfólio da Vesper Ventures, fundo de venture builder com foco em biotecnologia avançada em agricultura e saúde. O novo investimento – que se soma aos valores aportados pela própria Vesper (em pré-seed), MOV Investimentos, Baraúna Investimentos e Ecoa Capital –, será aplicado no P&D e alavancará o pipeline da startup. “A entrada da TYLL representa muito mais que um aporte financeiro. É uma parceria relevante com um fundo global que nos deixará em contato com todo o ecossistema de AgriFoodTech, possibilitando novas oportunidades de negócios e abrindo caminho promissores para a internacionalização da empresa”, finaliza o CEO da biotech, Rafael de Souza.
Fonte: casa.9 Agência de Comunicação
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
8 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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