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Biolodo impulsiona produtividade em propriedades rurais de Cuiabá

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Desde 2022, pequenos produtores rurais de Cuiabá têm aumentado a produtividade agrícola com o uso do biolodo, um fertilizante orgânico derivado do tratamento de esgoto. Desenvolvido e distribuído gratuitamente pela concessionária Águas Cuiabá, do grupo Iguá Saneamento, o projeto já entregou mais de 110 toneladas do produto, beneficiando oito propriedades que somam cerca de oito hectares. A iniciativa oferece uma alternativa sustentável e econômica para revitalizar o solo, especialmente em um cenário de clima adverso, com altas temperaturas, baixa umidade e chuvas irregulares.

Na Fazenda Bela Vista, Jovani Curado relata resultados expressivos após um ano de uso do biolodo na pastagem de capim-açu. “A diferença é clara. O capim ficou mais verde, e a produção dobrou. Antes colhíamos cinco toneladas; agora chegamos a dez”, destaca. Essa melhoria refletiu diretamente na produção de leite, que aumentou mais de 30%, alcançando uma média de 190 litros diários.

Outros exemplos reforçam a eficácia do fertilizante. Na mesma propriedade, a aplicação em fileiras de cana-de-açúcar gerou plantas mais robustas e com crescimento 1,7 vezes maior em relação às áreas não tratadas.

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biolodo

Com bons resultados no capim-açu, o produtor também aplicou o biolodo na plantação de cana-de-açúcar, e já vê melhora no desenvolvimento da cultura

Processo sustentável e seguro

Produzido nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Águas Cuiabá, o biolodo passa por rigorosos processos de higienização, que eliminam odores e microrganismos patogênicos, tornando-o seguro para o uso agrícola. Além da entrega gratuita, a iniciativa inclui monitoramento técnico trimestral, com análises do solo e das plantações para assegurar a qualidade e os resultados do fertilizante.

Composto por nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio, o biolodo reduz a necessidade de fertilizantes químicos, diminui custos de produção e promove um incremento de até 70% na produtividade em comparação aos métodos convencionais. Além disso, seu uso contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzindo emissões de carbono e reaproveitando resíduos urbanos como insumos agrícolas.

“O propósito do projeto é oferecer alternativas que não apenas melhorem a fertilidade do solo, mas também preservem os recursos naturais, promovendo produtividade e conservação ambiental,” afirma Julie Campbell, diretora operacional da Águas Cuiabá.

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Casos de sucesso e novas aplicações

O agricultor Sérgio Barbosa foi o primeiro a testar o biolodo, em outubro de 2022, quando recebeu cinco toneladas para aplicar em pastagens de capim-açu. Os resultados positivos na produção de leite e na qualidade das pastagens motivaram outros produtores a aderirem ao projeto.

Novas culturas também estão sendo testadas. Na Fazenda Divary, o milho plantado em solo tratado em outubro apresenta boas perspectivas com a chegada das chuvas. Já na Chácara Relíquia, o agricultor Davino de Lima aplicou o fertilizante em banana e limão, com expectativas de aumentar a produtividade dessas culturas.

A iniciativa destaca o potencial do biolodo como ferramenta de transformação na agricultura familiar, oferecendo benefícios econômicos, ambientais e sociais para pequenos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de carne bovina aos EUA expõe frigoríficos brasileiros a até 2,8 milhões de hectares de risco de desmatamento na Amazônia Legal

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As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.

No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.

Exposição ao risco pode chegar a 2,8 milhões de hectares

A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.

De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:

  • Áreas embargadas por desmatamento ilegal
  • Registros recentes de desmatamento
  • Potencial de desmatamento futuro em áreas fornecedoras

As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.

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Falhas de rastreabilidade e baixa transparência na cadeia

O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.

Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:

  • 11 das 15 plantas controlam apenas fornecedores diretos
  • Nenhuma empresa apresentou dados auditados de fornecedores indiretos

Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.

Proposta de lei nos EUA pode impactar exportações brasileiras

O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.

A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.

Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.

Pressões globais e impacto na produção agropecuária

O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.

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O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Recomendações apontam para rastreabilidade total da cadeia

Entre as principais recomendações do estudo estão:

  • Priorizar compras de frigoríficos com baixo risco de desmatamento
  • Implementar rastreabilidade completa, incluindo fornecedores indiretos
  • Fortalecer mecanismos de controle e auditoria independente
  • Considerar restrições a produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas

O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.

Cenário reforça pressão sobre o agronegócio exportador

O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.

O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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