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Bem-estar Animal, Produtividade e Lucratividade: A Importância da Seleção de Animais Mochos na Pecuária de Corte

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A seleção de animais mochos, caracterizados pela ausência de chifres, tem se destacado na pecuária de corte devido aos benefícios diretos ao bem-estar animal, à produtividade e à lucratividade dos produtores. Desde o primeiro registro de um animal mocho no Brasil, em 1957, até os estudos mais recentes, essa característica tem se mostrado essencial para a melhoria do manejo e da qualidade do rebanho.

O caráter mocho contribui para a redução de brigas e lesões entre os animais, diminuindo o risco de contusões que afetam a qualidade da carne. Além disso, esse atributo melhora a segurança dos trabalhadores, ao eliminar a necessidade de procedimentos dolorosos, como a descorna, que podem prejudicar a saúde dos animais e comprometer seu desempenho. A seleção de animais mochos também beneficia projetos de produção de meio sangue, com bonificações adicionais para os produtores.

A base genética da ausência de chifres foi um dos primeiros aspectos estudados em bovinos. Inicialmente, acreditava-se que a presença ou ausência de chifres fosse determinada por um único par de genes, com o alelo mocho sendo dominante. No entanto, pesquisas mais recentes, principalmente em raças zebuínas como o Nelore, revelaram que o padrão de herança é mais complexo, envolvendo múltiplos genes. Em animais como o Nelore, estruturas semelhantes a chifres, como o batoque e o calo, complicam ainda mais a compreensão da expressão genética dessa característica. Estudos mostraram que o batoque é mais comum em machos e está associado ao locus Mocho, evidenciando que a característica é poligênica.

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A DEP Mocho: Uma Ferramenta Inovadora para a Seleção Genética

A ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores) tem se destacado na criação de ferramentas para ajudar os criadores no processo de seleção de animais mochos. A principal inovação é a DEP Mocho (Diferença Esperada na Progênie para Mochação), que quantifica a probabilidade de um animal transmitir a característica de mochação para sua descendência. Essa ferramenta permite que os criadores identifiquem touros e matrizes com maior potencial para transmitir a característica mocho, acelerando o progresso genético e melhorando a eficiência do rebanho.

O banco de dados da ANCP inclui 27 mil animais fenotipados de 62 rebanhos, e a ferramenta de DEP Mocho utiliza essas informações para otimizar a seleção e os acasalamentos. A análise da DEP é fundamental para a criação de rebanhos mais produtivos e alinhados com as exigências modernas de bem-estar animal.

No Sumário de Touros 2024, lançado pela ANCP na Expogenética, são apresentadas as avaliações genéticas para mochação de touros provados e jovens. Para os touros provados, os critérios incluem genótipo, variedade mocha e um mínimo de 10 filhos com fenótipos específicos. Para os touros jovens, o genótipo e a acurácia mínima são levados em consideração para a inclusão no sumário. A avaliação genética disponível também inclui informações sobre a DEP Mocho para facilitar a comparação entre touros.

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A interpretação da DEP é importante para entender o impacto genético dos touros na transmissão da característica mocho. Por exemplo, um touro com 100% de DEP Mocho tem a probabilidade de transmitir a característica para todos os seus descendentes, enquanto touros com DEPs menores possuem menores probabilidades de herdar essa característica. Esses dados são essenciais para otimizar a seleção de rebanhos de forma mais eficiente e precisa.

Sustentabilidade e Inovação na Pecuária de Corte

A ferramenta DEP Mocho, desenvolvida pela ANCP com o apoio dos criadores de mocho, representa um avanço significativo na pecuária de corte, promovendo a criação de rebanhos mais produtivos e alinhados com as práticas de bem-estar animal. A ANCP está comprometida em fornecer soluções inovadoras que beneficiem os criadores, ao mesmo tempo em que contribuem para a sustentabilidade do setor agropecuário no Brasil.

Sumário de Touros da ANCP 2024

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Real desvalorizado amplia custo de vida e reduz poder de compra do brasileiro frente a EUA e Canadá

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A desvalorização do real frente ao dólar nas últimas décadas tem aprofundado a diferença de custo de vida e poder de compra entre o Brasil e economias desenvolvidas como Estados Unidos e Canadá. Levantamento comparativo dos últimos 15 anos mostra que a moeda brasileira saiu de cerca de R$ 1,67 por dólar em 2011 para patamares acima de R$ 5,50 em 2026, evidenciando uma perda acumulada relevante e impactos diretos sobre a renda da população.

A análise considera fatores como câmbio, evolução do salário mínimo em dólar e despesas médias em grandes centros urbanos. Embora o custo absoluto de vida no exterior seja mais elevado, o equilíbrio entre renda e gastos tende a ser mais favorável em países com maior estabilidade econômica.

Desvalorização cambial corrói consumo global

De acordo com o especialista em Direito Internacional e negócios globais, Daniel Toledo, a perda de valor do real é determinante para a redução da capacidade de consumo do brasileiro no cenário internacional.

“Quando analisamos o câmbio ao longo do tempo, fica claro que o brasileiro perdeu poder de compra global. Isso afeta desde viagens até o acesso a bens importados e investimentos no exterior”, explica.

Salários em dólar mostram diferença estrutural

Os dados reforçam a disparidade entre países. Nos Estados Unidos, o salário mínimo mensal saiu de aproximadamente US$ 1.160 em 2011 para cerca de US$ 2.050 em 2026. No Canadá, avançou de US$ 1.550 para cerca de US$ 2.150 no mesmo período.

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No Brasil, o movimento foi inverso quando convertido em dólar: de cerca de US$ 320 em 2011 para aproximadamente US$ 285 em 2026, evidenciando perda de valor real. Em comparação regional, a Argentina apresentou queda ainda mais acentuada.

Essa diferença impacta diretamente o consumo. Para adquirir um smartphone de US$ 900:

  • No Canadá: cerca de 65 horas de trabalho
  • Nos Estados Unidos: aproximadamente 110 horas
  • No Brasil: cerca de 380 horas
  • Na Argentina: mais de 600 horas

O indicador evidencia que o poder de compra é mais determinante do que o salário nominal.

Custo de vida pressiona famílias no Brasil

A comparação entre grandes cidades mostra que, apesar de mais caro em termos absolutos no exterior, o custo de vida é mais equilibrado em relação à renda.

  • São Paulo: entre R$ 15,5 mil e R$ 24,5 mil mensais
  • Houston (EUA): entre US$ 4.500 e US$ 7.500
  • Toronto (Canadá): entre US$ 5.100 e US$ 7.800

No Brasil, despesas com alimentação, energia e habitação têm avançado de forma consistente, comprimindo o orçamento das famílias e reduzindo ganhos reais, mesmo com reajustes salariais.

Para sustentar um padrão de classe média com alguma capacidade de poupança, a renda anual necessária gira em torno de:

  • Brasil: cerca de R$ 250 mil
  • Estados Unidos: aproximadamente US$ 90 mil
  • Canadá: entre US$ 100 mil e US$ 150 mil
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Estabilidade econômica faz diferença no longo prazo

Além dos números, fatores estruturais explicam a diferença na qualidade de vida. Países desenvolvidos apresentam maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e segurança jurídica — elementos essenciais para planejamento financeiro de longo prazo.

Esse cenário tem impulsionado o interesse de brasileiros em buscar oportunidades no exterior, seja para trabalho, estudo ou investimentos.

Segundo Toledo, a decisão envolve mais do que custos imediatos. “Ambientes estáveis oferecem melhores condições para crescimento, segurança e construção de patrimônio. No longo prazo, o dinheiro tende a render mais e a qualidade de vida se torna mais sustentável”, avalia.

Brasil enfrenta desafios estruturais

O levantamento evidencia que, apesar do custo de vida mais alto em dólar, países como Estados Unidos e Canadá oferecem condições mais favoráveis para preservação de renda e acumulação de patrimônio.

Enquanto isso, o Brasil segue enfrentando desafios estruturais — como volatilidade cambial, inflação e menor previsibilidade econômica — que limitam o avanço do poder de compra e pressionam o orçamento das famílias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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