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Be8 Inicia Construção de Planta de Etanol em Passo Fundo com Operação Prevista para 2026

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A Be8 deu início nesta quarta-feira (14) à construção de sua nova planta de etanol em Passo Fundo, a primeira de grande porte no estado a produzir biocombustível a partir de cereais e glúten vital. Erasmo Carlos Battistella, Presidente da Be8, expressou entusiasmo com o início das obras, destacando o impacto positivo que o projeto trará para a região e para a transição energética do país.

“Hoje, começamos a transformar um sonho em realidade com este novo empreendimento industrial em Passo Fundo. Além de contribuir para o desenvolvimento local, a nova planta representará uma solução de energia verde essencial para o Brasil”, afirmou Battistella durante a cerimônia de lançamento.

Projeto e Inovação

Battistella ressaltou que o projeto não se limita a uma fábrica, mas a um complexo fabril que abrigará quatro unidades de produção: glúten vital, etanol e farelo. “Essa inovação coloca Passo Fundo e o Rio Grande do Sul em destaque, trazendo avanços significativos para a cadeia produtiva agrícola”, acrescentou.

Leandro Luiz Zat, Vice-presidente de Operações, destacou o impacto do projeto na cadeia produtiva, otimização das áreas agrícolas e desenvolvimento genético do trigo, que atenderá às demandas de mercados alimentícios e de energia limpa.

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A primeira fase das obras envolverá a movimentação de 1,5 milhão de metros cúbicos de terra, abrangendo um terreno de 80 hectares, com 40 hectares destinados à construção da planta. Tulio Abi-Saber, Vice-presidente Financeiro, mencionou que o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 729,7 milhões, foi crucial para viabilizar o projeto.

Ato Ecumênico e Perspectivas de Emprego

Durante o ato ecumênico para marcar o início das obras, estiveram presentes o empresário Battistella, sua esposa Luciana Azambuja Battistella, além de outros executivos da empresa e membros da comunidade local. O Padre Claudir Prestes e o Pastor Silvio Gonçalves Mota realizaram uma bênção especial para o sucesso do empreendimento.

Com previsão de início das operações em 2026, a planta de etanol gerará mais de 800 empregos durante a fase de construção, priorizando a mão de obra local. Após a conclusão, cerca de 175 empregos diretos serão criados. A Be8 também está desenvolvendo parcerias com instituições de ensino para formar profissionais qualificados e estimular a contratação de empresas locais.

A nova usina terá capacidade para produzir 220 milhões de litros de etanol, tanto anidro quanto hidratado. Além disso, será responsável pela produção de 155 mil toneladas anuais de DDGS (farelo de cereais) e 35 mil toneladas de glúten vital, suprindo o mercado nacional e potencialmente o Mercosul.

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Aspectos Ambientais e Financiamento

A planta contará com cogeração de energia elétrica a partir de biomassa e não lançará efluentes líquidos, utilizando-os na produção de vapor. O financiamento do BNDES, com R$ 500 milhões provenientes do Programa BNDES Mais Inovação, reflete a inovação do projeto, que utiliza matérias-primas não exploradas anteriormente para biocombustíveis.

Em abril, a Be8 obteve a Licença Ambiental de Instalação (LI) da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (FEPAM), permitindo o início das obras. O projeto de engenharia está a cargo da Praj, empresa indiana especializada em tecnologias biológicas e soluções energéticas.

Terraplanagem e Estrutura

A empresa MATT Construtora, do Grupo MPX, é responsável pelas atividades de terraplanagem. Com sede em Vila Maria (RS), a MATT oferece serviços diversos, incluindo pavimentação e construção de pontes, e possui usinas de asfalto e pedreiras no Rio Grande do Sul e outros estados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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