AGRONEGÓCIO

“Bancada do agro está mobilizada para derrubar os vetos”, diz Zequinha Marinho

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu, nesta terça-feira (5), para tratar da derrubada dos vetos presidenciais, que devem ocorrer na próxima sessão do Congresso Nacional. Apesar da indefinição quanto à data da realização, o vice-presidente da bancada do agro no Senado Federal, Zequinha Marinho (Podemos-PA), afirma que o colegiado possui votos necessários para derrubar os vetos dos assuntos de interesse do agro

Além disso, o senador afirmou que a bancada tem na manga uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 48/2023), do senador Dr. Hiran (PP-RR), para definir a demarcação de terras em lei. “Não há qualquer negociação em curso, até porque temos pontos definidos e de conhecimento do Governo Federal. O marco temporal é um desses.

Após a derrubada e a implementação, Zequinha acredita que as dificuldades darão lugar à segurança jurídica. Para ele, a economia e a tranquilidade para quem produz, são condições necessárias para que o país possa voltar ao desenvolvimento pleno. “Precisamos de paz para trabalhar, gerar emprego e renda. É assim que toda nação vai para frente e nós necessitamos disso também”, argumentou.

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Já o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ressaltou que a bancada só se fará presente na sessão do Congresso Nacional, caso haja a confirmação de que os vetos ao marco temporal serão analisados. “Isso é muito importante para nós e já nos manifestamos a respeito disso em nota oficial. Nenhuma sessão pode ocorrer, ao nosso entender, sem essa discussão de extrema necessidade”, disse ele.

Licenciamento Ambiental

Tido como um dos projetos historicamente prioritários para a bancada, o Licenciamento Ambiental voltou a caminhar no Senado Federal. Segundo Zequinha Marinho, o projeto tem importância ímpar para o campo e a cidade, além de afetar sobremaneira a economia do Brasil.

“O licenciamento ambiental precisa ser destravado e será benéfico para todo mundo, o Brasil precisa se desenvolver e isso passa pela aplicação desse projeto”, defendeu o senador.

Pauta verde

O deputado federal Arnaldo Jardim, explica que o combustível do futuro trata do etanol, e propõe o aumento da mistura do combustível à gasolina. “São pontos importantes e fruto do que a gente tem conversado na FPA. Estamos em diferentes frentes para buscar o melhor resultado para assuntos de extrema importância para o setor”.

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De acordo com Jardim, está programado para a tarde desta terça-feira (5), um debate na Câmara dos Deputados, acerca dos bioinsumos e fertilizantes. Além disso, amanhã (06), será votado o parecer da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) a respeito do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), essencial para o setor agropecuário.

Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação FPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Do boi ao mel, veto europeu impõe efeitos desiguais

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A suspensão das compras europeias de produtos brasileiros de origem animal produz consequências diferentes dentro do agronegócio. A carne bovina enfrenta o caminho mais demorado para recuperar o mercado, enquanto frango e mel aguardam o resultado de uma auditoria que pode acelerar a retomada. Para a piscicultura, o prejuízo está menos nas vendas atuais e mais no adiamento da reabertura de um mercado fechado desde 2018.

Na pecuária bovina, o impacto imediato recai sobre frigoríficos habilitados, produtores certificados e fazendas que mantêm animais destinados à União Europeia. Embora o bloco compre uma parcela relativamente pequena da carne exportada pelo Brasil, concentra cortes de maior valor e programas especiais de qualidade.

Redirecionar essa carne para outros países é possível, mas nem sempre preserva a remuneração. Cada mercado compra cortes, pesos e tipos de acabamento diferentes. Um produto preparado para atender ao consumidor europeu pode precisar ser vendido por preço menor em outro destino ou desmembrado para atender compradores distintos.

Para o pecuarista, o primeiro efeito pode aparecer na perda dos adicionais pagos por animais enquadrados nos protocolos europeus. Se os frigoríficos reduzirem ou suspenderem as escalas destinadas ao bloco, também aumenta o risco de pressão sobre a arroba nas regiões com maior concentração de fazendas habilitadas.

A retomada da carne bovina tende a ser mais lenta porque a União Europeia exige a comprovação de que os antimicrobianos vetados não foram utilizados durante toda a vida do animal. Quando não existe documentação histórica suficiente, a formação de um novo rebanho plenamente rastreado pode levar de dois a três anos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) criaram um protocolo para acompanhar o uso dessas substâncias. As empresas associadas à Abiec e autorizadas a vender ao bloco aderiram ao sistema, mas o modelo ainda precisa ser reconhecido pelas autoridades europeias.

Na avicultura, o problema também é imediato, mas a perspectiva de solução é mais rápida. O ciclo de produção do frango dura aproximadamente 45 dias, o que permite formar novos lotes e comprovar em menos tempo que as aves não receberam as substâncias proibidas.

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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a produção destinada à Europa já é segregada e atende às restrições sobre antimicrobianos. O impasse estaria concentrado na fiscalização oficial e na capacidade de demonstrar os controles realizados nas fábricas de ração, granjas, incubatórios e frigoríficos.

Uma missão europeia encerra nesta sexta-feira (4) a auditoria nas cadeias brasileiras de aves e mel. Mesmo que a avaliação seja favorável, os embarques não serão liberados imediatamente. Os técnicos ainda precisam elaborar um relatório e submetê-lo às autoridades da União Europeia.

Se o bloqueio persistir, os frigoríficos de aves poderão direcionar parte da produção para outros compradores. O Brasil vende frango a cerca de 150 países, o que oferece alternativas. A mudança de destino, entretanto, pode reduzir margens, aumentar custos logísticos e provocar excesso de oferta de determinados cortes no mercado interno.

A cadeia de ovos enfrenta situação semelhante, embora tenha exposição comercial menor. O principal obstáculo está na comprovação dos controles sanitários das granjas e dos insumos utilizados na alimentação das aves. Empresas que produzem ovos processados ou destinados à indústria europeia terão de buscar outros mercados até que o Brasil seja novamente habilitado.

No mel, a suspensão atinge uma cadeia formada principalmente por pequenos produtores e cooperativas. A Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA) sustenta que não há registro de utilização, nas colmeias brasileiras, dos antimicrobianos questionados pela União Europeia.

O setor considera que o mel foi atingido por estar classificado como produto de origem animal, e não pela constatação de alguma irregularidade. Ainda assim, será necessário demonstrar oficialmente a origem do produto, o manejo das colmeias e os controles adotados pelos entrepostos e exportadores.

Para os apicultores, a perda do mercado europeu pode reduzir a concorrência entre compradores e pressionar o preço recebido pelo mel. O impacto tende a ser maior em cooperativas e empresas que construíram contratos com importadores europeus, principalmente para produtos diferenciados, orgânicos ou com origem certificada.

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Na piscicultura, não há uma corrente atual de exportações para ser interrompida. O próprio governo brasileiro suspendeu, em 2018, os certificados para a venda de pescado à União Europeia após questionamentos sobre embarcações da pesca extrativa. A aquicultura acabou incluída na medida, apesar de utilizar outro sistema de produção.

O setor vinha trabalhando para recuperar o acesso ao bloco. A nova exigência sobre antimicrobianos acrescenta mais uma etapa ao processo e pode retardar a abertura do mercado para tilápia e outras espécies produzidas em cativeiro. Nesse caso, o prejuízo está na oportunidade que deixa de ser criada.

A carne suína não sofre uma nova perda direta porque o Brasil já não estava habilitado a exportar o produto à União Europeia dentro desse sistema. O efeito pode ser indireto, caso carnes que seriam enviadas ao bloco sejam redirecionadas para destinos onde o produto suíno brasileiro também disputa espaço.

Tripas, miúdos e produtos de menor participação na pauta enfrentam dificuldade semelhante. Embora representem receitas menores, são importantes para o aproveitamento integral dos animais. Quando um frigorífico perde compradores para essas mercadorias, diminui o valor obtido com cada animal abatido.

O quadro mostra que uma eventual liberação parcial não resolverá o problema de todas as cadeias ao mesmo tempo. Frango e mel podem avançar primeiro, dependendo da auditoria encerrada nesta sexta-feira. A carne bovina dependerá do reconhecimento do sistema de rastreabilidade, enquanto a piscicultura continuará discutindo a própria reabertura do mercado.

Até que as autorizações sejam restabelecidas, o maior risco para o produtor é a perda de remuneração. O Brasil dispõe de outros compradores, mas substituir um mercado não significa necessariamente manter o mesmo preço, o mesmo produto e as mesmas condições comerciais.

Fonte: Pensar Agro

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