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Balanço 2023: Conab amplia atuação de monitoramento das lavouras no país

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“Com dados precisos, os agricultores e agricultoras conseguem fazer um planejamento da atividade mais certeiro ao se ter informações das condições climáticas, conhecimento dos custos de produção, dos preços mínimos e de mercado, entre outros elementos”, reforça a superintendente substituta de Informações da Agropecuária da Companhia, Séfora Silvério.

Para trazer informações de qualidade aos produtores e às produtoras do país, os técnicos da Companhia fazem o monitoramento das lavouras de verão e inverno por meio das análises agrometeorológicas e espectrais, que são divulgadas mensalmente no Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA). “Os modelos agrometeorológico-espectrais permitem que sejam examinados de forma ampla tanto os impactos das condições climáticas de determinado momento, bem como a influência de práticas de manejo, cultivares e demais componentes relacionados à produção de alimentos”, ressalta Séfora.

Além desse acompanhamento mensal, a Conab verifica as condições hídricas e de temperatura para a semeadura, o desenvolvimento fenológico e a colheita dos principais cultivos de primeira, segunda e terceira safras publicadas semanalmente no Progresso de Safra. Em 2023, foram produzidos 52 documentos, todos disponíveis no site da estatal.

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“Este produto permite acompanhar o andamento da safra e com isso é possível fazer um planejamento das ações necessárias com mais precisão, tornando-se uma importante ferramenta para auxiliar tanto os atores públicos, privados e a sociedade, seja na formulação das políticas agrícolas e de abastecimento, ou para subsidiar as tomadas de decisão ao conhecer os percentuais semeados e colhidos e a fenologia das culturas, a partir das informações publicadas pela Companhia”, destaca a superintendente substituta.

Esse conjunto de ações auxilia na elaboração dos Levantamentos de Safras da Conab, que também utilizam as informações de campo coletadas pelos técnicos da estatal. Atualmente a Companhia realiza o acompanhamento da produção de café, cana-de-açúcar e grãos. Ao todo, são 32 boletins divulgados ao longo do ano (12 de grãos, 4 de café, 4 de cana e 12 Boletins de Monitoramento Agrícola).

Demais ações – A fim de trazer mais subsídios ao monitoramento do campo, os técnicos da Companhia realizaram, além das idas ao campo rotineiras, visitas para a verificação in loco de lavouras de soja e arroz na região Sul, informações que subsidiaram o mapeamento da safra 2022/23 dessas culturas. Também no Sul do país, foi realizada a verificação in loco de lavouras para subsidiar o mapeamento dos cultivos de inverno. Além disso, campanhas de campo também subsidiaram a estimativa de produtividade objetiva da soja, do milho 2ª safra e do trigo.

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Os técnicos da Conab também atuam para levar informações de qualidade para publicações internacionais. Ao longo de 2023, foram realizados encontros mensais com representantes dos principais países produtores de grãos para analisar as condições das lavouras de arroz, milho, soja e trigo no âmbito global. Esse monitoramento está nos boletins do Agriculture Market Information System (Amis). A análise contida no boletim é resultado de informações compartilhadas pelas organizações membro do AMIS, que acompanham o mercado agrícola, sendo a Conab a instituição representante do Brasil.

Fonte: CONAB

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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