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Avanço do etanol de milho desafia usinas de cana e pode redefinir o setor de biocombustíveis no Brasil

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O agronegócio como motor da produtividade nacional

O agronegócio brasileiro tem sido um pilar de crescimento e geração de riqueza no país, especialmente nas últimas décadas. Um dos grandes marcos dessa transformação foi o fortalecimento da segunda safra — ou safrinha, como é popularmente conhecida. Hoje, esse termo já não condiz com sua real importância: a produção da safrinha de milho se tornou gigantesca, impulsionada por avanços em mecanização, nutrição vegetal e genética.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 25 anos, a área dedicada à safrinha de milho saltou de 2,5 milhões para 17 milhões de hectares. A produtividade também quase dobrou, passando de 46,7 para 88,8 sacas por hectare. O resultado é uma produção que subiu de menos de 10 milhões para cerca de 100 milhões de toneladas — colocando o Brasil como maior exportador global do grão em 2023.

O etanol de milho ganha força no Brasil

A expansão da safrinha abriu espaço para novas cadeias de valor, sendo o etanol de milho uma das principais. Essa alternativa ganhou tração nos últimos anos e hoje representa uma revolução silenciosa no setor de combustíveis.

Até 2016, a produção era praticamente experimental. Mas no último ciclo, usinas do Centro-Sul produziram mais de 8 bilhões de litros — quase um terço do total da produção da indústria de etanol de cana-de-açúcar. Empresas como Inpasa e FS Bio surgiram como protagonistas, e novos projetos são anunciados frequentemente. A estimativa é que a produção ultrapasse 10 bilhões de litros em breve.

DDG: subproduto que pode transformar a pecuária

Além do etanol, a produção de milho gera o DDG (Distillers Dried Grains), um subproduto rico em nutrientes que pode beneficiar a pecuária brasileira. Nos EUA, o DDG já é amplamente utilizado na alimentação de gado, substituindo parcialmente o farelo de soja e milho. Com um dos maiores rebanhos do mundo, o Brasil tem alto potencial para incorporar o DDG e intensificar sua pecuária, otimizando o uso da terra e agregando valor à produção.

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Desafios para o mercado: demanda estagnada e excesso de oferta

O setor de etanol no Brasil já é maduro, com sua principal demanda voltada ao uso como combustível (etanol carburante). O avanço da produção de etanol de milho traz um novo desafio: como absorver esse volume adicional?

Dois diferenciais tornam o etanol de milho ainda mais competitivo:

  • Menor custo de produção, inclusive nos encargos agroindustriais.
  • Oferta contínua ao longo do ano, graças à possibilidade de estocagem do milho, diferente da sazonalidade da cana.

Esse cenário tem pressionado a precificação do etanol, com a paridade em relação à gasolina (índice que orienta a competitividade do etanol) caindo abaixo dos tradicionais 70%, inclusive durante a entressafra da cana — um período historicamente marcado por preços mais altos.

Indústria de cana sente os efeitos e busca alternativas

Historicamente, a indústria de etanol no Brasil foi estruturada em torno da cana-de-açúcar, especialmente no interior paulista. Apoiada por políticas públicas e diferenciais tributários, manteve-se como pilar econômico por décadas.

Contudo, a ascensão do milho mudou o jogo. Em junho, o governo elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% (E30), buscando equilibrar oferta e demanda. Mas a medida apenas adia a pressão: com a demanda por gasolina girando em torno de 44,4 bilhões de litros ao ano, o aumento geraria apenas 1,3 bilhão de litros adicionais de etanol — volume insuficiente frente à expansão prevista do milho.

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Diferença de custos evidencia a desvantagem da cana

A diferença de competitividade entre as duas rotas de produção é gritante. Na última safra, segundo a São Martinho, o custo para produzir 1 litro de etanol a partir da cana foi de R$ 2,84. Já a FS Bio, produtora de etanol de milho, registrou custo de R$ 1,55 por litro — uma diferença de quase 45%. Essa discrepância tem gerado margens negativas para as usinas de cana e as obriga a focar na produção de açúcar para manter a rentabilidade.

Grandes grupos como a Raízen têm enfrentado dificuldades. Em outubro do ano passado, a empresa promoveu uma reestruturação em sua gestão, buscando otimizar o portfólio e melhorar a eficiência diante da crescente concorrência.

Perspectivas para o etanol de milho: oportunidades e riscos

Apesar do crescimento acelerado, o setor de etanol de milho também enfrenta desafios. Dois pontos são cruciais para manter sua vantagem no médio prazo:

  • Consolidar a demanda pelo DDG na cadeia de nutrição animal;
  • Garantir o fornecimento de biomassa, essencial para a geração de energia no processo produtivo.
Uma revolução em curso no coração do agro brasileiro

Assim como revoluções históricas mudaram o rumo de países e setores econômicos, a ascensão do etanol de milho no Brasil representa uma transformação profunda no mercado de biocombustíveis. A competitividade da nova rota pressiona uma indústria secular, altera a lógica de preços e demanda respostas rápidas das usinas de cana e do próprio governo.

Se os projetos de expansão forem concretizados, o setor terá que redefinir suas estratégias — e a tradicional hegemonia da cana-de-açúcar poderá, de fato, estar diante de sua maior guinada em décadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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