AGRONEGÓCIO
Arco Norte cresce nas exportações, mas rodovias ruins limitam avanço
Publicado em
22 de novembro de 2025por
Da Redação
Os portos do chamado Arco Norte, conjunto de corredores logísticos do Norte e parte do Nordeste, voltaram a registrar expansão no volume exportado em 2025. Entre janeiro e outubro, a movimentação superou 53 milhões de toneladas, avanço próximo de 9% frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados de autoridades portuárias e do Ministério da Agricultura. A alta reforça a transferência gradual das exportações de soja, milho e farelo para rotas mais próximas das áreas produtoras do Centro-Oeste, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade dos embarques brasileiros.
O desempenho contrasta com o ritmo mais moderado de crescimento observado nos portos do Sul e Sudeste, que operam próximos ao limite estrutural e, nos últimos anos, vêm perdendo participação relativa. Em 2015, o Arco Norte respondia por menos de 20% das exportações de grãos; em 2025, já se aproxima de 38%, movimento influenciado tanto pela ampliação da capacidade dos terminais quanto pelo ganho de eficiência das hidrovias amazônicas.
Apesar do avanço, o setor ainda considera o acesso rodoviário à região o maior obstáculo para a consolidação do corredor logístico. As BRs 163 e 230, principais rotas utilizadas entre Mato Grosso e os terminais fluviais do Pará, continuam sujeitas a trechos degradados, pontos sem pavimentação e falta de manutenção rotineira. Transportadoras e operadores portuários relatam aumento no tempo de viagem, maior consumo de combustível e desgaste acelerado da frota, fatores que elevam o custo operacional e reduzem a previsibilidade do fluxo de cargas.
A Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport), afirma que a navegação na hidrovia do Tapajós segue operando dentro da normalidade, com ajustes apenas nos tamanhos de comboios e no volume transportado por questões de segurança durante o período de águas mais baixas. O problema, segundo a entidade, está exclusivamente no acesso terrestre, que não acompanha o ritmo de expansão da capacidade portuária.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Pará publicou editais de licitação para dois trechos considerados críticos. O primeiro, entre Rurópolis e Santarém, prevê orçamento de R$ 463,2 milhões e prazo de execução de três anos. O segundo, entre Campo Verde e Rurópolis, envolve R$ 11,25 milhões destinados à atualização de projetos antes da contratação das obras, previstas para 2026. A avaliação do setor é que as intervenções são necessárias, mas tardias, e que a falta de manutenção acumulada comprometeu trechos que haviam sido recuperados há poucos anos.
Outro ponto sensível é a chamada Transportuária, ramal que conecta a BR-230 aos terminais privados de Miritituba. A via não é pavimentada, apresenta erosões frequentes e é considerada um gargalo estrutural. O Consórcio Via Brasil BR163, responsável pela concessão do trecho entre Sinop e Miritituba, prevê a construção de uma nova via de acesso, projetada do zero, com capacidade compatível ao fluxo atual e futuro de caminhões. As obras estão na fase inicial, e a concessionária estima concluir o novo acesso até outubro de 2026. Enquanto isso, empresas associadas à Amport vêm arcando com custos mensais para manter o ramal atual transitável, devido à ausência de definição sobre a responsabilidade legal da estrada.
Mesmo com essas limitações, o Arco Norte mantém trajetória de expansão e deve encerrar 2025 com nova participação recorde nas exportações de grãos. Operadores avaliam que, se os projetos rodoviários saírem do papel no ritmo previsto, a região poderá ultrapassar 40% de participação já nos próximos anos. A expectativa é que a combinação entre terminais mais eficientes, hidrovias estabilizadas e estradas recuperadas consolide o corredor como a rota dominante para o escoamento da produção do Centro-Oeste.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
Published
4 horas agoon
12 de setembro de 2026By
Da Redação
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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