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Aprosoja: Produtores de soja e milho poderão prorrogar parcelas de investimento agrícola

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Durante encontro com representantes da Aprosoja Brasil para debater soluções à crise de renda no campo, o ministro da Agricultura Carlos Fávaro anunciou a prorrogação de parcelas de investimento deste ano para produtores de soja e milho, uma das demandas da associação. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (20/3), em Brasília.

O ministro e sua equipe afirmaram que já acertaram detalhes técnicos com o Ministério da Economia e que o voto para a edição de resolução deve ser apreciado na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve ocorrer até o final de março.

Segundo ele, a resolução deve atender os produtores das atividades que estão enfrentando os problemas mais graves, dentre elas a soja, o milho e a pecuária leiteira e de corte. A forma de prorrogação vai depender da quantidade de parcelas a vencer. O ministro também afirmou que hoje já existe um limite de 8% da carteira de crédito que os bancos podem reprogramar sem a necessidade da resolução para atender estados ou culturas que não sejam contemplados.

Com relação à prorrogação de parcelas de custeio da safra e de recursos dos Fundos Constitucionais, embora ainda não possa ser anunciado, o ministro adiantou que a medida está sendo preparada pela sua equipe e pelo Governo. Da mesma forma, a previsão de Fávaro é de que saia ainda nesse mês.

A Aprosoja Brasil já havia solicitado uma suspensão do prazo de vencimento das parcelas por 180 dias para evitar que os produtores fiquem inadimplentes. De acordo com o presidente Antonio Galvan, mesmo os produtores que não tiveram frustração de safra também estão com problemas para pagar financiamentos por conta da baixa dos preços pagos à soja e ao milho.

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“O preço hoje pago pelo produto não comporta o custo de produção e o pagamento dos investimentos. A gente vai buscar esse alongamento das parcelas com base no Manual de Crédito Rural. Por mais que em muitos casos não sejam recursos púbicos, todo mundo que financia a agricultura brasileira sabe que os riscos são muito grandes. E pedimos encarecidamente que o Ministério promova uma mudança no próprio seguro agrícola, que é questionado há muitos anos e não atende as nossas necessidades”, afirmou.

Enquanto aguarda a edição da resolução do Conselho Monetário Nacional, a entidade orienta os produtores a procurarem sua agência bancária, munido dos documentos necessários e a entregarem solicitação de prorrogação das parcelas que não tenha condição de honrar.

“A nossa orientação é para que o produtor não deixe a parcela vencer, mas vá logo à sua agência bancária e solicite a prorrogação dessas parcelas mediante a apresentação de um laudo comprovando a frustração de safra, como previsto no Manual de Crédito Rural. E caso tenha dificuldade com a gerência do banco para entregar o pedido, avise a Aprosoja e nós iremos cobrar a diretoria do banco sobre o por que não estão cumprindo o Manual de Crédito”, alertou.

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Participaram do encontro presidentes e diretores da Aprosoja dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Piauí, Bahia e Tocantins. Acompanharam também o secretário de Política Agrícola Neri Geller, o Assessor Especial Carlos Ernesto Augustin e o secretário de Defesa Agropecuária Carlos Goulart.

Comissão de Agricultura

Ainda na quarta-feira (20/3) a comitiva da Aprosoja Brasil se reuniu com o novo presidente da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, deputado Vicentinho Jr (Progressistas – TO) para discutir soluções ao problema do endividamento.

O parlamentar se comprometeu a promover reuniões com o ministro Carlos Fávaro e demais autoridades envolvidas e a colocar na agenda da comissão, já na próxima semana, não só o debate público sobre a crise, mas a construção de propostas legislativas.

Banco do Brasil

Em seguida os representantes da Aprosoja se reuniram com a vice-presidência de agronegócios do Banco do Brasil. Na ocasião, os executivos do BB salientaram que já estão propondo parte das demandas apresentadas pela Aprosoja ao Governo.

O BB também está aguardando a Resolução do CMN e irá orientar as agências bancárias para procederem com a prorrogação das parcelas em aberto, de acordo com a capacidade de pagamento do produtor, com base no Manual de Crédito Rural.

Fonte: Aprosoja Brasil

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dólar em queda cria oportunidade para empresas reduzirem custos e fortalecerem estratégia cambial

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A recente queda do dólar frente ao real abriu uma nova janela estratégica para empresas brasileiras que atuam no comércio exterior, especialmente importadoras e indústrias dependentes de insumos internacionais. Com a moeda americana em patamares mais baixos ao longo de 2026, especialistas avaliam que o momento favorece redução de custos, renegociação de contratos e fortalecimento da gestão cambial.

Dados do Banco Central mostram que o fluxo cambial brasileiro acumulou superávit de US$ 16,7 bilhões até março de 2026, impulsionado principalmente pela entrada de capital estrangeiro e pelo diferencial de juros no Brasil. O cenário contribui para a valorização do real e altera diretamente o planejamento financeiro das empresas.

Real valorizado reduz custos e amplia margens operacionais

A queda do dólar tem impacto imediato sobre empresas que dependem de matérias-primas, equipamentos e produtos importados. Com a moeda americana mais barata, custos operacionais diminuem e as margens podem ganhar fôlego em diversos segmentos da economia.

Segundo Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em comércio exterior, câmbio e tecnologia, o cenário deve ser interpretado de forma estratégica pelas companhias.

“O dólar mais baixo não é apenas uma oportunidade de economizar. É um momento de reorganizar contratos, revisar fornecedores e estruturar uma política cambial mais inteligente”, afirma.

Além do ganho operacional, o movimento também influencia decisões relacionadas à expansão internacional, investimentos e formação de estoque.

Exportadores precisam redobrar atenção com receitas em dólar

Se por um lado a valorização do real beneficia importadores, por outro pressiona empresas exportadoras, que passam a converter receitas em dólar por valores menores em reais.

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O efeito pode comprometer competitividade e rentabilidade, especialmente em setores altamente dependentes das exportações.

Para o especialista, um dos erros mais comuns ainda é tratar o câmbio apenas como uma oportunidade momentânea.

“O erro mais comum é tratar o câmbio como algo pontual. Empresas aproveitam a cotação do dia, mas não constroem uma estratégia. Quando o ciclo vira, o impacto vem direto no caixa”, alerta Oliveira.

Empresas ampliam uso de hedge e gestão cambial

Com maior volatilidade global e influência crescente de fatores externos, empresas brasileiras vêm fortalecendo mecanismos de proteção financeira para reduzir exposição às oscilações cambiais.

Ferramentas como hedge, contratos a termo e diversificação de moedas ganham espaço nas estratégias corporativas, principalmente diante das incertezas envolvendo política monetária nos Estados Unidos, fluxo global de capitais e tensões comerciais internacionais.

Especialistas defendem que a gestão cambial deixe de ser tratada apenas como um custo operacional e passe a integrar o planejamento financeiro das empresas.

Cinco estratégias para aproveitar o dólar em baixa

Diante do cenário atual, especialistas apontam medidas que podem ajudar empresas a aproveitar o momento sem ampliar riscos financeiros:

  • Antecipação de importações: Com custos menores, empresas podem antecipar compras externas e formar estoques estratégicos a preços mais competitivos.
  • Revisão de contratos internacionais: A renegociação de contratos em dólar pode gerar redução relevante de despesas, principalmente em acordos recorrentes ou de longo prazo.
  • Proteção cambial: Mesmo com o dólar em queda, operações de hedge seguem fundamentais para reduzir exposição a futuras oscilações da moeda.
  • Diversificação de moedas: Ampliar operações para moedas como euro ajuda a reduzir dependência exclusiva do dólar e diminui vulnerabilidades cambiais.
  • Integração do câmbio ao planejamento financeiro: O acompanhamento contínuo do mercado cambial e o uso de tecnologia para projeção de cenários aumentam a previsibilidade e fortalecem a tomada de decisão.
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Gestão estratégica ganha protagonismo em cenário volátil

Para especialistas, empresas que transformam o câmbio em parte da estratégia corporativa tendem a atravessar períodos de volatilidade com maior estabilidade financeira.

“Não se trata de prever o dólar, mas de se preparar para qualquer direção que ele tome. Quem tem método não depende da sorte”, afirma Oliveira.

Além de reduzir custos financeiros e logísticos, o dólar mais baixo pode fortalecer a competitividade de empresas brasileiras no mercado interno. Ainda assim, analistas reforçam que o atual cenário cambial é cíclico e exige cautela.

“A vantagem existe, mas ela é temporária. O câmbio é cíclico. Empresas que usam esse período para estruturar processos saem fortalecidas. As que apenas aproveitam o preço do dia continuam vulneráveis”, conclui o executivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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