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Aplicativo facilita o manejo da irrigação e impulsiona a produção de frutas no campo goiano

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Tecnologia para o campo: um aplicativo inovador

A incerteza climática, especialmente em relação às chuvas, é um dos maiores desafios enfrentados pelos agricultores, principalmente pelos pequenos produtores. Segundo Lineu Neiva Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados, essa variação climática representa uma ameaça significativa à produção agrícola e aos objetivos globais de erradicação da pobreza, fundamentais para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esse impacto é ainda mais perceptível na agricultura familiar, que frequentemente não tem acesso a tecnologias avançadas, como a irrigação.

Embora a prática de irrigação tenha mais de 6 mil anos, como demonstrado pelos primeiros colonos da Mesopotâmia, sua implementação no Brasil ainda é limitada, especialmente entre os pequenos agricultores. A irrigação, no entanto, desempenha um papel essencial no aumento da produtividade agrícola, fornecendo segurança hídrica e possibilitando a produção durante períodos de seca, além de ampliar a diversidade de culturas, como frutas de alto valor agregado.

O papel da irrigação na agricultura familiar

A irrigação pode transformar a vida de mais de 5 mil famílias de agricultores assentados nas regiões de Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança, localizadas no Vão do Paranã, no Nordeste de Goiás. Esses produtores se preparam para dar um importante salto de desenvolvimento socioeconômico por meio da adoção da irrigação para a produção de frutas, com o apoio técnico da Embrapa Cerrados (DF).

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O projeto “Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã”, lançado em 2023 pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa/GO), tem como meta levar a irrigação a essas áreas, proporcionando o cultivo de frutas e, consequentemente, aumentando a produção agrícola em até 50%. Isso deve também gerar um aumento de 20 a 30% na renda das famílias de agricultores assentados.

Desafios e soluções tecnológicas para o manejo

O grande desafio do projeto é garantir que o uso da irrigação se torne uma prática sustentável e que os conhecimentos adquiridos sejam integrados pela comunidade local. Para isso, são necessárias estratégias de capacitação e a introdução de tecnologias modernas que possibilitem um manejo eficiente da irrigação, como a utilização consciente dos recursos hídricos.

A Embrapa Cerrados e a Codevasf desenvolvem, assim, o software “Irrigar para Desenvolver”, uma plataforma simples e prática para o manejo da irrigação. O objetivo é apoiar a agricultura familiar nos municípios de Flores de Goiás, São João d’Aliança e Formosa, áreas beneficiadas por projetos de reforma agrária. A ferramenta, de fácil manuseio, permite calcular automaticamente a lâmina de irrigação e o tempo necessário para a irrigação, com base em dados de estações agroclimatológicas.

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Aplicativo: praticidade e eficiência para o produtor rural

O aplicativo foi desenvolvido com foco na usabilidade e acessibilidade para os agricultores familiares. Em sua versão inicial, o programa atende principalmente as culturas de maracujá e manga e estará disponível, em breve, para os beneficiários dos projetos de reforma agrária no Vão do Paranã. O uso dessa tecnologia tem como expectativa facilitar a operacionalização do manejo de irrigação, promovendo o uso eficiente da água e contribuindo para a redução dos custos com energia.

Além disso, ao empoderar os produtores com a tecnologia de irrigação, o aplicativo também contribui para a inclusão digital no campo, especialmente para as mulheres, que se beneficiam da redução da carga de trabalho. O uso do aplicativo permitirá que os agricultores monitorem suas culturas e tomem decisões sobre o manejo da irrigação com a comodidade de um smartphone, trazendo mais praticidade e cidadania para a rotina rural.

Com essa inovação, a Embrapa Cerrados não só apoia a sustentabilidade da agricultura familiar, como também celebra seu papel na inclusão digital no meio rural, em um momento marcante, em que comemora seus 50 anos de existência, em 2025.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do arroz recua no Sul e setor alerta para distorção no mercado após leilões

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O mercado do arroz voltou a registrar queda nos preços pagos ao produtor na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, ampliando a preocupação do setor com uma possível distorção nas referências utilizadas pelo mercado físico. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, que aponta os recentes leilões como fator central para a pressão observada nas negociações.

Nos últimos dias, o arroz vinha sendo comercializado entre R$ 60 e R$ 62 por saca na região. No entanto, novos negócios já passaram a ocorrer em patamares entre R$ 57 e R$ 59, reduzindo a rentabilidade dos produtores em um momento de maior cautela no setor.

Segundo Cardoso, parte dessa movimentação ocorreu porque alguns produtores aceitaram operações com preços-base entre R$ 53 e R$ 55 por saca, impulsionados pela existência de prêmios que elevavam o valor final recebido para níveis próximos de R$ 63 e R$ 64.

Mercado físico sofre impacto de leitura considerada equivocada

De acordo com a análise do setor, o principal problema foi a forma como o mercado interpretou essas operações. Mesmo com os prêmios agregando valor ao resultado final, compradores passaram a considerar apenas o preço-base das negociações como referência para o mercado físico.

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Essa leitura acabou fortalecendo a percepção de que produtores estariam dispostos a vender arroz abaixo de R$ 60 sem resistência, aumentando a pressão sobre as cotações e reforçando o sentimento de excesso de oferta no mercado.

Com isso, compradores passaram a atuar de maneira mais cautelosa, reduzindo o ritmo das negociações e pressionando ainda mais os preços praticados nas principais regiões produtoras.

Leilões ajudaram na liquidez, mas afetaram referência de preços

O setor reconhece que os leilões tiveram papel importante na geração de liquidez para parte dos produtores, especialmente em um momento de necessidade de comercialização da safra. No entanto, a ausência dos prêmios nas negociações tradicionais altera significativamente a composição da rentabilidade final das operações.

Na prática, agentes do mercado avaliam que o impacto psicológico das operações acabou tendo peso maior do que os próprios fundamentos do arroz no mercado regional.

Mercosul já indica redução de área e produção

Apesar da pressão atual sobre os preços, o setor observa sinais de mudança nos fundamentos para a próxima temporada. Dados do Mercosul já apontam redução de área plantada e perspectiva de menor produção de arroz no próximo ciclo produtivo.

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Esse cenário pode limitar a oferta regional nos próximos meses e alterar o equilíbrio entre oferta e demanda, fator que poderá influenciar o comportamento das cotações futuramente.

Enquanto isso, o mercado segue monitorando a movimentação dos produtores, o comportamento dos compradores e os efeitos das referências formadas após os leilões recentes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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