AGRONEGÓCIO

Antecipar semeadura de pastagens no outono aumenta o ganho por hectare

Publicado em

O outono traz temperaturas mais amenas e também um desafio para os produtores: o vazio forrageiro. É uma época que começa a reduzir o ciclo do campo nativo e que a mudança no clima faz com que as plantas comecem a perder sua força de crescimento. Sem utilizar a tecnologia disponível, alguns produtores acabam com falta de alimento em suas fazendas.

Conforme o gerente Técnico da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, Armindo Barth Neto, muitos produtores acabam esperando demais para plantar as pastagens de inverno, especialmente quem trabalha com azevém, e plantam nos meses de maio e junho porque acham que essas pastagens precisam de temperatura mais fria para poder nascer e se estabelecer. “Este ano está um pouco mais quente, então muita gente acaba segurando, ainda mais que tem pouca semente disponível no mercado, com preços bastante elevados, pela dificuldade de produção no ano passado e pela forte incidência de chuvas que trouxe muita dificuldade de colheita dessas sementes”, relata Barth Neto. Segundo ele, para não errar, os produtores seguraram muito esse plantio para fazer a implementação no período que tem um pouco mais de temperatura baixa.

Leia Também:  Uso de Defensivos Agrícolas no Brasil Aumenta 10,5% em 2023, Revela Pesquisa do Sindiveg

Para reverter o quadro, ele indica antecipar a implementação das pastagens de inverno, e a dica vale para regiões da metade Sul do Rio Grande do Sul e até para a metade Norte. “Esta antecipação pode ser feita em meados de março e até mesmo agora, nesse momento que a gente está. Ainda é um bom período para estabelecer as pastagens de inverno, tanto aveia quanto azevém, plantados em separado ou em conjunto. É extremamente importante que a gente implemente essas pastagens, pelo menos parte das áreas, o quanto antes para que se consiga suprir ou começar o pastejo mais cedo e aí a gente tem um impacto menor dessa diminuição das pastagens de verão até entrar nas pastagens de inverno”, detalha o técnico da SIA.

Em termos de economia para o sistema, Armindo Barth Neto ressalta que o produtor ganha implementando a pastagem mais cedo, mesmo que muitos pensem que seja arriscado. “Por hectare, uma boa pastagem implementada com nível intermediário de tecnologia, a gente consegue acomodar facilmente três terneiros. Eles vão ganhar na casa de um quilo por dia, nestes trinta dias serão 90 quilos produzidos por hectare. Pegando o preço hoje do boi, de R$ 8,20, estamos falando em R$ 738,00 por hectare. O custo de uma pastagem hoje está na média de R$ 1.200,00. Com a antecipação, somente nestes primeiros 30 dias de pastejo já se consegue liquidar aproximadamente 60% destes custos”, calcula o técnico da SIA. Barth Neto finaliza indicando que os produtores devem utilizar este tipo de tecnologia, semear as pastagens mais cedo, para que tenham sempre que possível pasto produzindo folhas verdes, de preferência o ano todo.

Leia Também:  Abril começou bem: soja dispara impulsionada por Chicago e anima produtores

Fonte: Assessoria de Comunicação do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA Brasil)

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Brasil importa 73% das vacinas contra doença fatal no gado

Published

on

O Brasil colocou no mercado 9,98 milhões de doses de vacinas contra clostridioses em agosto, mas quase três em cada quatro vieram do exterior. Os dados mostram que a oferta mensal se manteve próxima de 10 milhões de doses, enquanto a produção nacional perdeu participação e aumentou a dependência das importações para proteger os rebanhos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 7,30 milhões de doses disponibilizadas no mês passado foram importadas, o equivalente a 73,16% do total. As fábricas brasileiras forneceram 2,68 milhões de doses, ou 26,84%.

Em julho, haviam sido colocadas no mercado 10,16 milhões de doses, das quais 60,31% eram importadas. Na passagem de um mês para o outro, a oferta total diminuiu 1,7%, mas a produção nacional caiu aproximadamente 34%. As importações cresceram 19% e sustentaram o abastecimento.

O balanço não significa necessariamente que as vacinas chegaram de forma regular a todas as regiões. O número divulgado pelo governo corresponde às doses liberadas para comercialização, e não à quantidade efetivamente vendida, distribuída em cada Estado ou aplicada nos animais.

O acompanhamento mensal começou depois de uma escassez registrada no início do ano. Fabricantes interromperam a produção e a comercialização de imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026, reduzindo a oferta em um mercado já concentrado. Desde então, o governo passou a acelerar a análise de lotes importados e a negociar com as empresas a ampliação da produção.

As clostridioses não são uma única doença. O nome reúne diferentes enfermidades provocadas por bactérias do gênero Clostridium e, principalmente, pelas toxinas produzidas por esses microrganismos. Entre as mais conhecidas estão o botulismo, o carbúnculo sintomático, chamado no campo de manqueira, a gangrena gasosa, a enterotoxemia e o tétano.

Essas bactérias conseguem formar esporos resistentes, que permanecem por longos períodos no solo, na água, em restos de animais e no ambiente das propriedades. Em determinadas condições, os microrganismos se multiplicam ou produzem toxinas que atingem o sistema nervoso, os músculos ou o aparelho digestivo dos animais.

Leia Também:  Endividamento aumenta entre as famílias em março

No botulismo, a toxina provoca paralisia progressiva, dificuldade para caminhar e engolir e, nos casos graves, parada respiratória. A contaminação pode ocorrer pelo consumo de água ou alimento impróprio e pelo contato com restos de animais em pastagens, silagens ou suplementos.

O carbúnculo sintomático atinge principalmente bovinos jovens e bem alimentados. A doença provoca febre, dificuldade de locomoção e inchaço dos músculos. A evolução é muito rápida e a mortalidade pode se aproximar de 100%. Em muitas ocorrências, o animal é encontrado morto antes que o produtor perceba sinais claros.

A enterotoxemia está associada à produção de toxinas no intestino e pode surgir após mudanças bruscas na alimentação, especialmente em sistemas intensivos. O tétano e a gangrena gasosa estão relacionados à contaminação de ferimentos, inclusive aqueles provocados por procedimentos de manejo.

As clostridioses geralmente não se espalham entre os animais da mesma forma que uma virose altamente contagiosa. O risco está na presença dos agentes no ambiente e na dificuldade de tratamento. Como a evolução costuma ser rápida, a vacinação preventiva é considerada a principal forma de controle.

O prejuízo começa com a morte do animal, mas não termina nela. O produtor perde o valor investido em genética, alimentação, medicamentos, mão de obra e tempo de criação. Também pode ter gastos com diagnóstico, descarte da carcaça, atendimento veterinário e revisão do manejo sanitário e nutricional.

Pelos preços atuais, um bezerro vale cerca de R$ 3,4 mil. Um bovino terminado com 18 arrobas pode superar R$ 6,2 mil, considerando a cotação do boi gordo próxima de R$ 347 por arroba. Em confinamentos, a perda inclui ainda toda a alimentação consumida até o momento da morte, o que torna o prejuízo maior conforme o animal se aproxima do abate.

Levantamentos realizados em confinamentos colocam as clostridioses entre as principais causas sanitárias de mortalidade. Em propriedades sem vacinação adequada, surtos de botulismo ou manqueira podem atingir vários animais em poucos dias e comprometer o resultado de um lote inteiro.

Leia Também:  Associação Nacional dos Exportadores de Cereais aumenta projeção de exportações de soja e milho do brasil para 8 milhões de toneladas em janeiro

Não existe uma estimativa oficial consolidada do prejuízo anual provocado por essas doenças em todo o País. O impacto nacional ocorre pela soma das mortes nas propriedades, da menor produção de carne e leite e do aumento das despesas sanitárias. Diferentemente da febre aftosa, as clostridioses não costumam provocar o fechamento generalizado de mercados internacionais, mas reduzem a eficiência econômica da pecuária.

Com um rebanho de aproximadamente 238 milhões de bovinos, além de milhões de ovinos e caprinos que também podem ser imunizados, o Brasil precisa de oferta contínua. Uma única aplicação nem sempre completa a proteção. Animais vacinados pela primeira vez geralmente precisam de dose inicial e reforço, conforme a idade, o produto utilizado e a orientação do médico-veterinário.

Por isso, não é possível comparar diretamente as quase 10 milhões de doses liberadas em agosto com o tamanho total do rebanho e concluir que o volume é suficiente ou insuficiente. A necessidade varia ao longo do ano e depende do histórico de vacinação, da categoria animal e dos riscos presentes em cada propriedade.

A retomada das importações reduziu o risco imediato de falta, mas a queda da produção nacional mantém o setor exposto a atrasos logísticos, oscilações cambiais e problemas nos países fornecedores. O desafio agora é garantir que a oferta permaneça regular e chegue às regiões pecuárias antes de ocorrerem falhas nos calendários de imunização.

O Mapa informou que trabalha com a indústria para ampliar a fabricação no País, viabilizar as importações e acelerar a fiscalização e a liberação dos produtos. Para o produtor, a orientação é não substituir ou adiar o protocolo por conta própria e procurar o médico-veterinário responsável para definir a vacina e o calendário adequados ao rebanho.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA