AGRONEGÓCIO

ANPII amplia seu escopo e passa a representar também empresas de biodefensivos

Publicado em

A Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) ampliará a sua atuação a partir deste ano, integrando não apenas empresas da área de inoculantes, mas também defensivos biológicos. Essa ampliação no escopo ocorre em meio a um cenário de crescimento no uso, produção e exportação desses produtos, solidificando o Brasil como um dos principais mercados globais de insumos biológicos. A mudança se deu após estudos e consultas aos associados, com aprovação por meio de Assembleia Geral no último mês de dezembro.

Desde sua fundação, em 1990, a ANPII atua como entidade representante oficial de inoculantes biológicos junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e desempenha um papel crucial na construção de uma legislação moderna e segura, possibilitando que o setor produtivo ofereça ao mercado produtos cada vez mais eficientes e inovadores, com biotecnologia de ponta aplicada à agricultura sustentável. São 24 empresas associadas que, juntas, desenvolvem e colocam no mercado bioinsumos que beneficiam os agricultores, ambiente e sociedade.

Dessa forma, a associação se alinhou à dinâmica natural do mercado, observando que a maioria das empresas associadas possui expertise tanto em inoculação quanto no uso de defensivos biológicos – essa segunda categoria, no entanto, carecia de uma representação mais expressiva. “Foi um movimento natural: o de integrar essa classe de produtos à abrangência de uma Associação consolidada, com 33 anos de existência e elevada influência nos setores acadêmico e regulatório”, explica Guilherme de Figueiredo, presidente da ANPII.

Atualmente a agricultura vive o que muitos especialistas chamam de “era dos biológicos” e, no Brasil, as empresas associadas da ANPII vivenciaram essa revolução. “Até pouco tempo atrás, existia um quadro bem definido – o de empresas que produziam inoculantes e o de empresas que produziam defensivos biológicos. Com a ampliação dos conhecimentos técnicos científicos, as empresas passaram a desenvolver produtos que servem para as duas finalidades: promover o desenvolvimento das plantas e, ao mesmo tempo, combater determinados agentes patológicos que prejudicam a sanidade das lavouras. Nesse cenário, a maior parte das empresas associadas passou a trabalhar tanto com bioinsumos para nutrição, quanto para defesa vegetal. Isso nos mobilizou para integrar a categoria de biodefensivos em nosso escopo de atuação”, continua Figueiredo.

Leia Também:  Justiça Eleitoral, Sesp-MT, Semob e empresas de transporte discutem operação e fiscalização no dia das eleições

Apesar do crescimento promissor, o setor enfrenta desafios, como a necessidade contínua de pesquisa e desenvolvimento, padronização de regulamentações e conscientização sobre os benefícios dos defensivos biológicos. “Mas esses desafios são também oportunidades para inovação e colaboração entre as empresas associadas. A ampliação do escopo da ANPII visa incorporar ainda mais indústrias, dando espaço a uma nova categoria, a de associados colaboradores, integrando empresas de inovação biotecnológica, laboratórios de bioanálises, entre outros”, ressalta.

O presidente da ANPII ainda afirma que a tendência mundial é a atuação multidisciplinar das empresas, focando em determinados segmentos para acompanhar a evolução da dinâmica da agricultura brasileira. “Assim, a expansão do escopo trará discussões importantes, como a Lei de Bioinsumos, refletindo o intenso trabalho profissional em curso para garantir a efetividade da produtividade agrícola de forma sustentável, conciliando produtividade com a proteção ambiental”, comenta. Figueiredo destaca ainda outro ponto importante: a ANPII realiza um importante trabalho de pesquisa e análise de dados do mercado de inoculantes biológicos. Com a ampliação do escopo, certamente em breve será possível gerar dados e ter mais pesquisas precisas sobre biodefensivos.

Marcos Rodrigues de Faria, pesquisador vinculado à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Meio Ambiente, enxerga com muito otimismo essa ampliação. “É urgente alinhar os interesses das empresas de bioinsumos com os interesses dos usuários desses produtos. Ao longo dos últimos anos, temos batido recordes quantitativos no mercado brasileiro de bioinsumos e, em especial, dos biodefensivos: número de produtos registrados, volume de vendas e taxa de crescimento anual do setor comparativamente a outros países. É chegada a hora de termos um boom qualitativo. O aumento de escopo da ANPII, que se somará a outros atores, fará com que tenhamos biodefensivos e, em especial, biodefensivos de natureza microbiológica, cada vez melhores”, relata.

Leia Também:  Brasil Amplia Exportação de Soja para a União Europeia na Safra 2023/24

No âmbito da pesquisa, Faria diz que, com a inserção dos biodefensivos no escopo da entidade, será possível realizar estudos ainda mais contundentes. “Precisamos que as pesquisas para o desenvolvimento desses produtos sejam também de alto nível, como a seleção de cepas microbianas mais eficazes que as atuais e com indicações de uso mais robustas, o que inclui doses funcionais e informações cientificamente embasadas acerca da compatibilidade dos biológicos com químicos”, continua. Ele também elenca que, com a ampliação, pode ser possível avançar pontos como a discussão técnica acerca dos protocolos para avaliação da eficácia agronômica, a revisão de algumas Especificações de Referência (ER), principalmente com os fungos entomopatogênicos, bem como as discussões acerca da harmonização dos protocolos para avaliação da qualidade de produtos comerciais.

Nesse sentido e levando em consideração a discussão desses e outros temas, a ANPII também passou a integrar, neste ano de 2024, a Câmara Temática de Insumos Biológicos – com isso espera-se, cada vez mais, o fortalecimento da atuação do setor no Brasil.

Fonte: 5P2R Marketing de Precisão

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

Published

on

A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

Leia Também:  StoneX projeta superávit global e estoques recordes de açúcar em 2025/26

O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

Leia Também:  Tecnologia amplia produtividade da safrinha de milho em 10,6 sacos por hectare

Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA