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AMA Brasil Se Manifesta Contra a Proposta de Alteração na Tarifa de Importação do Nitrato de Amônio

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A Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA Brasil), que representa mais de 60 empresas de fertilizantes em todo o território nacional, expressou sua oposição à proposta de alteração da tarifa de importação do nitrato de amônio. Este insumo é fundamental para a agricultura brasileira, e a entidade destaca sua importância na entrega eficiente de fertilizantes ao agricultor.

Com uma logística que permite o recebimento de 91% dos produtos importados através de diferentes portos, a AMA Brasil enfatiza que apenas 9% do insumo é produzido nacionalmente. O acesso aos fertilizantes estrangeiros pelo sistema portuário brasileiro proporciona uma distribuição racional, resultando em maior agilidade e economia no processo de entrega aos agricultores.

A proposta de elevar a alíquota de importação do nitrato de amônio de zero para 15% é considerada um retrocesso pela AMA Brasil. Essa mudança representaria um aumento significativo nos custos do fertilizante, uma vez que atualmente existe apenas uma produtora nacional do nitrato de amônio, localizada em Piaçaguera (Cubatão-SP). Essa multinacional tem limitações logísticas, operando principalmente por rodovia e produzindo anualmente 416 mil toneladas, das quais apenas 35% são destinadas à fabricação de fertilizantes.

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O nitrato de amônio é um fertilizante crucial para culturas como cana-de-açúcar e café. O Brasil consome anualmente cerca de 1,5 milhão de toneladas desse insumo, das quais 85% são importadas e apenas 15% são oriundas da produção nacional.

A proposta de alteração da alíquota afetará diretamente os custos das culturas agrícolas que dependem do nitrato de amônio, sem apresentar um planejamento efetivo para o aumento da produção nacional. Segundo a AMA Brasil, esse aumento de custos trará impactos econômicos negativos aos agricultores.

Vários setores do agronegócio têm se manifestado contra a medida, afirmando que, caso seja implementada, beneficiará apenas os interesses de uma produtora multinacional que contribui pouco para a agricultura nacional. Com produção superior a 3 milhões de toneladas anuais em suas unidades globais, essa empresa transferirá divisas para o exterior sem previsão de investimentos para aumentar a produção local.

Diversas entidades contrárias à alteração da alíquota têm se manifestado por meio de ofícios endereçados aos órgãos federais. Entre elas estão a AMA Brasil, o Instituto Pensar Agropecuário (IPA), que conta com 34 importantes entidades e empresas associadas, a Organização Cooperativista do Brasil (OCB), representante de 1.185 cooperativas, além de outras instituições de destaque que assinaram o manifesto em rejeição à proposta.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Sudeste supera Centro-Oeste em custo alimentar e confinamento registra lucro recorde em 2026

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O custo alimentar do confinamento bovino no Brasil apresentou uma mudança inédita na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026. Pela primeira vez no ano, o Sudeste registrou custo inferior ao Centro-Oeste, segundo dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).

O indicador, baseado em dados reais de confinamentos que representam cerca de 62% das cabeças confinadas no país, evidencia uma nova configuração de competitividade regional, ao mesmo tempo em que a atividade atinge níveis recordes de rentabilidade.

Sudeste registra menor custo alimentar e quebra padrão histórico

Em março, o ICAP no Centro-Oeste fechou em R$ 13,23 por cabeça/dia, alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelo encarecimento de insumos energéticos e volumosos.

Já no Sudeste, o índice foi de R$ 12,19, com recuo de 3,64% no mesmo período. O resultado consolidou a tendência de queda iniciada em fevereiro e marcou a inversão regional, com diferença de R$ 1,04 a favor do Sudeste.

Na comparação anual, ambas as regiões apresentam redução de custos. O Centro-Oeste acumula queda de 4,89%, enquanto o Sudeste registra recuo mais expressivo de 8,14% frente a março de 2025.

Insumos pressionam custos no Centro-Oeste

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.

Os principais movimentos foram:

  • Volumosos: alta de 21,02%
  • Energéticos: alta de 12,35%
  • Proteicos: estabilidade (-0,30%)

O aumento foi impulsionado principalmente pelos energéticos, com destaque para o milho grão seco (+2,2%) e o sorgo (+6,9%), em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha.

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Nos volumosos, a elevação foi puxada pela silagem de capim (+30,4%), mesmo com recuos em itens como a silagem de milho (-8,1%).

Sudeste reduz custos com maior oferta de insumos

No Sudeste, o custo alimentar encerrou março 1,79% abaixo da média trimestral, influenciado principalmente pela queda nos insumos energéticos e proteicos.

Os destaques foram:

  • Energéticos: queda de 8,74%
  • Proteicos: queda de 5,11%
  • Volumosos: alta de 43,75%

Entre os energéticos, houve recuo no preço do sorgo (-15,3%) e do milho (-1,5%), reflexo da maior disponibilidade e competitividade de coprodutos agroindustriais.

Nos proteicos, a redução foi puxada pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%). Apesar da forte alta nos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), o custo total da dieta foi reduzido na região.

Rentabilidade do confinamento atinge níveis recordes

A relação entre custo alimentar e preço da arroba manteve o confinamento em um dos melhores momentos de lucratividade da série recente.

No mercado físico:

  • Centro-Oeste
    • Custo da arroba produzida: R$ 192,76
    • Preço da arroba: R$ 345,00
    • Lucro: R$ 1.278,79 por cabeça
  • Sudeste
    • Custo da arroba produzida: R$ 193,50
    • Preço da arroba: R$ 350,00
    • Lucro: R$ 1.267,65 por cabeça

As duas regiões registraram crescimento superior a 24% na rentabilidade em relação a fevereiro, com margens acima de R$ 1,2 mil por animal.

Convergência de custos e competitividade entre regiões

Outro destaque foi a forte aproximação no custo por arroba produzida entre as regiões. A diferença caiu para apenas R$ 0,74 em março, ante mais de R$ 17 no mês anterior.

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Esse movimento indica uma equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste, reforçada também por um empate técnico na lucratividade — com diferença inferior a R$ 12 por cabeça.

No mercado de exportação, o Sudeste apresenta leve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.324,35 por animal, impulsionado por preços mais elevados do boi destinado à China.

Inversão de custos levanta dúvidas sobre tendência para 2026

A mudança no padrão regional de custos, considerada atípica para a pecuária brasileira, levanta questionamentos sobre sua continuidade.

Enquanto o Centro-Oeste foi pressionado pela alta dos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), o Sudeste se beneficiou da queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), favorecida pela maior oferta de coprodutos.

A consolidação ou não desse novo cenário dependerá, principalmente, do desempenho da safrinha de milho ao longo do ano.

ICAP se consolida como ferramenta estratégica no confinamento

O ICAP é calculado com base em dados de confinamentos monitorados por tecnologias de gestão, incluindo sistemas amplamente utilizados no Brasil.

O índice reúne milhões de registros de alimentação animal e permite acompanhar mensalmente a evolução dos custos nas principais regiões produtoras.

Segundo especialistas, a ferramenta tem se consolidado como apoio estratégico para decisões de compra de insumos, análise de viabilidade econômica e planejamento da atividade de confinamento.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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