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Alta do diesel e dos fertilizantes pressiona custos e contratos no agronegócio

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Custos mais altos desafiam o agronegócio brasileiro

A recente alta nos preços do diesel e dos fertilizantes abriu uma nova frente de preocupação no agronegócio brasileiro. O impacto vai além do aumento dos custos de produção, afetando diretamente o plantio, a colheita, o transporte e a sustentabilidade financeira das operações no campo.

O cenário, influenciado por fatores internacionais ligados à energia e aos insumos, tem tornado os custos menos previsíveis, pressionando o caixa dos produtores e exigindo maior cautela na gestão financeira.

Contratos ganham papel estratégico diante da volatilidade

Com a elevação dos custos, contratos firmados anteriormente passaram a ser alvo de reavaliação por produtores, tradings e empresas do setor. A preocupação envolve cláusulas, garantias e responsabilidades assumidas em um contexto de mercado diferente do atual.

Segundo André Aidar, sócio e Head de Direito do Agronegócio do Lara Martins Advogados, os contratos devem ser tratados como ferramentas estratégicas de gestão de risco, e não apenas como formalidades.

Ele destaca que a legislação brasileira permite a revisão contratual em situações de desequilíbrio provocado por fatos extraordinários e imprevisíveis, mas alerta que isso não autoriza o descumprimento automático dos acordos.

Negociação é o caminho mais seguro para reequilíbrio

Diante desse cenário, a recomendação é buscar renegociações baseadas em dados concretos, como planilhas e documentos que comprovem o impacto da alta dos custos.

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A abordagem transparente tende a preservar relações comerciais e reduzir o risco de disputas judiciais, especialmente em um momento de maior fragilidade econômica no setor.

Diesel eleva risco logístico e pode afetar a safra

O aumento do preço do diesel também preocupa pela possibilidade de comprometer a logística agrícola. A eventual escassez de combustível pode afetar desde o funcionamento de máquinas até o transporte de grãos e insumos.

A responsabilização por atrasos ou falhas dependerá do que foi estabelecido em contrato. Em situações normais, problemas operacionais recaem sobre quem executa o serviço, mas, em caso de escassez generalizada, esse entendimento pode mudar.

Segundo especialistas, eventos fora do controle direto dos operadores logísticos tendem a reduzir a responsabilização por atrasos.

Falhas contratuais aumentam risco de litígios

Momentos de crise costumam evidenciar fragilidades já existentes nos contratos. A ausência ou fragilidade de cláusulas como força maior e hardship pode ampliar significativamente o risco de disputas judiciais.

Contratos genéricos ou mal estruturados deixam produtores e empresas mais expostos justamente em períodos de maior instabilidade.

Crédito mais caro e complexo exige cautela

Com o aumento dos custos, cresce também a necessidade de capital de giro. Nesse contexto, produtores têm buscado alternativas de crédito privado, mas especialistas alertam para a importância de uma análise cuidadosa.

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Entre os instrumentos mais utilizados estão as Cédulas de Produto Rural (CPRs), especialmente as de entrega física, que podem ampliar o risco em um cenário de incerteza sobre custos e produtividade.

Estruturas mais flexíveis e com mecanismos de proteção de preços tendem a ser mais seguras para o produtor.

Fiagros ganham espaço, mas exigem atenção

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais têm ampliado sua presença no financiamento do agronegócio. No entanto, a análise dessas operações deve ir além das taxas oferecidas.

Aspectos como governança, nível de influência do investidor e acúmulo de garantias precisam ser considerados antes da contratação.

Gestão de risco será decisiva nos próximos meses

A combinação de diesel mais caro, fertilizantes em alta e crédito mais complexo impõe um momento de reorganização para o agronegócio brasileiro.

Mais do que buscar financiamento, o setor precisa fortalecer a gestão de risco e aprimorar a tomada de decisão, especialmente em contratos que envolvem entrega futura, logística e garantias.

A forma como essas estruturas forem definidas agora poderá determinar o nível de inadimplência no futuro e até evitar medidas mais severas, como processos de recuperação judicial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mato Grosso lidera produção de soja sustentável e leva Brasil a superar 2 milhões de hectares certificados

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O Brasil consolidou sua posição como uma das principais referências mundiais em produção sustentável de soja. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 2 milhões de hectares certificados pelo padrão da Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS), registrando crescimento de 28% em comparação ao ano anterior.

O avanço demonstra o fortalecimento das práticas sustentáveis no campo e amplia a capacidade brasileira de atender mercados cada vez mais exigentes em critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).

Mato Grosso mantém liderança nacional em soja certificada

Maior produtor de soja do Brasil, Mato Grosso segue na liderança da certificação RTRS. O estado contabiliza mais de 1,22 milhão de hectares certificados e produção superior a 4,9 milhões de toneladas de soja sustentável.

O desempenho mato-grossense reforça a importância do estado para o abastecimento dos mercados internacionais que demandam produtos com rastreabilidade e garantia de produção responsável.

Segundo a RTRS, a liderança é resultado da combinação entre elevada escala produtiva, infraestrutura logística estratégica e forte atuação de empresas e organizações comprometidas com a sustentabilidade agrícola.

Logística e inovação impulsionam certificação

De acordo com Cid Sanches, consultor de Desenvolvimento de Mercado e Relacionamento Institucional da RTRS no Brasil, o avanço da certificação em Mato Grosso também está ligado à presença de agentes multiplicadores e ao perfil empresarial dos produtores rurais.

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A atuação de empresas como a Amaggi e de iniciativas regionais de capacitação tem contribuído para ampliar a adesão ao programa.

Outro diferencial está na logística. Grande parte da soja destinada ao mercado europeu é exportada pelos portos do Arco Norte, incluindo Santarém, Manaus e Belém, fator que fortalece a competitividade da produção certificada.

Além disso, o estado reúne produtores com alto grau de profissionalização e maior predisposição à adoção de tecnologias, inovação e processos de certificação.

Matopiba ganha força na agricultura sustentável

Além de Mato Grosso, os estados do Matopiba seguem ampliando sua participação na produção de soja certificada.

Maranhão, Piauí e Bahia aparecem entre os cinco maiores produtores RTRS do país, consolidando a região como uma das principais fronteiras da agricultura sustentável brasileira.

Segundo a RTRS, a predominância de grandes propriedades agrícolas favorece ganhos de escala e torna a implementação da certificação mais eficiente, permitindo que cada unidade produtiva represente um volume expressivo de área certificada.

Brasil ainda tem espaço para ampliar área certificada

Apesar do crescimento expressivo, a certificação RTRS ainda representa uma parcela relativamente pequena da área total cultivada com soja no país.

A entidade avalia que estados da Região Sul, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, possuem potencial para ampliar significativamente sua participação nos próximos anos, seguindo o exemplo do Paraná, onde cooperativas agrícolas vêm desempenhando papel importante na expansão da certificação.

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Para a RTRS, o avanço da soja sustentável envia uma mensagem clara ao mercado internacional: o Brasil possui capacidade de ampliar a oferta de soja produzida sob critérios rigorosos de sustentabilidade sempre que houver demanda.

Ranking dos estados com maior produção RTRS em 2025
  • 1º Mato Grosso
    • Produção: 4,91 milhões de toneladas
    • Área certificada: 1.228.631 hectares
  • 2º Maranhão
    • Produção: 938 mil toneladas
    • Área certificada: 219.108 hectares
  • 3º Piauí
    • Produção: 820,5 mil toneladas
    • Área certificada: 181.568 hectares
  • 4º Goiás
    • Produção: 525 mil toneladas
    • Área certificada: 114.685 hectares
  • 5º Bahia
    • Produção: 388,3 mil toneladas
    • Área certificada: 91.654 hectares
Soja sustentável fortalece competitividade brasileira

O crescimento contínuo da certificação RTRS demonstra que a sustentabilidade está cada vez mais integrada à estratégia do agronegócio brasileiro. Com mais de 2 milhões de hectares certificados, o país reforça sua posição como fornecedor global de soja produzida com responsabilidade ambiental, social e econômica, ampliando oportunidades comerciais e agregando valor à produção nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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