AGRONEGÓCIO

Alta de custos de combustíveis e fertilizantes pressiona governo a rever mistura de biodiesel

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O governo deve decidir nesta quinta-feira (19.03), se antecipa a alta da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, em meio à disparada dos custos de combustíveis e fertilizantes provocados pela guerra no Oriente Médio. O tema volta ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em plena colheita de soja e plantio das culturas de inverno, período em que o diesel pesa mais na caixa do produtor.

Hoje, a mistura está em 15% (B15), mas o cronograma da Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) já anterior B16 a partir de 1º de março, com avanço de um ponto por ano até chegar a B20 em 2030. Entidades do setor cobram previsibilidade e características que o atraso reduz a capacidade de ocorrência do país às oscilações do petróleo e aumenta a dependência do diesel importado.

Na frente política, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levou à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) um pacote de medidas para conter o impacto da guerra sobre o custo da safra. Entre as propostas estão aumentar a mistura diretamente para 17% (B17) e zerar a alíquota de 8% do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) sobre fertilizantes, numa tentativa de aliviar o custo de importação dos insumos. A CNA também quer reforçar a fiscalização das distribuidoras, com acesso a dados de órgãos reguladores para coibir eventuais abusos de preços no diesel.

O panorama de fundo é um choque simultâneo em energia e fertilizantes. No mercado internacional, o conflito no Oriente Médio elevou o preço futuro da uréia em mais de 30% desde o início das hostilidades, enquanto o petróleo renovou topos recentes, instruindo o custo do diesel. Como o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, a volatilidade no Golfo Pérsico rapidamente se traduz em insumos mais caros para a próxima safra.

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Do lado da oferta de biocombustíveis, uma indústria sustentável que tem folga para avançar com segurança. Segundo entidades que reúnem produtores e capacidades de óleos vegetais, a instalação atual permitiria misturas superiores às hoje em vigor, com espaço para elevação gradual até o limite de 25% previsto na lei para os próximos anos, desde que haja validação técnica. Mais de 40 associações ligadas ao agronegócio e à indústria se uniram à carta ao governo defendendo a adoção do B17, argumentando que o aumento da mistura ajudaria a reduzir a necessidade de importação de diesel em um momento de petróleo caro.

Enquanto o CNPE discute o curto prazo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avança em estudos para misturas ainda mais robustas no prazo médio. A diretoria da agência aprovou a participação em uma rede de pesquisa que vai testar, em laboratório e campo, gasolina com 35% de etanol (E35) e diesel com 25% de biodiesel (B25), entre outros cenários. O projeto, com apoio dos ministérios de Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia, tem orçamento de cerca de R$ 30 milhões até 2027 e deve servir de base técnica para futuras decisões do próprio CNPE.

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Sem etanol, o quadro é mais favorável à expansão rápida da oferta. Em nota recente, entidades do setor projetam que a safra 2026/27 deve colocar no mercado quase 4 bilhões de litros adicionais de etanol, volume próximo ao total de gasolina importada pelo Brasil em 2025. Segundo o setor, o biocombustível já responde por mais de 30 bilhões de litros de “gasolina equivalente” por ano e, na maior parte das praças, tem se definido abaixo da paridade de 73% em relação à gasolina, acumulando economia de bilhões de reais para o consumidor desde a popularização dos veículos flex.​

Para o produtor rural, o resultado desse debate em Brasília tem efeito direto na conta da próxima safra. Um eventual B17 tende a ampliar a demanda por óleo vegetal e por grãos usados ​​na produção de biodiesel, ao mesmo tempo em que reduz a exposição do país à importação de diesel em plena janela de plantio e colheita. Já a redução do AFRMM sobre fertilizantes ajudaria a neutralizar parte da alta recente da uréia, hoje pressionada por um conflito distante no mapa, mas cada vez mais presente nos custos da labora brasileira.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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