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Algodão sofre pressão cambial no Brasil apesar da alta no mercado internacional

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O mercado do algodão atravessa uma fase de contrastes entre os cenários interno e externo. Enquanto as cotações internacionais registram avanços impulsionados pelo petróleo, os preços no Brasil seguem pressionados pela desvalorização do dólar frente ao real, o que reduz a paridade de exportação e a atratividade das vendas externas.

Dólar mais fraco reduz competitividade e pressiona mercado interno

De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do algodão em pluma no mercado brasileiro vêm recuando nas últimas semanas. A queda do dólar tem diminuído a rentabilidade das exportações, tornando o produto nacional menos competitivo no mercado global.

Com a valorização do real, os contratos domésticos perdem sustentação, mesmo diante de um cenário internacional mais firme. A menor paridade de exportação leva produtores a segurar negócios, aguardando condições cambiais mais favoráveis.

Cotações externas avançam com suporte do petróleo

No exterior, o algodão vem registrando valorização nas principais bolsas, em especial na Intercontinental Exchange (ICE), em Nova York. O avanço do petróleo tem dado suporte ao complexo de fibras, influenciando diretamente os preços da commodity.

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Ainda assim, o Cepea destaca que essa elevação externa não tem sido suficiente para impulsionar os valores no mercado brasileiro, que permanecem em trajetória de queda. O câmbio mais desfavorável segue como principal fator limitante para ganhos internos.

Abertura e fechamento de mercado mostram volatilidade

Na sessão desta quarta-feira (25), o mercado futuro do algodão iniciou o dia em movimento misto. O contrato março/26 era cotado a 63,56 cents por libra-peso, acumulando queda de 1,22% em relação à abertura anterior. O vencimento maio/26 subiu para 66,27 cents/lb, enquanto o julho/26 registrou 67,86 cents/lb, ambos com leves altas.

Na véspera, terça-feira (24), o pregão havia encerrado com comportamento semelhante. O contrato mais curto (março/26) fechou em 63,15 cents/lb, com recuo de 41 pontos (-0,65%), enquanto os vencimentos de maio/26 e julho/26 avançaram, respectivamente, para 65,50 cents/lb (+0,55%) e 67,14 cents/lb (+0,48%).

O movimento indica ajustes técnicos e reposicionamento de investidores, com pressão sobre os contratos próximos e sustentação nos mais longos, refletindo cautela em relação ao ritmo da demanda global e às projeções de oferta.

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Safras em momentos distintos entre hemisférios

No campo, o setor vive fases diferentes entre os hemisférios. No Brasil, produtores estão concentrados na finalização da semeadura da safra 2025/26, enquanto no Hemisfério Norte já se iniciam os preparativos para a temporada 2026/27.

As estimativas iniciais indicam que a próxima safra internacional pode ser menor do que a atual, fator que poderá impactar a formação dos preços nos próximos meses. Com isso, o mercado segue atento à combinação entre câmbio, petróleo e perspectivas de produção para definir o rumo das cotações no curto e médio prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair em 2026 com impacto do El Niño e custos elevados

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A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar nova retração em 2026, em meio a um cenário de custos elevados, menor atratividade econômica e aumento da percepção de risco climático associado ao fenômeno El Niño. A semeadura já teve início no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as principais cultivares.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário inicial indica redução significativa da área cultivada em relação ao ciclo anterior, com impacto direto sobre o planejamento das lavouras.

Avanço inicial do plantio ocorre com limitações de umidade

As condições de tempo seco têm favorecido operações de manejo da resteva, dessecação e preparo de solo, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, a baixa umidade do solo em diversas regiões tem dificultado a germinação e emergência das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares.

Na safra anterior, o Estado cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção de 3,45 milhões de toneladas e produtividade média de 2.968 kg/ha, segundo dados do IBGE.

Fatores econômicos e climáticos pressionam decisão dos produtores

Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de redução da área está ligada a três fatores principais: custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e maior percepção de risco climático durante o inverno e a primavera.

Mesmo com esse cenário, parte dos produtores tem optado por antecipar a semeadura em áreas sem financiamento ou seguro rural, buscando posicionar fases críticas da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, fora dos períodos de maior intensidade de chuvas da primavera.

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Regiões gaúchas apresentam comportamento desigual na safra

Na Fronteira Oeste, municípios como Manoel Viana e São Borja registram avanço lento da semeadura. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações para melhorar a umidade do solo. Em São Borja, cresce o número de desistências do cultivo, impulsionado pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados e exigências de qualidade.

Na região da Campanha, produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparo do solo, com expectativa de início mais intenso do plantio no fim de junho.

Na Serra Gaúcha, a semeadura ainda não começou. Em Caxias do Sul, o plantio deve ocorrer entre a segunda quinzena de junho e início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração das atividades ocorre ao longo de julho. A estimativa regional aponta retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Já na regional de Frederico Westphalen, a projeção inicial indica redução próxima de 20% na área plantada.

Avanço da semeadura ainda é pontual em algumas regiões

Em Ijuí, cerca de 7% da área projetada já foi semeada. As sementes encontram-se em fase de embebição, sem emergência observada até o momento. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e por melhores condições operacionais do solo, além da continuidade dos trabalhos de dessecação para controle de plantas espontâneas.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 6% da área prevista, concentrada principalmente em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de menor incidência de geadas também tem estimulado a antecipação do plantio.

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Em Soledade, a projeção é de redução superior a 30% da área cultivada, com cerca de 7% já semeada até o momento.

Mudanças estruturais e migração de culturas

O boletim da Emater destaca ainda mudanças no perfil produtivo regional. Empresas do setor energético vêm incentivando o cultivo de grãos voltados à produção de etanol, o que tem estimulado a substituição parcial do trigo destinado à indústria alimentícia.

Além disso, a baixa disponibilidade de crédito e menor acesso a sementes fiscalizadas têm levado ao aumento do uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Em algumas regiões, produtores também têm migrado para culturas alternativas como canola, carinata, linhaça e painço, diante da maior previsibilidade econômica dessas atividades.

Tendência de retração marca safra 2026

A combinação entre fatores climáticos, econômicos e estruturais reforça a expectativa de retração da safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2026. Mesmo com o início do plantio dentro do período recomendado pelo ZARC, o cenário aponta para uma reconfiguração da cultura no Estado, com menor área e maior seletividade produtiva.

A evolução das chuvas nas próximas semanas e o comportamento do mercado serão determinantes para o ritmo final da semeadura e para o tamanho efetivo da safra gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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