AGRONEGÓCIO
Agroquímicos ilegais avançam nas fronteiras e desafiam fiscalização no Brasil
Publicado em
11 de junho de 2026por
Da Redação
O combate ao mercado ilegal de defensivos agrícolas segue sendo um dos principais desafios para a segurança da produção agropecuária brasileira. Dados divulgados pela CropLife Brasil mostram que 230 toneladas de agroquímicos ilegais foram incineradas e descartadas de forma ambientalmente adequada em 2025, após operações de apreensão realizadas por órgãos de fiscalização e repressão em diferentes regiões do país.
O volume faz parte de uma estratégia contínua para retirar de circulação produtos sem registro, falsificados ou contrabandeados, que representam riscos à agricultura, ao meio ambiente e à saúde pública.
Mais de 1,6 mil toneladas destruídas em seis anos
Segundo o levantamento da entidade, aproximadamente 1,6 mil toneladas de defensivos agrícolas ilegais foram destinadas à destruição entre 2020 e 2025. O resultado é fruto de 49 ações de cooperação entre a CropLife Brasil e os órgãos responsáveis pela fiscalização.
Para efeito de comparação, a quantidade acumulada ao longo dos últimos seis anos corresponde a mais de dois terços do volume de uma piscina olímpica.
Apesar da relevância dos números, o total destruído em 2025 ficou 30% abaixo do registrado em 2024, quando cerca de 330 toneladas foram encaminhadas para descarte.
De acordo com a entidade, a redução acompanha a queda no volume de apreensões realizadas pelas autoridades ao longo do período.
Sudeste concentra produtos falsificados
O mapeamento das ocorrências aponta que a região Sudeste lidera as apreensões de defensivos agrícolas falsificados, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais.
Já os casos relacionados ao contrabando estão concentrados principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, especialmente em áreas próximas às fronteiras com Argentina e Paraguai, rotas historicamente utilizadas para a entrada irregular desses produtos no território nacional.
Especialistas alertam que os defensivos ilegais não possuem eficiência agronômica comprovada e podem causar prejuízos significativos à produtividade das lavouras, além de aumentar os riscos de contaminação ambiental e exposição de trabalhadores rurais a substâncias desconhecidas.
Mercado ilegal ainda representa parcela significativa do setor
Estimativas do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras indicam que cerca de 25% do mercado brasileiro de defensivos agrícolas seja composto por produtos ilegais.
O percentual evidencia a dimensão do problema e reforça a necessidade de ações integradas entre órgãos de segurança, fiscalização, setor produtivo e indústria para combater a comercialização irregular de insumos agrícolas.
Destruição segue rigorosos protocolos ambientais
Após as apreensões, os produtos passam por um processo controlado que inclui manuseio especializado, reacondicionamento, armazenamento e transporte a partir dos Depósitos de Mercadorias Apreendidas até as unidades autorizadas para destinação final.
A etapa de destruição ocorre em instalações licenciadas, por meio de incineração em temperaturas superiores a 900°C, garantindo a eliminação segura dos resíduos e reduzindo os impactos ambientais.
O avanço do mercado ilegal nas regiões de fronteira continua sendo motivo de preocupação para o agronegócio brasileiro, especialmente diante dos riscos que esses produtos representam para a competitividade, a sustentabilidade e a segurança da produção agrícola nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Senado aprova projeto de renegociação de dívidas rurais e amplia apoio financeiro aos produtores
Published
4 minutos agoon
11 de junho de 2026By
Da Redação
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que estabelece medidas para a renegociação das dívidas dos produtores rurais em todo o Brasil. A proposta, considerada estratégica para o agronegócio, cria instrumentos de apoio financeiro para agricultores e pecuaristas afetados pela combinação de juros elevados, queda das commodities, oscilações cambiais e adversidades climáticas.
O texto recebeu aval do Plenário após intensas negociações entre parlamentares e representantes do governo federal. Apesar das discussões com o Ministério da Fazenda, não houve consenso sobre a matéria. Agora, o projeto retorna à Câmara dos Deputados para nova análise.
Setor agropecuário enfrenta cenário de pressão financeira
Durante a votação, lideranças da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram que o agronegócio atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Entre os fatores apontados estão a redução dos preços internacionais das commodities agrícolas, o aumento do custo do crédito rural, a valorização do real frente ao dólar em relação ao período de plantio e os impactos climáticos registrados em diversas regiões produtoras.
Segundo parlamentares da bancada ruralista, a medida é necessária para evitar um agravamento da inadimplência no campo e garantir condições para que os produtores mantenham a capacidade de investimento e produção nas próximas safras.
Nova linha de crédito terá recursos de fundos constitucionais e do Fundo Social
Entre os principais pontos do projeto está a criação de uma linha especial de financiamento destinada à renegociação de débitos rurais. Os recursos poderão ser provenientes do Fundo Social e dos fundos constitucionais de financiamento, especialmente para atender produtores das regiões Norte e Nordeste.
O texto aprovado prevê que a utilização desses recursos seja autorizativa, sem estabelecer um limite financeiro específico para sua aplicação.
Condições favorecem recuperação financeira dos produtores
As regras definidas para a nova linha especial de crédito oferecem condições diferenciadas para os beneficiários:
- Taxas de juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor;
- Limite de financiamento de até R$ 10 milhões por produtor rural;
- Limite de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações;
- Prazo de pagamento de até 10 anos;
- Carência de três anos para início da amortização;
- Possibilidade de extensão do prazo total para até 15 anos em situações específicas.
A expectativa dos defensores da proposta é que as condições oferecidas permitam a reorganização financeira de milhares de produtores que enfrentam dificuldades para honrar compromissos junto às instituições financeiras.
Relatório amplia alcance da medida até 2026
O texto final incorporou alterações que ampliam o alcance da renegociação. Entre elas está a inclusão de operações de crédito rural que tenham sido renegociadas ou prorrogadas até 30 de abril de 2026, desde que estivessem adimplentes no momento da contratação.
A mudança busca contemplar um número maior de produtores que tiveram suas operações afetadas por fatores externos ao longo dos últimos ciclos agrícolas.
Educação e saúde ficam preservadas
Uma das preocupações levantadas durante as negociações envolvia o possível impacto da utilização dos recursos do Fundo Social sobre áreas prioritárias do orçamento público.
Para evitar esse efeito, o relatório reforçou dispositivos que garantem a preservação dos recursos destinados à educação e à saúde, mantendo a destinação constitucional dessas áreas.
Agronegócio reforça importância econômica da medida
Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que a renegociação das dívidas rurais representa um investimento na sustentabilidade econômica do setor agropecuário brasileiro.
O agronegócio segue como um dos principais motores da economia nacional, respondendo por parcela significativa das exportações, da geração de empregos e da formação do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo representantes da FPA, a recuperação financeira dos produtores é considerada essencial para assegurar a continuidade da produção, a oferta de alimentos e a competitividade do Brasil nos mercados internacionais.
Com a aprovação no Senado, o setor agora acompanha a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, onde a expectativa é de que a matéria avance rapidamente diante da urgência apontada pelas lideranças do agro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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