AGRONEGÓCIO

Agroindústria Cresce 2% em 2024, Apesar de Desaceleração no Fim do Ano

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A agroindústria brasileira encerrou 2024 com crescimento de 2%, apesar da desaceleração registrada nos últimos meses do ano. Segundo o Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro), a produção em novembro e dezembro ficou abaixo do mesmo período de 2023, sinalizando desafios para o setor em 2025.

O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), calculado pelo FGV Agro, apresentou retração de 3,1% em novembro e 0,5% em dezembro. No entanto, o desempenho positivo ao longo do primeiro semestre garantiu um avanço de 2% no acumulado do ano, o melhor resultado desde 2010.

Setor de produtos não alimentícios lidera crescimento

A indústria de produtos não alimentícios registrou o maior crescimento do setor, com alta de 2,6%, revertendo dois anos consecutivos de retração. O principal destaque foi a indústria têxtil, que cresceu 4,1% em 2024.

Outro segmento que teve bom desempenho foi o de produtos florestais, que avançou 3,9%, impulsionado pelo aquecimento das exportações de papel e celulose. Já a indústria de biocombustíveis registrou expansão de 1,6%, com destaque para o aumento da produção de etanol de milho.

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Por outro lado, as indústrias de insumos agropecuários e fumo encerraram o ano em queda, impactadas, em parte, pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

Alimentos e bebidas enfrentam desaceleração no segundo semestre

O segmento de alimentos e bebidas cresceu 1,5% em 2024, refletindo um cenário favorável no mercado interno durante o primeiro semestre. Enquanto a indústria alimentícia registrou alta de 1,5%, a de bebidas avançou 1,2%.

O único subsetor em retração foi o de produtos de origem vegetal, que caiu 1,7%, impactado pela redução na produção de conservas, sucos, arroz, refino de açúcar e moagem de café. Em contrapartida, os produtos de origem animal cresceram 3,7%, impulsionados pelo bom desempenho das cadeias de carnes e pescados.

No segundo semestre, o setor como um todo perdeu fôlego, com queda na produção de alimentos de origem vegetal e desaceleração nas indústrias de origem animal.

Perspectivas para 2025

De acordo com o FGV Agro, o cenário para 2025 traz desafios para a agroindústria, com diversos indicadores macroeconômicos apontando para um ano mais difícil. Entre os fatores de preocupação estão a alta dos juros, a inflação, que reduz o poder de compra, e as incertezas no cenário global, marcadas por tensões comerciais e riscos geopolíticos.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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