AGRONEGÓCIO

Agro bate recorde, mas gargalos logísticos ainda consomem até 30% do custo no campo

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Com a safra 2025/26 praticamente consolidada em cerca de 350 milhões de toneladas, o agronegócio brasileiro confirma mais um ciclo de expansão. O avanço, porém, esbarra em um limite conhecido: a deficiência logística, que segue consumindo até 30% do custo de produção e reduzindo a competitividade no mercado internacional, diagnóstico reforçado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O tema voltou ao centro do debate nesta semana durante o seminário AgroPortos 2026, realizado em Brasília, que reuniu parlamentares para discutir soluções estruturais para o escoamento da produção. A avaliação comum é de que, sem tratar a infraestrutura como política de Estado, o país continuará perdendo eficiência mesmo com ganhos dentro da porteira.

O descompasso entre produção e logística se tornou mais evidente com o avanço recente da safra. Enquanto o campo cresceu em produtividade e escala, o sistema de transporte e armazenagem não acompanhou o mesmo ritmo. Hoje, mais de 60% da malha rodoviária apresenta algum nível de deficiência, e cerca de 65% da produção ainda depende de caminhões, modelo mais caro e sujeito a perdas.

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O problema começa antes mesmo das rodovias principais. O Brasil tem cerca de 1,72 milhão de quilômetros de estradas, dos quais 1,4 milhão são vias vicinais, em grande parte não pavimentadas. São essas estradas que ligam a produção rural aos centros de armazenamento e escoamento, concentrando atrasos, desperdícios e aumento de custo operacional.

A falta de armazenagem amplia o impacto. O déficit nacional supera 100 milhões de toneladas, o que obriga o produtor a vender rapidamente após a colheita. Sem capacidade de estocar, a oferta se concentra em curto período, pressionando preços e elevando o frete justamente no pico da safra.

Na prática, o resultado é uma distorção recorrente: o país colhe volumes recordes, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa produção. Parte do ganho obtido com tecnologia e produtividade se perde fora da porteira, no custo logístico.

O investimento também segue aquém do necessário. O Brasil destina cerca de 2% do Produto Interno Bruto à infraestrutura, percentual inferior ao de concorrentes globais. Para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a ausência de planejamento de longo prazo compromete a eficiência dos projetos e a integração entre modais.

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A discussão levantada no AgroPortos reforça um ponto central: o agro brasileiro já resolveu boa parte do desafio produtivo, mas ainda depende de avanços estruturais fora da porteira. Sem isso, o crescimento seguirá limitado pela capacidade de escoamento — e pelo custo para chegar ao mercado.

O encontro não resultou em medidas imediatas, mas consolidou uma agenda política para o setor. A articulação entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a bancada de infraestrutura busca transformar logística em prioridade de longo prazo, com foco em segurança regulatória e atração de investimentos. Na prática, o objetivo é levar esse conjunto de propostas para o próximo ciclo de governos.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportações de proteínas animais disparam em maio e carne de frango lidera avanço brasileiro

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As exportações brasileiras de proteínas animais seguem aquecidas em maio de 2026, reforçando o protagonismo do agronegócio nacional no comércio global de alimentos. Dados divulgados pela Secex apontam avanço consistente nos embarques de carne de frango e carne suína, com destaque para o desempenho do setor avícola, que lidera em volume e faturamento.

O cenário positivo reflete a forte demanda internacional pelas proteínas brasileiras, favorecida pela competitividade dos produtos nacionais e pela ampliação das compras em mercados estratégicos.

Carne de frango lidera exportações brasileiras de proteínas

A carne de frango manteve a liderança entre as proteínas animais exportadas pelo Brasil neste mês. Segundo os dados da Secex, os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram 238,3 mil toneladas até a segunda semana de maio.

A receita acumulada alcançou US$ 450,4 milhões no período, com média diária de US$ 45 milhões. O volume médio exportado ficou em 23,8 mil toneladas por dia útil.

Além do elevado ritmo de embarques, o setor avícola brasileiro manteve forte competitividade internacional. O preço médio da proteína exportada foi de US$ 1.889,9 por tonelada, consolidando o Brasil entre os principais fornecedores globais de carne de frango.

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O desempenho positivo ocorre em meio ao aumento da demanda internacional por proteínas de menor custo e ao fortalecimento das exportações brasileiras para mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina.

Carne suína mantém crescimento nas vendas externas

A carne suína também apresentou resultado expressivo nas exportações brasileiras ao longo da primeira metade de maio. De acordo com a Secex, os embarques de carne suína fresca, refrigerada ou congelada totalizaram 55,5 mil toneladas no período.

A receita gerada pelas vendas externas chegou a US$ 138,4 milhões, com média diária de faturamento de US$ 13,8 milhões.

O volume médio exportado ficou em 5,5 mil toneladas por dia útil, enquanto o preço médio negociado atingiu US$ 2.491,6 por tonelada.

Mesmo com volume inferior ao registrado pela carne de frango, o setor suinícola brasileiro segue sustentado pela ampliação da demanda internacional e pela consolidação da proteína nacional em importantes mercados importadores.

A valorização dos preços médios também reforça a competitividade da carne suína brasileira no mercado externo.

Exportações de pescado têm menor participação em maio

Entre os segmentos analisados pela Secex, o pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado apresentou participação mais modesta nas exportações brasileiras em maio.

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Até a segunda semana do mês, o setor embarcou 419,7 toneladas, gerando receita de US$ 2,15 milhões.

A média diária de faturamento ficou em US$ 215 mil, enquanto o volume médio exportado atingiu 42 toneladas por dia útil.

Apesar da menor representatividade em relação às carnes de aves e suína, o pescado registrou o maior valor médio por tonelada entre as proteínas analisadas. O preço médio negociado alcançou US$ 5.122,9 por tonelada exportada.

Agronegócio brasileiro mantém força no mercado global

O avanço das exportações de proteínas animais reforça a posição estratégica do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos.

O desempenho positivo de frango, carne suína e pescado em maio mostra a força do setor exportador brasileiro, que segue beneficiado pela demanda internacional aquecida, pelo câmbio favorável e pela competitividade da produção nacional.

A expectativa do mercado é de continuidade no ritmo elevado de embarques ao longo do segundo trimestre, especialmente para os segmentos de aves e suínos, que seguem ampliando presença nos principais destinos globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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