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Agora acusam o Brasil de usar trabalho escravo e tarifaço pode ir a 37,5%

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A tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros poderá chegar a 37,5% a partir da próxima semana. Além da sobretaxa de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump, o Brasil corre o risco de enfrentar uma cobrança de mais 12,5% vinculada a uma investigação sobre supostas mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A definição é esperada para sexta-feira (24.07). Até lá, permanece a dúvida sobre a forma de aplicação da nova alíquota. O governo brasileiro ainda não sabe se os 12,5% serão somados aos 25% já confirmados, se substituirão outra tarifa ou se os produtos incluídos na lista de exceções permanecerão isentos.

O caso é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O órgão analisou as políticas adotadas por 60 economias, responsáveis por mais de 99% das importações norte-americanas, para impedir a entrada de mercadorias fabricadas total ou parcialmente com trabalho forçado.

A proposta preliminar recomenda tarifa de 12,5% para o Brasil e outras 53 economias. Outros seis mercados, entre eles Canadá, México e União Europeia, poderão receber uma cobrança de 10% porque, segundo o USTR, já possuem mecanismos parciais para barrar essas mercadorias.

A investigação não se limita à existência de trabalho análogo à escravidão dentro do território brasileiro. O principal questionamento dos Estados Unidos é que o Brasil não teria uma proibição legal específica e suficientemente abrangente contra a importação de produtos fabricados com trabalho forçado em outros países.

O relatório norte-americano afirma que essa ausência cria condições desiguais para empresas e trabalhadores dos Estados Unidos. O Brasil contesta o argumento e sustenta que possui instrumentos de fiscalização, responsabilização criminal e transparência para combater o trabalho em condições análogas à escravidão.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, reconheceu que a cobrança de 12,5% é considerada provável. Segundo ele, a incógnita está na possibilidade de acumulação com os 25% aplicados especificamente ao Brasil.

A tarifa de 12,5% deverá substituir a cobrança temporária de 10% que incide sobre grande parte dos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Essa alíquota foi instituída com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana e perde validade no fim de julho.

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A interpretação do governo brasileiro é que Washington procurou uma nova base jurídica para manter barreiras comerciais depois que decisões judiciais limitaram o uso de poderes emergenciais pelo presidente norte-americano. A investigação sobre trabalho forçado utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, dispositivo que permite a adoção de medidas contra práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Se a tarifa de 12,5% apenas substituir os atuais 10%, o acréscimo efetivo será de 2,5 pontos porcentuais. O maior risco para o Brasil está na possibilidade de a nova cobrança ser acumulada com os 25%, levando a sobretaxa total a 37,5% para parte dos produtos.

Também não está definido se a lista de exceções da tarifa de 25% será mantida no processo sobre trabalho forçado. Essa incerteza preocupa o agronegócio porque produtos importantes, como café, carne bovina e suco de laranja, escaparam da primeira cobrança, mas poderão voltar a ser alcançados pela nova medida.

A tarifa de 25% entra em vigor na quarta-feira (22) e atingirá aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Com base nos embarques de 2024, o volume afetado corresponde a cerca de R$ 37,7 bilhões, considerando a cotação de R$ 5,10.

Mais de 2,1 mil produtos ficaram fora dessa sobretaxa. A decisão reduziu o impacto imediato sobre o agro, mas não encerrou o risco para os exportadores. A investigação sobre trabalho forçado é mais ampla, envolve dezenas de países e ainda não apresenta uma relação definitiva das mercadorias que poderão receber a nova cobrança.

A pecuária brasileira aparece com destaque no relatório do USTR. O documento cita registros de empregadores rurais incluídos no cadastro brasileiro de responsáveis por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, e utiliza esses casos para questionar a competitividade da carne produzida no País.

O órgão norte-americano também compara o desempenho de Brasil e Estados Unidos no mercado chinês. Entre 2015 e 2025, as vendas brasileiras de carne bovina congelada aos mercados analisados quase dobraram, enquanto os embarques norte-americanos cresceram 21%, segundo o relatório.

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Com base nessa diferença, o USTR argumenta que eventuais irregularidades trabalhistas poderiam ter contribuído para reduzir custos e ampliar a competitividade brasileira. O próprio documento reconhece, porém, que não se pode afirmar que toda a carne exportada pelo Brasil tenha ligação com trabalho forçado.

O governo brasileiro rejeita a generalização. O País tipifica no Código Penal a redução de uma pessoa à condição análoga à escravidão e mantém equipes de fiscalização, operações de resgate e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente após o encerramento dos processos.

O Ministério das Relações Exteriores afirma que as conclusões norte-americanas desconsideram esses instrumentos e podem enfraquecer políticas brasileiras de combate às violações trabalhistas. O Itamaraty também considera as sanções unilaterais incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As negociações entre os dois governos continuam, mas Brasília considera pequena a possibilidade de evitar completamente a nova cobrança. A expectativa é de que a tarifa seja aplicada de maneira ampla aos países incluídos na investigação, restando definir sua relação com as demais sobretaxas e listas de exceções.

Para o produtor rural, o risco imediato não está apenas na perda de mercado nos Estados Unidos. Uma tarifa maior pode obrigar exportadores a redirecionar produtos para outros destinos, aumentar a oferta interna e pressionar os preços recebidos no Brasil.

O impacto será diferente para cada cadeia. Café, carne e suco de laranja dependem da manutenção das exceções obtidas na tarifa de 25%. Outros segmentos, já incluídos na cobrança que começa no dia 22, poderão sofrer uma perda adicional de competitividade se os 12,5% forem acumulados.

A decisão do dia 24 será determinante para medir o alcance real do tarifaço. Até lá, os 37,5% devem ser tratados como um cenário possível, e não como uma cobrança confirmada. A aplicação da tarifa extra é considerada provável, mas ainda falta saber sobre quais produtos ela incidirá e se será somada às penalidades já impostas ao Brasil.

Fonte: Pensar Agro

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Cuiabá abre 1º Seminário Paralímpico para fortalecer a inclusão e ampliar a capacitação no paradesporto

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A Prefeitura de Cuiabá abriu, na manhã desta sexta-feira, o 1º Seminário Paralímpico, reunindo cerca de 100 inscritos entre professores, acadêmicos, atletas e profissionais de educação física no auditório da Secretaria Municipal de Educação (SME). Promovido pelo Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o evento segue até sábado com palestras e atividades práticas voltadas à qualificação de profissionais e ao fortalecimento da inclusão por meio do esporte. As atividades ocorreram nos dias 17 e 18 de julho.

Na abertura, o coordenador do Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, Ademir Trapp, destacou que o seminário representa um marco para o desenvolvimento do paradesporto no município.

“O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o esporte paralímpico e capacitar os profissionais que atuam no Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, fortalecendo a inclusão e a qualificação no atendimento às pessoas com deficiência. Que este seja um momento de troca de experiências e muito aprendizado”, afirmou.

O secretário adjunto de Esporte e Lazer, Otávio Rodrigo Palácio, explicou que o principal legado da iniciativa será a formação de profissionais mais preparados para atender pessoas com diferentes tipos de deficiência e ampliar a oferta de modalidades esportivas.

“Se conseguirmos atingir esse desenvolvimento técnico, teremos mais pessoas com deficiência praticando esporte com orientação de qualidade e, quem sabe, revelando futuros atletas paralímpicos. Esse é o nosso grande foco”, ressaltou.

Segundo o secretário, o Centro de Referência Paralímpico já oferece sete modalidades e trabalha para ampliar esse número para nove: atletismo, natação, bocha, badminton, tênis de mesa, tiro com arco, rúgbi em cadeira de rodas, goalball e esgrima.

Ele também destacou que qualquer pessoa com deficiência interessada pode procurar o Centro de Referência Paralímpico, no Complexo Esportivo Dom Aquino, onde será avaliada por profissionais para identificação da modalidade mais adequada às suas características.

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Capacitação para ampliar o atendimento

A programação técnica teve início com a palestra da professora Laís Gabriela Cavalcante, de Caieiras (SP), especialista em atletismo paralímpico. Ela enfatizou que a formação continuada dos profissionais é decisiva para garantir segurança, acolhimento e desenvolvimento dos atletas.

“O mais importante é que o professor saiba exatamente como atender o aluno quando ele chega ao Centro de Referência, fazendo o encaminhamento correto para a modalidade. Com formação, ele acolhe melhor a família, evita lesões e trabalha com mais segurança”, explicou.

Laís observou ainda que a descentralização das capacitações promovidas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro tem ampliado o acesso ao conhecimento em diferentes regiões do país.

“O Comitê Paralímpico investe muito nisso. Levar seminários para outras regiões faz com que o movimento paralímpico amplie seu atendimento e alcance mais pessoas.”

Supervisor sênior do Comitê Paralímpico Brasileiro e responsável pelo Centro de Referência de Cuiabá, Altemir Trapp explicou que o seminário tem dois objetivos principais: difundir o conhecimento sobre o esporte paralímpico e fortalecer a qualificação permanente dos profissionais que atuam na rede municipal.

“Queremos que esses profissionais levem esse conhecimento para as escolas e também aperfeiçoem o trabalho desenvolvido dentro do Centro de Referência. Nossa expectativa é criar uma cultura permanente de capacitação no esporte paralímpico”, afirmou.

Segundo ele, a parceria entre a Prefeitura e o Comitê Paralímpico Brasileiro envolve cooperação técnica, fornecimento de materiais esportivos, qualificação de profissionais e acompanhamento da implantação do Centro de Referência.

Representando o Centro de Referência Paralímpico de Várzea Grande, o supervisor Rodrigo Rafael Peris da Silva destacou que a integração entre os municípios fortalece o crescimento do paradesporto em Mato Grosso.

“Assim como aconteceu em Várzea Grande, acredito que este seminário será um marco para Cuiabá. Quanto mais profissionais preparados, maior será a inclusão e a qualidade do atendimento às pessoas com deficiência”, disse.

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Esporte que transforma vidas

Entre os participantes estava o professor Luiz Carlos Onça Magalhães, pai de um atleta com Transtorno do Espectro Autista, multicampeão estadual. Para ele, o maior avanço está na evolução da forma como as pessoas com deficiência são acolhidas.

“Hoje aprendemos que inclusão não é decidir pela pessoa com deficiência. É ouvir o que ela realmente precisa. Cada seminário amplia esse conhecimento e melhora o atendimento”, afirmou.

A professora de natação Kelly Regina destacou que os benefícios do paradesporto vão muito além das competições.

“A gente consegue mudar a vida dessas crianças. Elas desenvolvem coordenação, socialização e autoestima. E essa transformação alcança também as famílias, que encontram apoio, convivência e troca de experiências”, observou.

Quem também acompanhou a abertura foi o ex-atleta paralímpico Pedro César Moraes, medalhista mundial, pan-americano e participante dos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008. Atualmente, retomando as atividades esportivas e cursando Educação Física, ele destacou a importância do Centro de Referência para os atletas cuiabanos.

“Lá somos recebidos como deveríamos ser. Existe um atendimento especializado, direcionado para cada atleta. Este seminário representa muito para mim porque amplia nosso conhecimento e fortalece cada vez mais o esporte paralímpico em Cuiabá”, afirmou.

Ao longo dos dois dias, o seminário abordou aspectos técnicos das modalidades paralímpicas, estratégias de atendimento às pessoas com deficiência e atividades práticas, reforçando o compromisso da Prefeitura de Cuiabá e do Comitê Paralímpico Brasileiro com a formação continuada de profissionais e a ampliação das oportunidades de inclusão por meio do esporte.

Sábado (18)

8h às 12h

• Atividades práticas de Natação Paralímpica

Professores: Altemir Trapp, Laís Gabriela Cavalcante e Rodrigo Canfora

Local: Escola Cívico Militar Maria Dimpina Lobo Duarte

Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 4.695, Chácara dos Pinheiros

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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