AGRONEGÓCIO

Açúcar retoma leve alta em NY, mas mercado global segue pressionado por oferta elevada e demanda fraca

Publicado em

Preços internacionais oscilam, mas açúcar volta ao patamar de 16 cents/lb em NY

Nesta quinta-feira (03), os contratos futuros do açúcar voltaram a operar acima de 16 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em outubro de 2025 foi negociado a 16,11 cents/lb, em alta de 3,40%. Já o contrato para março de 2026 subiu 2,76%, sendo cotado a 16,78 cents/lb.

Por outro lado, na quarta-feira (02), os preços haviam encerrado o dia em queda nas bolsas internacionais. O contrato outubro/25, na ICE Futures de Nova York, recuou 12 pontos, negociado a 15,58 cents/lb. O março/26 caiu 15 pontos, para 16,33 cents/lb. Em Londres, os contratos de açúcar branco também fecharam em baixa: agosto/25 caiu US$ 3,90, encerrando a US$ 458,80 por tonelada, e outubro/25 recuou US$ 3,30, a US$ 450,50/t.

Oferta elevada e demanda fraca mantêm pressão sobre os preços

Mesmo com a recente valorização, analistas indicam que o mercado ainda enfrenta forte pressão. Segundo avaliação do Commerzbank, divulgada pela Reuters, os preços do açúcar devem seguir pressionados enquanto não houver cortes na produção das usinas brasileiras.

Dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) mostram que 51,54% da cana-de-açúcar processada nesta safra foi destinada à produção de açúcar, um aumento em relação aos 49,68% registrados no mesmo período do ano anterior. O dado evidencia que o açúcar ainda oferece melhor rentabilidade que o etanol, o que estimula a manutenção da produção mesmo com preços em queda.

Leia Também:  Comercialização da soja avança no Brasil, enquanto mercado aguarda primeiros dados do USDA para safra 2025/26

Além disso, os números da ICE Futures US apontam para uma demanda enfraquecida. Apenas 45.112 toneladas foram entregues para liquidação do contrato julho, o menor volume para esse vencimento em 11 anos.

Produção e moagem sofrem impacto do clima

Apesar da maior destinação da cana ao açúcar, o clima adverso tem comprometido a moagem. Na primeira quinzena de junho, o Centro-Sul processou 38,78 milhões de toneladas de cana, volume 21,49% inferior ao do mesmo período da safra anterior. No acumulado até 16 de junho, foram moídas 163,58 milhões de toneladas, com recuo de 14,33% na comparação anual.

A produtividade também caiu. Segundo o boletim De Olho na Safra, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a média em maio recuou 12%, passando de 91 para 80,8 t/ha. Em Ribeirão Preto (SP), a queda foi de 21,6%, enquanto a região de Assis (SP) teve leve alta de 7,4%.

Qualidade da matéria-prima e produção em queda

A qualidade da cana medida pelo ATR (Açúcar Total Recuperável) também registrou baixa. Na primeira quinzena de junho, o ATR foi de 128,66 kg/t, queda de 4,37% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado da safra, o recuo é de 4,54%.

Com isso, a produção de açúcar na quinzena caiu 22,12%, somando 2,45 milhões de toneladas. No acumulado da safra, foram produzidas 9,40 milhões de toneladas, ante 11,02 milhões no mesmo período do ano passado, uma redução de 14,63%.

Leia Também:  Para debater melhorias na educação infantil, 172 diretores escolares participarão de convenção
Mercado de etanol também registra queda na produção

O etanol também apresentou recuo na produção. O hidratado caiu 17,97% e o anidro, 26,97%. No total da safra, foram produzidos 7,5 bilhões de litros, volume 14,21% menor na comparação anual.

Apesar disso, os preços do etanol encerraram junho em alta. Entre os dias 23 e 27, o hidratado subiu 1,57%, sendo negociado a R$ 2,6099/litro, e o anidro teve aumento de 2,84%, cotado a R$ 2,9962/litro. Segundo o Cepea, fatores como chuvas, geadas, maior volume de vendas pelas usinas e o aumento da mistura obrigatória para 30% explicam a valorização.

Contudo, o Indicador Diário Paulínia mostrou recuo pontual no etanol hidratado no início de julho, com o valor em R$ 2.697,00/m³, variação negativa de 0,55%.

Açúcar cristal atinge menor valor nominal desde 2021

No mercado interno, o açúcar cristal branco também teve recuo. No mercado spot paulista, a saca de 50 kg foi negociada a R$ 117,00 no dia 27, o menor valor nominal desde julho de 2021. Na semana, a queda foi de 4,4%. Já segundo o Indicador Cepea/Esalq, o açúcar cristal foi cotado a R$ 115,95, com queda de 0,44%.

Apesar das baixas, os preços internos do açúcar ainda se mantêm mais atrativos do que os praticados no mercado externo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

Published

on

A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

Leia Também:  Entidade critica nova lei do frete e prevê aumento dos custos no campo

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

Leia Também:  CODEX aprova novos limites de resíduos de nicarbazina em frangos de corte

A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA