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Açúcar oscila entre pressão no mercado interno e impactos do cenário internacional

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Preço do açúcar cristal recua no mercado paulista

O mercado físico de açúcar no Brasil segue pressionado em março, com o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180) registrando queda no estado de São Paulo ao longo da última semana.

Após iniciar o período com leve valorização, os preços passaram a recuar nos dias seguintes, refletindo ajustes no mercado spot e um menor volume de negociações. Esse movimento evidencia um cenário de cautela entre os agentes, com negócios mais pontuais.

Conflito no Oriente Médio impacta preços internacionais

No cenário externo, os preços do açúcar demerara foram influenciados pelas tensões no Oriente Médio, especialmente nas negociações da ICE Futures, em Nova York.

A escalada do conflito contribuiu para a valorização do petróleo, que saltou de cerca de US$ 72 para US$ 103 por barril, fator que costuma dar suporte às cotações do açúcar no mercado global.

Além disso, especialistas apontam que um eventual prolongamento do conflito pode gerar entraves logísticos importantes, como aumento nas distâncias de transporte, elevação dos custos de frete e seguros, dificultando o escoamento da commodity.

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Oriente Médio é destino relevante para o açúcar brasileiro

A região do Oriente Médio representa um mercado estratégico para o Brasil. Dados da Secex indicam que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Israel e outros destinos da região importaram mais de 5 milhões de toneladas de açúcar brasileiro em 2025 — o equivalente a cerca de 15% das exportações totais do produto.

Com o agravamento do cenário geopolítico, parte desse volume pode permanecer armazenada nas regiões produtoras, aguardando condições mais seguras para embarque.

Bolsas internacionais iniciam semana em queda

A semana começou com desvalorização nos principais mercados internacionais de açúcar.

Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram em baixa:

  • Maio/26: 14,19 cents/lbp (-0,18 cent)
  • Julho/26: 14,38 cents/lbp (-0,19 cent)
  • Outubro/26: 14,78 cents/lbp (-0,15 cent)

Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco também registrou queda:

  • Maio/26: US$ 413,70/tonelada (-US$ 1,30)
  • Agosto/26: US$ 417,60/tonelada (-US$ 2,40)
  • Outubro/26: US$ 421,00/tonelada (-US$ 2,50)

O movimento acompanha a volatilidade global, influenciada por fatores macroeconômicos e geopolíticos.

Mercado interno reage com leve alta pontual

Apesar da tendência de queda acumulada no mês, o mercado físico brasileiro apresentou leve recuperação no início da semana.

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Na segunda-feira (16), o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou alta de 0,39%, com a saca de 50 kg negociada a R$ 97,62.

Mesmo com esse avanço diário, o indicador ainda acumula retração de 0,98% em março, refletindo a pressão recente sobre os preços.

Etanol mantém trajetória de valorização

O mercado de etanol também apresentou desempenho positivo no estado de São Paulo.

O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 3.047,00 por metro cúbico na segunda-feira (16), com alta de 0,13% no dia.

No acumulado de março, o biocombustível registra valorização de 2,58%, indicando um cenário mais firme em comparação ao açúcar no mercado interno.

Cenário segue volátil e dependente do exterior

O mercado de açúcar continua sendo influenciado por fatores externos, especialmente o cenário geopolítico e o comportamento do petróleo, além das condições logísticas globais.

No Brasil, o ritmo mais lento de negociações e a pressão sobre os preços no mercado físico contrastam com oscilações pontuais de alta, enquanto o etanol mantém trajetória mais consistente de valorização neste início de mês.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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