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Açúcar: Grande entrega em julho não evita alta dos preços; entenda os motivos

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Na semana passada, o mercado mudou seu foco do contrato de julho para o de outubro, quando as opções expiraram e a entrega de julho se aproximou.

“Durante essa transição, o açúcar encontrou força para ultrapassar sua resistência, levando a análise técnica a apontar para uma recuperação acima de 20 centavos, que foi alcançada na quinta-feira. Notavelmente, apesar de uma entrega robusta esperada para o vencimento de julho, a alta do açúcar pode ser atribuída à expectativa do mercado em relação à divulgação do relatório da Unica”, explica Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da Hedgepoint Global Markets.

A falta de chuvas contribuiu para um certo pessimismo com relação ao mix açúcar, com uma expectativa média orbitando em torno de um mix de 49,5%, moagem de 48Mt e Açúcar Total Recuperável (ATR) entre 132 e 135 kg/t.

“Portanto, embora muitos possam argumentar que uma moagem de 48Mt seja difícil de ser percebida como altista, o período de seca e a pior qualidade da cana estão ameaçando o mix de açúcar”, observa.

“Se o último permanecesse abaixo de 50% durante a primeira quinzena de junho, poderia ser difícil atingir um nível acima de 51% até o final da temporada. E foi mais ou menos isso que aconteceu”, pontua.

O relatório da Unica foi divulgado na sexta-feira (28), confirmando um mix mais baixo, de 49,7%. No entanto, este ainda era mais forte do que a média do mercado esperava.

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“O que foi surpreendentemente alto foram os valores de moagem. O Centro-Sul atingiu quase 49 Mt durante a primeira quinzena de junho! Logo após a divulgação da Unica, os preços do açúcar perderam força, mas conseguiram dar a volta por cima e registrar ganhos durante o último pregão de julho”, pondera.

Em geral, o mercado ainda se preocupa com o fato de que a qualidade da cana possa impedir um mix de açúcar acima de 51%. Como resultado, das atuais estimativas de 41,5 Mt, a produção do adoçante no Centro Sul poderia ser rebaixada para 41 Mt.

Segundo Lívea, essa ideia, juntamente com o fato de que o desenvolvimento da cana foi longe do ideal, é a maior razão por trás do movimento do mercado. “No entanto, observe que o Total de Cana por Hectare (TCH) ainda está acima da média histórica. Mesmo sendo 5,2% menor em comparação com a temporada passada, ainda está na extremidade alta dos resultados, em um nível acumulado de 89,35 t/há”, ressalta.

“No final, os números da Unica não provocaram nenhuma revisão em nossas estimativas. Embora a moagem de cana tenha sido maior do que o esperado, espera-se que o final da safra seja mais apertado do que no ano passado. Mantivemos 613,5 Mt de cana e 51,2% de mix açúcar, mas com um aviso: se este último não reagir na próxima quinzena, um nível de 51% pode ser mais provável”, analisa.

Esse burburinho do Centro-Sul acabou roubando os holofotes e a última liquidação de julho foi mais alta do que o esperado, dado o volume robusto antecipado para a entrega. Com mais de 1 Mt entregues, acima da média de cinco anos, os preços ultrapassaram 20c/lb, mas mantiveram o carry.

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“Fundamentalmente, o formato da curva ainda indica que o mercado espera um aperto maior à medida que se aumenta a dependência do fluxo comercial do Hemisfério Norte”, diz.

Notícias, como as preocupações relatadas em relação à doença do “red hot” nos campos de cana de Uttar Pradesh, contribuem para essa tendência.

Em resumo, embora um dólar americano mais ameno e a recuperação dos preços do complexo energético possam ter contribuído para o desempenho do açúcar, o recente aumento parece ter sido impulsionado principalmente pelo seu próprio mercado.

A antecipação do relatório da Unica e os resultados médios do Centro-Sul criaram um burburinho que desviou os olhos dos traders da entrega significativa do contrato de julho. Os fundos podem ter aliviado seu posicionamento de vendidos, mas o Brasil ainda pode produzir mais de 41 Mt.

Ainda há muito a ser desvendado. Entender o mix de açúcar parece ser uma das tarefas mais complicadas para esta temporada. Ao mesmo tempo em que o açúcar paga um prêmio considerável em relação ao etanol, a qualidade da cana pode impedir que as usinas atinjam suas metas.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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