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A Ciência avança mais rápido que os regulamentos ou a percepção social

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Arroz que pode ser cultivado em solo salino. Sorgo que utiliza a água de forma mais eficiente em climas mais quentes. Variedades de plantas com resistência a fungos. Estas são apenas algumas das culturas que os cientistas estão sendo melhoradas com o auxílio da edição genética, uma técnica demonstrada pela primeira vez há apenas 12 anos (bit.ly/3NRKAwq).

Embora esta tecnologia já tenha feito progressos notáveis na medicina, a sua capacidade de revolucionar a alimentação e a agricultura não é menos profunda. Particularmente, os cientistas apostam nela para encontrar soluções para convivência com as profundas mudanças climáticas em curso. Condições climáticas extremas ameaçam colheitas em todo o mundo. À medida que o planeta aquece, a edição genética é uma das nossas maiores esperanças para o desenvolvimento de culturas resilientes que permitam a adaptação.

O primeiro alimento resultante de edição gênica a ingressar no mercado foi o tomate Sicilian Rouge, produzido no Japão (bit.ly/3H4pWpl). Os EUA estão entre os países de mente mais aberta às novas técnicas genômicas. Em 2023 foi lançado um produto denominado Conscious Greene, editado por CRISPR (bit.ly/3vpeTEw). É uma mistura para salada com a densidade nutricional das folhas verdes escuras, editada para ter o sabor suave da alface romana.

Há outros exemplos. Uma grande multinacional está desenvolvendo um ambicioso programa chamado CoverCress (bit.ly/41L2TsV), que consiste em oleaginosas de inverno com baixo consumo de insumos, com alto potencial para armazenar carbono no solo, aumentando o conteúdo de matéria orgânica e contribuindo para microbiomas benéficos. Delas pode ser extraído óleo para produção de bicombustíveis, incluindo SAF. Também está a investindo no desenvolvimento de genótipos com resistência à ferrugem asiática da soja, reduzindo o uso de fungicidas (bit.ly/3S9AiKY).

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Manter a oferta de alimentos

Com a expectativa de que a população atinja os 10 bilhões até 2050, a segurança alimentar foi um dos destaques da COP28, e os benefícios da edição genética foram parte dessa conversa. A edição genética reduz – de décadas para meses – o tempo necessário para obter novas variedades com características desejáveis. Isso porque permite que os cientistas façam alterações precisas numa área específica do genoma da cultura, para que a mesma possa expressar uma característica desejada.

Para que a Humanidade possa obter o máximo benefício da edição gênica, são necessários regulamentos e respaldo social. Por exemplo, na Europa, OGMs ainda geram algumas restrições de parte da sociedade civil, refletida na legislação do bloco, embora os estudos demonstrem consistentemente a segurança dos alimentos já existentes no mercado, alguns há mais de três décadas. Ainda há um debate em curso sobre considerar ou não uma variedade obtida por edição gênica como OGM, embora a esmagadora maioria dos especialistas não a considere como tal, visto que não houve introdução de material genético exótico – apenas edição do próprio material genético da planta.

As alterações climáticas estão atingindo duramente a Europa. Em 2023, a UE anunciou uma proposta para permitir a edição genética nas culturas, reconhecendo a importância do método para a adaptação às alterações climáticas o mais rapidamente possível. O mesmo ocorre em diversos países da África. Se aprovadas, a Europa e os países africanos igualar-se-iam aos EUA, Canadá, China, Argentina e Brasil, que possuem regulamentos específicos para a edição gênica.

Consumidores e Ciência

Tal como os sistemas regulamentares muitas vezes ficam atrás da Ciência, as atitudes dos consumidores também não acompanham totalmente o desenvolvimento científico acelerado, característico do século XXI.

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A hesitação que ainda persiste em relação aos OGMs – os organismos geneticamente modificados – é parcialmente fundada no desconhecimento científico da população: 36% dos consumidores dos EUA dizem que sabem nada ou muito pouco sobre OGM e, apesar do seu baixo nível de conhecimento, 47% dizem que evitam os alimentos OGM.

Na verdade, não há qualquer prova cientificamente fundamentada de que a ingestão de alimentos geneticamente modificados provoque efeitos adversos à saúde. No entanto, o estigma persiste: algumas pessoas temem que os alimentos geneticamente modificados não sejam naturais e, portanto, não sejam saudáveis, o que é uma falácia. Muitas coisas que são naturais são perigosas, como a radiação ou o arsênico, enquanto as culturas OGM são 99,99% idênticas em composição aos originais e passam por rigorosos testes de segurança antes de serem aprovados para comercialização.

Globalmente, a edição genética é uma ferramenta crítica para o futuro mediato. Junto com outras tecnologias modernas, faz parte do arsenal de que disporá a Humanidade para, por um lado, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, por outro, mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a oferta de produtos agrícolas, mormente alimentos. Para que isto ocorra, há necessidade de maior conhecimento da segurança das inovações científicas por parte da população, e de regulamentos consentâneos em todos os países e blocos do mundo.

Por Décio Luiz Gazzoni, Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciências

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Primavera começa com previsão de excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Norte

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A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, dividindo o Brasil entre dois extremos climáticos. Enquanto o Sul deverá enfrentar chuva acima da média, temporais e dificuldades para colocar máquinas no campo, áreas do Norte, Nordeste e do norte do Centro-Oeste poderão conviver com calor mais intenso, precipitações irregulares e redução da umidade do solo.

O cenário consta do prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A previsão abrange outubro, novembro e dezembro e indica 98% de probabilidade de um El Niño muito forte nesse período. A primavera termina em 21 de dezembro.

No Sul, a chuva deverá superar a média histórica nos três estados. Os maiores excessos são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima do normal. No Paraná, os volumes também tendem a ser elevados, especialmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade.

O produtor deverá enfrentar intervalos menores para semear soja e milho, aplicar defensivos e realizar outros trabalhos mecanizados. O solo encharcado impede a entrada das máquinas, favorece a compactação e pode comprometer a emergência das plantas. Se a chuva ocorrer logo depois da semeadura, também existe risco de erosão, formação de crostas superficiais e perda de sementes e fertilizantes.

A umidade favorece o desenvolvimento inicial das culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas o excesso pode atrasar o calendário. Isso preocupa especialmente os agricultores que precisam colher a soja cedo para preservar a janela do milho e do algodão de segunda safra.

As lavouras de trigo ainda não colhidas no Paraná e no Rio Grande do Sul também exigirão atenção. Chuva durante a maturação pode reduzir o peso hectolítrico, a força do glúten e a qualidade do cereal destinado à panificação. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente poderão apresentar excesso de água durante a implantação.

Além do volume, o Sul terá risco mais elevado de tempestades severas. A combinação de calor, umidade e passagem de frentes frias favorece chuva intensa em curto período, descargas elétricas, rajadas de vento e granizo. Esses eventos podem causar acamamento de lavouras, danos a estruturas rurais e interrupções no fornecimento de energia e nas estradas de acesso às propriedades.

No Centro-Oeste, a previsão apresenta diferenças importantes. Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás e o sul de Mato Grosso devem receber volumes mais elevados, condição que pode beneficiar o plantio e o estabelecimento inicial da soja. Nessas áreas, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em solos excessivamente úmidos.

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No centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, a tendência é oposta. A chuva deverá ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerão elevadas, com desvios que podem chegar a 2 graus no norte mato-grossense. O calor aumenta a perda de água do solo e exige cautela antes do plantio.

Nessas regiões, uma chuva isolada não deve ser interpretada como instalação definitiva do período úmido. Sem precipitações regulares nos dias seguintes, a semente pode germinar e encontrar solo seco durante a emergência, aumentando as falhas no estande e a necessidade de replantio. A recomendação é acompanhar a umidade em profundidade e as previsões de curto prazo, em vez de decidir apenas pelo primeiro volume registrado.

No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais deverão receber chuva acima da média, com excessos de até 100 milímetros no trimestre. A condição tende a favorecer a implantação de soja e milho, a recuperação dos reservatórios e o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da horticultura.

O excesso de umidade, porém, poderá reduzir o ritmo da colheita da cana, dificultar aplicações e ampliar a pressão de doenças. Nas áreas de café, chuva bem distribuída favorece a abertura e o pegamento das floradas, mas temporais, granizo e longos períodos de umidade podem provocar danos e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.

O norte e o noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, deverão enfrentar chuva mais irregular. No território capixaba, o déficit pode chegar a 50 milímetros. A combinação com temperaturas acima da média tende a aumentar a necessidade de irrigação e os cuidados com café, frutas, pastagens e produção animal.

O Norte deverá concentrar uma das situações mais preocupantes da estação. A previsão indica chuva abaixo da média em praticamente toda a região. Roraima, o norte e o nordeste do Amazonas e áreas do oeste e centro-sul do Pará podem acumular até 200 milímetros menos que o normal.

Com temperaturas até 2 graus acima da média, o solo poderá perder umidade mais rapidamente. O cenário aumenta o risco para soja, milho, arroz de terras altas, feijão, mandioca, banana e cacau, além de reduzir a capacidade de recuperação das pastagens e elevar a necessidade de água para os rebanhos.

No Nordeste, também deverá predominar o déficit de chuva. A exceção pode ocorrer em trechos da faixa leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima da média.

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O maior cuidado estará no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A irregularidade da chuva e o calor poderão atrasar a semeadura, dificultar a emergência da soja e aumentar o consumo de água nas áreas irrigadas. Pastagens também poderão apresentar menor rebrota e menor disponibilidade de forragem.

A previsão sazonal mostra uma tendência para o conjunto da primavera e não significa que choverá continuamente no Sul ou que todos os municípios do Centro-Norte enfrentarão seca. A distribuição pode variar dentro de um mesmo estado e até entre propriedades próximas.

Para o produtor, a principal orientação será ajustar o calendário às condições efetivamente observadas no solo. No Sul, isso significa aproveitar os intervalos secos e reforçar drenagem, conservação do solo e proteção das estruturas. No Centro-Norte, a cautela será confirmar a regularidade das chuvas antes de acelerar a semeadura.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o clima se soma aos custos elevados, ao crédito restrito e às oscilações do mercado entre os principais riscos assumidos pelo produtor a cada safra.

“O agricultor planeja a lavoura, investe em sementes, fertilizantes, máquinas e mão de obra, mas continua dependendo de uma variável que não controla. Uma chuva que atrasa, um excesso de precipitação ou um temporal de poucos minutos pode comprometer o trabalho e o investimento de muitos meses”, afirma.

Segundo Rezende, a maior frequência de extremos exige mais planejamento e capacidade de adaptação. “As mudanças do clima deixaram de ser uma discussão distante. O produtor já percebe períodos mais longos de seca, chuvas concentradas, calor intenso e dificuldade para definir a melhor janela de plantio. Isso exige informação meteorológica confiável, manejo adequado do solo, seguro rural e assistência técnica”, diz.

Para ele, a adaptação não pode ser atribuída exclusivamente ao agricultor. “O campo precisa de sistemas de alerta, pesquisa, crédito para irrigação e armazenagem de água, conservação de estradas e um seguro rural que funcione. O produtor pode adotar tecnologia e melhorar o manejo, mas não conseguirá enfrentar sozinho uma realidade climática cada vez mais instável”, conclui.

A primavera deverá oferecer água suficiente e até excessiva em parte das principais regiões produtoras, mas manterá áreas importantes sob risco de déficit hídrico. Mais do que o total acumulado, a distribuição da chuva definirá o resultado da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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