AGRONEGÓCIO
Super El Niño eleva risco de escaldadura nas lavouras e exige novas estratégias para proteger a produtividade
Publicado em
7 de julho de 2026por
Da Redação
As previsões de temperaturas elevadas associadas ao fortalecimento do super El Niño acendem um alerta para os produtores rurais. O aumento da incidência de ondas de calor e da radiação solar intensa amplia o risco de escaldadura nas lavouras, um problema que pode reduzir significativamente o potencial produtivo de diversas culturas agrícolas.
Espécies de grande relevância econômica, como café, banana, melancia e citros, estão entre as mais suscetíveis aos danos provocados pelo excesso de luminosidade aliado às altas temperaturas. Nessas condições, o metabolismo vegetal é comprometido, afetando o enchimento de frutos e grãos e reduzindo a produtividade na colheita.
Excesso de luz provoca estresse fisiológico nas plantas
Embora a luz solar seja essencial para a fotossíntese, sua intensidade excessiva pode ultrapassar a capacidade de aproveitamento da planta, desencadeando um processo de estresse fisiológico.
Segundo o engenheiro agrônomo João Vidotto, gerente de Desenvolvimento de Mercado e Produtos da Fortgreen no Brasil e Paraguai, esse fenômeno provoca uma sobrecarga nos mecanismos responsáveis pela conversão da energia luminosa.
“Quando a folha recebe uma carga luminosa muito acima da sua capacidade de uso, ocorre uma saturação dos fotossistemas. A planta entra em intenso estresse oxidativo, há degradação da clorofila, aumento da temperatura interna e, consequentemente, morte celular, resultando nas queimaduras visíveis nas folhas”, explica o especialista.
Além dos danos foliares, a escaldadura compromete processos metabólicos importantes, reduzindo a eficiência fotossintética e limitando o desenvolvimento das culturas justamente nas fases mais sensíveis do ciclo produtivo.
Mudanças climáticas exigem manejo mais eficiente
Com eventos climáticos extremos se tornando cada vez mais frequentes, especialistas apontam que o manejo nutricional e fisiológico das plantas ganha papel estratégico para minimizar perdas provocadas pelo calor excessivo.
A adoção de tecnologias voltadas à mitigação do estresse térmico e luminoso passa a integrar as estratégias de adaptação das propriedades rurais, especialmente em regiões sujeitas a longos períodos de altas temperaturas.
Fortgreen lança tecnologia voltada à proteção contra o excesso de radiação
Diante desse cenário, a Fortgreen desenvolveu o SunOFF, solução destinada ao manejo fisiológico das plantas em condições de elevada radiação solar.
Segundo a empresa, a tecnologia atua em duas frentes: reduz fisicamente o impacto do excesso de luz sobre a superfície foliar e promove suplementação nutricional com fósforo, cálcio, zinco e selênio, nutrientes que contribuem para o equilíbrio metabólico da planta durante períodos de estresse.
De acordo com João Vidotto, o objetivo é preservar o funcionamento normal do metabolismo vegetal, reduzindo a necessidade de ativação intensa dos mecanismos naturais de defesa contra temperaturas elevadas.
“Ao regularmos a entrada dessa energia, evitamos o desgaste interno da planta, permitindo que ela mantenha seu foco no crescimento e na produção, em vez de direcionar recursos para combater o estresse”, destaca.
Aplicação uniforme aumenta eficiência no campo
Outro diferencial apontado pela empresa está na tecnologia de aplicação. Conforme a Fortgreen, o desenvolvimento da formulação buscou garantir espalhamento uniforme sobre a superfície foliar, evitando falhas de cobertura e acúmulo do produto nas nervuras das folhas.
Ainda segundo a companhia, a solução apresenta elevada aderência, mantendo sua eficiência mesmo após a ocorrência de chuvas.
Tecnologia passou por validações em centros de pesquisa
Antes do lançamento comercial, o produto foi submetido a avaliações em instituições brasileiras de pesquisa, incluindo a Universidade Estadual de Maringá (UEM), por meio do COMCAP e do Laboratório BIOPLAN, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a HLX Biotecnologia, a Universidade de Franca (Unifran) e o Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam).
Além dos ensaios experimentais, a tecnologia já foi utilizada em mais de 30 áreas comerciais distribuídas pelos estados do Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rondônia e São Paulo.
Preparação da lavoura ganha importância diante dos extremos climáticos
Com o avanço das mudanças climáticas e a maior frequência de eventos extremos, especialistas reforçam que a preparação das lavouras antes dos períodos de calor intenso será cada vez mais decisiva para preservar produtividade e rentabilidade.
A adoção de estratégias de manejo capazes de reduzir os impactos do estresse térmico tende a ganhar espaço nas propriedades rurais, contribuindo para aumentar a resiliência das culturas e reduzir os riscos de perdas provocadas pelo excesso de radiação solar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño ameaça oferta global de trigo e óleo de palma e pode elevar preços das commodities agrícolas
Published
5 minutos agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola internacional. O fenômeno poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de importantes commodities, especialmente trigo e óleo de palma, ampliando a volatilidade dos preços e exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.
Análise da Hedgepoint Global Markets aponta que os impactos climáticos tendem a ser distintos entre os principais países produtores. Enquanto a Austrália poderá enfrentar perdas significativas na produção de trigo, Estados Unidos e Argentina podem registrar ganhos produtivos. Já no mercado de óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados na Indonésia e na Malásia, responsáveis pela maior parte da produção mundial.
Austrália concentra os maiores riscos para o trigo
Entre os grandes exportadores mundiais de trigo, a Austrália é considerada a região mais vulnerável aos efeitos do El Niño.
Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas e temperaturas acima da média durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano.
Esse cenário aumenta o risco de déficit hídrico, compromete o enchimento dos grãos e reduz tanto a produtividade quanto a qualidade da safra.
Como a Austrália ocupa posição estratégica nas exportações globais de trigo, qualquer redução relevante na produção costuma repercutir rapidamente nas bolsas internacionais, influenciando os preços e as expectativas do mercado.
Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas
Enquanto o clima tende a dificultar a produção australiana, o El Niño normalmente proporciona condições mais favoráveis em outras regiões produtoras.
Nos Estados Unidos, principalmente nas áreas produtoras de trigo de inverno das Grandes Planícies, o aumento da regularidade das chuvas favorece a recuperação da umidade do solo, reduzindo o risco de estiagens durante o ciclo da cultura.
Embora ocorram episódios isolados de excesso de precipitação, o histórico indica que o impacto líquido costuma ser positivo para a produção norte-americana.
A Argentina também figura entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno.
A maior frequência das chuvas melhora o estabelecimento das lavouras, favorece o desenvolvimento vegetativo e contribui para o enchimento dos grãos, elevando o potencial produtivo do cereal.
Após temporadas marcadas por seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da safra argentina, ampliando sua capacidade de exportação e fortalecendo sua participação no comércio internacional.
Produção de óleo de palma pode sofrer impactos mais fortes em 2027
Além do trigo, o mercado acompanha atentamente os possíveis efeitos do El Niño sobre o óleo de palma.
A commodity apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas do Sudeste Asiático, onde Indonésia e Malásia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.
O fenômeno normalmente provoca redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do estresse hídrico nas áreas produtoras.
No entanto, diferentemente das culturas anuais, os impactos sobre as palmeiras costumam aparecer de forma gradual.
A seca compromete a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, fazendo com que as maiores perdas de produção sejam observadas entre seis e doze meses após o pico do fenômeno climático.
Por esse motivo, os efeitos mais relevantes sobre a oferta mundial de óleo de palma deverão ocorrer ao longo de 2027.
Mercado de óleos vegetais pode sentir reflexos da menor oferta
Uma eventual redução na produção de óleo de palma tende a provocar efeitos em toda a cadeia global de óleos vegetais.
Com menor disponibilidade da commodity, indústrias e consumidores normalmente intensificam a demanda por produtos substitutos, como:
- óleo de soja;
- óleo de canola;
- óleo de girassol.
Esse movimento pode elevar os preços de todo o complexo de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e aplicações industriais.
Intensidade do El Niño será decisiva para os preços internacionais
De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do mercado dependerá da intensidade do fenômeno e do equilíbrio entre as perdas registradas na Austrália e os ganhos produtivos nas Américas.
Segundo o especialista, eventos de El Niño mais intensos costumam sustentar as cotações internacionais do trigo devido à relevância da Austrália nas exportações globais. Já no caso do óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático, onde a redução da oferta poderá se tornar mais evidente ao longo de 2027.
Clima seguirá como principal fator para os mercados agrícolas
A perspectiva de retorno do El Niño reforça que as condições climáticas continuarão sendo um dos principais direcionadores dos mercados agrícolas nos próximos meses.
Além de influenciar a produção mundial de trigo e óleo de palma, o fenômeno poderá alterar fluxos comerciais, estoques globais e estratégias de comercialização, aumentando a volatilidade das commodities e exigindo monitoramento constante por parte de produtores, exportadores e investidores do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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